Resposta a Leitor do Blog Sobre Artigo da Percussão


Amigos leitores, abaixo está minha refutação a um leitor do blog sobre meu email ao Dr. Ozéas Moura publicado aqui. Agradeço sempre as contribuições que aprofundam as discussões:


1. Colaboração na edição e confecção do artigo. Tenho certa dificuldade em aceitar que o artigo tenha tido a colaboração de profissionais da área de música e teologia.


 Leitor do Blog: Não faria sentido uma consulta como a sugerida por você, visto que o assunto está polarizado entre os que apoiam e os que são contra tambores (ou bateria) na igreja. Caso fosse consultado, você responderia de maneira diferente daquilo que expõe em seus artigos?

André Reis: Sobre a consulta a outros músicos e teólogos da Igreja, creio que a menos que possamos apresentar numa publicação oficial da Igreja uma posição que represente a realidade espiritual e teológica da igreja como um todo, é preferível não publicá-lo e correr o risco de fomentar o extremo da questão.

Caso eu houvesse sido consultado pessoalmente, eu teria apresentado os mesmos argumentos que apresentei em minhas matérias, que tem sido elogiadas como equilibradas por pastores e líderes do Brasil. Isso porque eu procuro nunca dizer "É assim" mas sempre digo, "é possível" "provável" "não seria o caso?" etc; pessoalmente creio que sou moderado em minhas opiniões.


Eu nunca diria em nenhum artigo que a Bíblia "proíbe" a percussão na música sacra porque essa seria uma posição extrema, além de não ter respaldo bíblico.

 

2. O uso de fontes no artigo. Um artigo potencialmente controverso como esse deveria ter apresentado uma vasta busca de fontes sobre o assunto e que, consequentemente, poderia ter norteado as conclusões de forma drasticamente diferente do que o foram. Essas fontes também poderiam representar os "irmãos experientes" que EGW recomenda acima. No entanto, o que vemos são 5 citações, 4 de um só autor/livro!


Leitor do Blog: Artigos acadêmicos, com muitas citações bibliográficas, não são possíveis em um veículo de comunicação como a Revista Adventista. O fato de ter-se citado Bacchiocci não significa o artigo se baseia nele somente. O artigo foi baseado na Bíblia e do Espírito de Profecia. 
 
André Reis: O artigo reflete do início ao fim a opinião de Bacchiocchi portanto,  o autor escolheu apresentar somente a opinião de uma pessoa numa publicação oficial da IASD e esse o problema que eu e com certeza outros também estão tendo. Bacchiocchi cometeu muitas gafes teológicas no seu livro e foi repudiado pela liderança aqui nos EUA inclusive através da publicação de uma refutação oficial pela Review and Herald como eu já havia dito. Ele era um bom historiador na questão do sábado, mas sua teologia sistemática deixava muito a desejar.


Em que partes da Bíblia e do Espírito de Profecia o artigo foi baseado? Já demonstramos que a Bíblia não proíbe a percussão. Muito menos o faz EGW.

Seria seguro dizer que o irmão Moura meramente "sapecou" um artigo sobre a percussão na música sacra, juntou umas 4 passagens de Bacchiocchi que apóiam suas conclusões, juntou várias citações de EGW que aparentemente apóiam sua tese de "proibição da percussão" e mandou publicar a nível nacional? Será isso o que nossa igreja merece?

Será que o irmão Moura pesou com oração as consequências de tal ação? Pensou na possibilidade de que muitos anciãos, diáconos e pastores e outros membros incautos usariam esse artigo "oficial" para oprimir e criticar músicos e cantores em nossas igrejas, barrando solistas que tem "Playbacks" com bateria, mandando pessoas descerem do púlpito, mandando disciplinar músicos que insistem na bateria, cortando músicos de corais, jovens rebeldes por indisciplina? Será que o irmão Moura considerou as críticas à própria IASD que usa a bateria em praticamente todas as suas produções, fomentando assim o espírito acusador naqueles que não gostam da bateria?  


Veja, o primeiro artigo que eu escrevi para a RA em 1994 tinha uma longa lista de citações portanto não creio que espaço ou propriedade dessas na RA seja um problema. Nossa Igreja merece mais do que isso. Os artigos do Pr. Timm por exemplo, também são notórios pelas infindáveis referências que dão peso à pesquisa. Duvido que seus artigos seriam considerados "impróprios" para a RA pela profundidade e abundância de referências.


 A menos que leiamos amplamente TODOS os lados de uma questão com isenção (sem paixão contra ou a favor da bateria) é difícil ou quase impossível apresentar conclusões equilibradas. Com certeza a tese de ThD do Dr. Moura tem dezenas de páginas de bibliografia. Será que nossos irmãos merecem menos do que essa curiosidade intelectual?


3. O uso da Bíblia no artigo. Admira o fato de que nós adventistas temos um certo "orgulho santo" pela exegese que fazemos da Bíblia em questões doutrinárias, enquanto mostramos uma aplicação seletiva desses princípios quando o assunto é música sacra.


Leitor do Blog: Adventistas procuram seguir a boa regra de ver o texto em seu contexto mediato e imediato. Mas garanto-lhe uma coisa: se o teor do artigo estivesse de acordo com suas ideias, você diria que eu teria feito uma boa exegese. Não é verdade?




André Reis: Por outro lado, poderíamos concluir que o irmão Moura considera sua exegese boa porque está de acordo com suas idéias pessoais, não é verdade?

 Veja, quando estudei hermenêutica no SALT, aprendi várias regras interessantes e uma delas é se ater estritamente ao que o texto está dizendo e fazer "exegese" em vez de "eisegese", adicionar palavras ao texto. Outra regra é buscar o ensino da Bíblia sobre o assunto em sua totalidade, que é quando descobrimos que a Bíblia não se contradiz, apesar de a revelação da verdade ser progressiva. Ela não pode dizer "Louvai a Deus com o Tamborim" e em outro lugar dizer "Tamborins são proibidos no louvor a Deus".

Então partimos de textos claros para textos "obscuros"; e.g., começamos com o Salmo 68, 81, 149 e 150 e então estudamos a música do Templo. Constatamos que embora o tamborim fosse tocado regulamente no louvor a Deus pelo povo e não fosse tocado diariamente na música do Templo, ele era sim tocado em festividades acompanhando a festa das trombetas (Salmo 81) e na Festa dos Tabernáculos que ocorria no Templo. Isso também é confirmado por fontes históricas e por EGW.

O que nos levaria a concluir que a percussão é claramente permitida no louvor a Deus mas só era usada no Santuário  propriamente dito em festividades espirituais, talvez pelo tipo de adoração que os sacrifícios diários de animais requeriam, uma música um pouco mais "introspectiva" com harpas etc.

Outrossim, se a música sacra ocorria fora do Templo também, como é o caso, então não há como limitarmos música e instruments sacros somente àqueles que acompanhavam o ritual do Santuário. Aí, lendo o NT vemos que o ritual sombrio de sacrifícios de animais do Santuário (meras sombras) foi abolido e hoje podemos nos achegar "com confiança ao trono da graça" com um louvor exultante e vibrante, com todos os instrumentos que auxiliem nessa celebração do sacrifício de Jesus.

Segundo meus estudos de teologia, a breve exegese acima não viola nenhum princípio de hermenêutica.

No que tange a meus gostos pessoais, meus estudos de mestrado focalizaram música sacra erudita; participei de concertos clássicos sacros inclusive no Carnegie Hall. A grande parte da minha vida como adventista foi defendendo o tradicionalismo musical e músicas tradicionais ainda são minha preferência. Se quiser ter realmente uma idéia do tipo de música que me toca mais, pode dar uma olhadinha nesse vídeo.

 http://www.youtube.com/watch?v=3VYZKjG_Des (Conheço o compositor, ele regeu meu coral no Carnegie Hall em 2005)

 Tenho centenas de músicas como essa e que escuto frequentemente.

Mas recentemente participei como líder de louvor onde a bateria e outros instrumentos "não sacros" como o contrabaixo estavam presentes e sinto que eles auxiliam grandemente no alcance do louvor vibrante e exultante que Davi preferia; veja o Salmo 98. O culto deve ser uma celebração! Sempre tendo em vista os princípios de racionalidade obviamente.

Porém, meus estudos de uma ampla gama de estudiosos e argumentações, inclusive de Bacchiocchi, me levam a repudiar argumentos que querem impedir o uso da percussão na música sacra e por uma simples razão: não temos base bíblica para tanto.

Podemos usar de outros argumentos como respeito às sensibilidades de diversos irmãos na Igreja (embora a consciência de uns não devem ser controladas por outros, segundo o Paulo), preparo dos músicos, tamanho da igreja etc. Mas não tentemos forçar à Bíblia algo que não está ali. Se a Bíblia tem uma posição sobre a percussão é a PERMISSÃO e não proibição. Como exegeta isento, fica difícil concluir diferente.

Por isso meu problema com o artigo e com as abordagens similares que se vêem por aí é justamente esse, o uso da Bíblia como compêndio musical quando ela não tem essa preocupação. Isso leva ao que Bacchiocchi fez, 'eisegese' e não 'exegese'.




a. Reforma Musical. Um exemplo dessa exegese seletiva é a sua conclusão (segundo Bacchiocchi) de que a música estabelecida no Templo reflete uma "reforma musical" por parte de Davi que excluiu tambores. Mas isso é alheio ao texto. 


Aqui você se apega a uma picuinha linguística, como essa de objetar quanto ao uso da palavra “reforma”. Se você não fosse preconceituoso com respeito ao assunto teria percebido que empreguei o termo com a ideia de “normatização”, “nova orientação”, “estabelecimento de parâmetros”, “estabelecimento de diretrizes”.

 André Reis: Se o irmão leu meus textos verá que não sou preconceituoso, pelo contrário, tenho sido elogiado por conservadores e liberais como "moderado", graças a Deus!

Minha "picuinha" não é linguística e sim teológica: não importa que termos usemos, não existe o conceito de "reforma, normatização" "nova orientação" ou coisa que o valha na música do povo de Israel. A Bíblia simplesmente diz que no Templo se tocavam certos instrumentos. Partir disso para uma "proibição" a outros instrumentos ou querer limitar a música sacra do Templo como sendo TODA a música sacra que o povo realizava a Yahweh trata-se de esticar violentamente o texto, o que acaba criando contradições na Bíblia.

O Templo também não serve de modelo para a Igreja pois quase tudo o que acontecia ali foi abolido na cruz e não pode nem deve ocorrer na Igreja hoje. Por que escolhemos só umas coisas e deixamos de fora outras? Com que base? Quem decide o que é modelo e o que não é? Se eu não gosto de tambores, outros querem dividir a Igreja entre lugar Santo e Santíssimo... (isso já ocorre por aí...)

Por outro lado, se houve uma coisa na música do Templo foi "desenvolvimento" pela inclusão de outros instrumentos como a flauta, tamborim e a dança e inclusive mulheres cantoras. Certamente evidências bíblicas e históricas no Segundo Templo lançam por terra o conceito de "reforma". 



b. Associação como o paganismo. Ainda mais problemática é a declaração de que "Eles foram proibidos no templo, mas admitidos fora dele em festividades e encontros sociais" e que "a proibição de instrumentos de percussão surgiu na cabeça do próprio Deus."

 
O argumento da "proibição" dos tambores por associação com a música pagã, além de ser alheio à Bíblia, ignora que os mesmos instrumentos "mandados por Deus" no Templo tinham também associações negativas:



Leitor do Blog: : Quanto à sua “comprovação histórica” sobre tamborins e danças no Segundo Templo veja o comentário a seguir:

“O Mishnah revela inclusive que havia dança no Segundo Templo, o que, historicamente, pressupõe o uso de tamborins: ‘Homens piedosos e de boas obras dançavam... com tochas nas mãos, cantando canções e louvores. Inúmeros levitas tocavam harpas, liras, címbalos e outros instrumentos musicais...’ nas cortes do Templo. Descrevendo a mesma cena, o Talmude (c. 500AD) menciona "inúmeráveis instrumentos musicais" (citado em seu artigo Tamborins em 1 Crônicas 13-15, p. 5).


André Reis:  O irmão não citou essa passagem do meu artigo:

"Já no Segundo Templo estabelecido após o exílio babilônico, o tamborim faz parte dos instrumentos usados regularmente no serviço do Templo, conforme revela Liliane Doukhan, Ph.D., professora de música na Andrews University: "Documentos que descrevem o serviço do Segundo Templo mencionam também a flauta e o tamborim entre os instrumentos usados."[1] O documento judaico Mishnah (c. 200AD) confirma que os sacerdotes faziam instrumentos musicais com os animais sacrificados, inclusive tamborins: "...os ossos das pernas tornam-se flautas, o couro em tamborim, suas entranhas, liras".[2] Sobre a flauta, lemos que "nunca menos do que duas flautas e nunca mais do que doze" deveriam ser tocadas no Segundo Templo; "Doze dias durante o ano a flauta era tocada diante do altar."[3] Lembre-se que a flauta não era parte dos "instrumentos de Davi" do Primeiro Templo. (Fonte "Tambores e Os Instrumentos "do Senhor" p. 5.) ([1] Liliane Doukhan. Music in the Bible. (Shabat Shalom, Outono de 2002); p. 24. [2] Mishnah; Kinnim 1:1. [3] Mishnah; Arakhin 2:3.


Leitor do Blog: Problemas com sua argumentação: 1) A dança era do povo, celebrando a festa dos Tabernáculos e não dos músicos levitas


André Reis: Veja o que EGW diz sobre a Festa dos Tabernáculos citada no meu texto e no Mishnah (Sukkah = Tabernáculos):

"Ao falar estas palavras, estava Jesus no pátio do templo... À noitinha, quando se acendiam as lâmpadas, o pátio apresentava uma cena de grande regozijo... Homens de cabelos brancos, os sacerdotes do templo e os príncipes do povo, uniam-se em festivas danças ao som dos instrumentos e dos cantos dos levitas. (DTN 463)

A dança pelos sacerdotes e pelo povo aqui ocorre dentro do Templo no ano de 30A.D. aproximadamente, portanto o argumento da "reforma" da prática do Templo mais uma vez cai por terra. E também não há como argumentar que os levitas pudessem estimular a dança dos sacerdotes e do povo enquanto eles mesmos fossem proibidos de fazê-lo ou que isso fosse ofensivo a Deus. 


2) Só se poderia dançar ao som de tamborins? Mas, se era dança do povo, não haveria problema que eles estivessem presentes, pois eram aceitos nas festividades populares.

André Reis: Ao dialogar com a Dra. Doukhan, Musicóloga na Andrews sobre o uso do tamborim no Segundo Templo ela confirmou que a dança judaica sempre era acompanhada pelo "toph", o tamborim. Davi confirma isso ao dizer "Louvai com o tamborim e com a dança" (Salmo 150)

Aqui entra então o fato de que os levitas músicos tocavam o toph, que eles mesmos haviam construído a partir do couro dos animais sacrificados (veja Mishnah), juntamente com o povo DENTRO do Templo na festa dos Tabernáculos.

E como o irmão pode relegar a Festa dos Tabernáculos a uma mera "festividade popular"?
A Festa fora instituída pelo próprio Deus em Levítico 23:33-43: "Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias."

Sobre essas "festividade populares" segundo Moura, EGW diz:
 Três vezes por ano era exigido dos judeus reunirem-se em Jerusalém para fins religiosos. Envolto na coluna de nuvem, o invisível Guia de Israel dera instruções quanto a esses cultos." (DTN 447)

Ora, se ela mesma confirma que a dança com tamborins nesses cultos ocorriam dentro do Templo, então novamente cai por terra o argumento da proibição do tamborim no Templo bem como a distinção de música sacra dentro e secular fora do Templo.



3) Quais instrumentos os levitas tocavam? Os recomendados por Davi. (Essa sua citação contraria toda a sua argumentação sobre levitas tocando tambores no segundo templo).


André Reis: Que bom que o irmão aceita que os instrumentos foram meramente "recomendados" por Davi. Não esqueça que os levitas também ajudaram a escolher: "E Davi ordenou aos chefes dos levitas que designassem alguns de seus irmãos como cantores, para tocarem com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e címbalos, e levantarem a voz com alegria." (1 Crô. 15:16)

Mas novamente, a dança judaica SEMPRE era acompanhada pelo toph=tamborim. Veja as citações do Mishnah citadas acima. Qualquer enciclopédia bíblica pode confirmar isso. Essa também é uma das provas de que os tamborins fizeram parte do segundo transporte da arca pois se Davi dançou, foi ao som do toph. Pelo menos o artigo não se valeu dessa suposta proibição no segundo transporte.



4) As frases “Outros instrumentos musicais” e “Inumeráveis instrumentos musicais” implicam, necessariamente, em tamborins? (Você que tanto fala em não se usar o “argumento do silêncio”, está fazendo exatamente isso!!!).


André Reis: Vide número 3 acima.

Leitor do Blog: Você diz que “não se tem uma progressão clara e inegável na Bíblia sobre o uso da percussão”. Mas o fato de tamborins serem mencionados na música sacra antes da normatização (para usar uma palavra do seu gosto) feita por Davi e depois não mais seem mencionados nas duas normatizações ou diretrizes seguintes (a feita por Ezequias e pelos que retornaram do cativeiro) não aponta para uma progressão quanto ao entendimento do que se deveria usar ou não usar? Você não acha que é muita coincidência a não menção de tamborins nas três diretrizes?


André Reis: Coincidência a falta de tambores no primeiro Templo? Não. Proibição? Também não.

O irmão está novamente usando o argumento do silêncio: não pode ser coincidência a ausência (silêncio) dos tamborins por isso, eles foram proibidos.
 

Por outro lado, poderíamos questionar também a "coincidência" de que Deus não deu instruções a Moisés sobre a música do Tabernáculo e, segundo seu raciocínio "ausência = proibição", deveríamos proibir toda a MÚSICA na Igreja hoje.

Seria também "coincidência" que em nenhum momento na revelação vemos o próprio Deus dando a "ordem, ou mandado" para que esses instrumentos fossem usados no Templo de Salomão?  Pelo contrário, a inclusão de música no serviço do Santuário era em si uma saída das instruções de Deus a Moisés. Deus não instruiu a Moisés a estabelecer um sacerdócio musical. Se Deus tivesse considerado necessária a inclusão de música no ritual do Santuário, teria dado essas instruções claras já no início.


Seria também pura coincidência que não lemos essa ordem de Deus justamente quando Davi mandou os levitas escolherem os músicos do Templo, em 1 Crônicas 15:16? Se houvesse sido uma revelação direta, ativa e imprescindível de Deus, não somente ele teria incluído música já nas instruções sobre o Tabernáculo mas com certeza os autores de Samuel e Crônicas teriam colocado essa ordem onde ela se aplicava: no momento da escolha dos músicos no Templo em 1 Crô. 15. Mas não é o que vemos. Em 1 Crônicas 15 vemos Davi simplesmente mandando os levitas escolherem músicos e instrumentos. Ele até delega a tarefa aos levitas.

Não quero com isso dizer que Deus não esteve envolvido no processo mas creio que a interpretação desse "mandado" de 2 Crônicas 29 através dos profetas deve entrar na categoria dos "passivos divinos" que encontramos em toda a Bíbia, i.e., Deus não mandou ativamente (Deus não instruiu sobre música no tabernáculo e também não há um verso que mostra Deus falando sobre os instrumentos) mas Ele apenas aprovou o uso desses instrumentos que para os leitores pós-exílio, teria sido um mandado direto através do profeta Natã. O fato de que Deus aprovava e se alegrava com outros instrumentos inclusive o tamborim na adoração (Salmo 149:3) é prova de que essa "ordem" se trata de uma escolha de Davi, dos levitas, de Natã, com o aval de Deus para uso no primeiro Templo e que não excluía outros instrumentos da música sacra hebraica.

Antes de questionar essa abordagem, sugiro que o irmão pesquise o conceito de "passivo divino" na mente hebraica: Deus é visto como AUTOR de algo que ele apenas PERMITE. (Exemplo: o espírito maligno que atormentava a Saul "da parte de Deus"; o demônio de Apo. 9 que recebe autoridade de Deus.)


Leitor: Se estivessem ausentes (tambores) em uma apenas, o argumento seria válido, mas em todas as três? Mas, por falar em “argumento do silêncio”, quem o usa é você, só que com mais um designativo, a imaginação. Você usa o “argumento do silêncio-imaginação”, ou seja, apesar do silêncio sobre tambores na música do templo após as diretrizes de Davi, de Ezequias e dos retornados do exílio, você imagina que eles fossem ali usados. Para eu saber quais instrumentos eram usados na música do templo não preciso nem do silêncio nem da imaginação: essas três diretrizes mencionadas os explicitam claramente.


André Reis: Não é eu que "imagino", é o que a Bíblia e a história da prática do Segundo Templo comprovam. O Salmo 81 por exemplo, dedicado ao Canto-Mor do Templo manda 'soar o tamborim' na festa das trombetas, que ocorria no Templo. O Salmo 68 mostra o tamborim e a dança em conexão com a música dos Levitas no Templo.

Também houve um desenvolvimento na música do templo e outros instrumentos foram adicionados como a flauta e o tamborim:

"Sobre a flauta, lemos que "nunca menos do que duas flautas e nunca mais do que doze" deveriam ser tocadas no Segundo Templo; "Doze dias durante o ano a flauta era tocada diante do altar." (Mishnah; Arakhin 2:3.) Lembre-se que a flauta não era parte dos "instrumentos de Davi" do Primeiro Templo. (Fonte "Tambores e Os Instrumentos "do Senhor" p. 5.)

Basta então escolher a música de qual Templo reflete a vontade de Deus: a do Templo de Salomão - sem tambores; ou a do Segundo Templo, com tambores, dança e flautas que Jesus chamou de "minha casa de oração."


b. Associação como o paganismo.
Salmos 149 e 150: Esses salmos são conhecidos como “anônimos”. Mas partamos da hipótese de que são de Davi (a Sra. White parece dizer isso). Se são de Davi, devem ter sido escritos antes de sua reforma ou normatização da música.
 

 André Reis: O irmão continua a insistir numa "reforma musical" que não existe na Bíblia.

Não creio que a data dos Salmos seja relevante, pois nós os consideramos como inspirados e normativos. Ou será que vamos começar a escolher o que é inspirado e normativo e o que não é baseando-nos em datas? Seria Gênesis menos normativo do que o Apocalipse? Parece que o artigo tende a fazer isso.

E não é isso que os oponentes à lei de Deus fazem, relegam o mandamento do sábado a um período de "falta de luz" anterior à ressurreição?


Tambores e danças eram permitidos na música sacra antes dessa normatização, e ainda, a revelação da vontade de Deus é progressiva. Um exemplo é o fato de que o Cântico de Moisés foi entoado pelos israelitas recém saídos da escravidão do Egito com o acompanhamento de tambores e danças (Êx 15:20,21), mas que, na Nova Terra será acompanhado não mais por tambores e danças, mas pelas “harpas de Deus” (ver Ap 15:2, 3).



André Reis: Como EGW e as evidências históricas comprovam, a dança ao som de flautas e tamborins ocorria DENTRO do Templo na época de Jesus, séculos depois da suposta "reforma musical" proposta por Bacchiocchi e Moura.

 Outro detalhe que enfraquece sua tese sobre a progressão ou "reforma musical" é usar a Canção de Moisés. João no Apocalipse ao falar dela não está se referindo a Êxo. 15! Isso mesmo, não há sequer uma alusão a Êxo. 15 nessa passagem!

 A Canção de Moisés no Apocalipse é uma colagem de 8 ou 9 passagens do Velho Testamento, e nenhuma de Êxo. 15! Portanto não há aqui nenhuma "verdade progressiva" sobre o uso de tamborins ou não. O uso de João do Cântico de Moisés é simbólico de toda a libertação de Deus a Seu povo no Velho Testamento.  Cai por terra portanto o conceito de que João tenta "purificar" a celebração do Canto de Moisés com tamborins porque ele nem sequer menciona esse evento no Apocalipse!


Não podemos ler o Apocalipse como se João tivesse lido Bacchiocchi.

Por outro lado, se as harpas no Apocalipse são literais, então os salvos tocam sobre um Mar de "Vidro" literal? Cadê a consistência exegética?



Leitor: Se esses salmos são tomados como manuais para a música apresentada no templo, então os músicos deveriam, além de seus instrumentos, portarem “espada de dois gumes”. O que acha da sugestão?



André Reis: Os Salmos possuem princípios fundamentados culturamente mas que também transcendem essa cultura. Por exemplo, Israel guerreava em nome de Deus por isso a menção de espadas. Hoje nós não travamos guerras divinas com espadas per se: nossa espada hoje é a da palavra e o escudo, do espírito. Mas se fôssemos mandados por Deus para destruir os ímpios com a espada, o faríamos com o louvor de Deus nos lábios, concorda?

 Por outro lado, instrumentos de percussão não se encaixam nesses princípios culturais pois são comuns a todas as culturas em todos os tempos. Além de serem ontologicamente neutros, instrumentos musicais são atemporais.



Leitor: Outra possibilidade é ver nesses salmos o princípio de que “tudo deve louvar a Deus”, mas cada coisa no seu devido lugar. Ou seja, instrumentos permitidos na música sacra devem ser tocados para louvar a Deus; instrumentos usados para música secular, cívica, etc. (como tambores numa banda, em uma festa cívica, por exemplo) devem também ser tocados de modo a louvar a Deus, pois cristãos também são cidadãos e participam das festas cívicas de seu país. Tambores numa banda militar ou civil são perfeitamente cabíveis, mas não dentro da igreja, num culto a Deus. Outro fato é que flautas, harpas, alaúdes e trombetas não estão necessariamente vinculados à música popular ou pagã. São neutros em si. Tal, porém, não é o caso dos tambores.


André Reis: Essa argumentação não se sustenta novamente pelo fato de que não há na Bíblia distinção entre instrumentos sacros e instrumentos profanos.

 Veja novamente como todos os instrumentos do Templo que, na sua concepção é o único lugar onde ocorria a música sacra, eram profanos:

 - Prostitutas tocavam harpas: Isa. 23:16,
- Harpas e alaúdes são tocados em festas pagãs: Isa. 5:12
- Trombetas são usadas no culto pagão da Babilônia: Daniel 3
- Harpas representam simbolicamente a música da Babilônia mística: Apo. 18

Considerando esses versos, baseados em que parâmetros podemos considerar certos instrumentos neutros e outros não? Certamente não temos autoridade bíblica muitos menos musical para isso.

Se não podemos considerar os tamborins como literais e neutros, então as flautas e harpas também não são, pois estavam no culto da Babilônia e das prostitutas. Não dá pra escolher o que é o que não é. A culpa por associação corta dos dois lados.

Em nossos dias, segundo esse raciocínio o piano é um instrumento pagão pois é usado no jazz, bossa nova, rock, country, música clássica secular. Que parâmetro o faz aceitável na Igreja? Se é o  estilo em que se toca, então o mesmo se aplica à percussão?

Quando o irmão diz que a Bíblia faz distinção entre música sacra e música secular, essa distinção parece se basear somente em instrumentos musicais, que como vimos são intercambiáveis entre música sacra e secular na Bíblia. Essa distinção também não pode se basear em aspectos técnicos da música tais como performance, tonalidade, aspectos rítimicos, contorno melódicos, influência sobre o ouvinte etc., porque simplesmente não temos detalhes na Bíblia de como as duas soavam para criar criar a distinção.

Por outro lado, a distinção que podemos dizer ser "bíblica" entre música das harpas no Templo e a música das harpas das prostitutas é a sua temática: o louvor a Yahweh. Os mesmos tambores que eram usados no culto a Baal, Moloque são conclamados por Davi para o louvor a Deus. Isso é um fato insofismável. Eram tocados da mesma forma, com o mesmo objetivo? Possivelmente não, mas o que tornava seu uso sacro seu uso na música sacra a Yahweh.

Paulo apoia essa distinção temática da música sacra ao admoestar os cristãos a cantarem "cânticos espirituais". O termo canções ("hodais") se aplicava a todo tipo de canções na época e aqui Paulo prefere as que tinham tema espiritual.

 Será que isso permite qualquer estilo de música sacra? Não necessariamente, a música deve apoiar o culto racional e tudo o que atrapalhe esse processo deve ser descartado. Isso varia culturamente: a música erudita alemã é irrelevante para boa parte dos nossos irmãos do agreste, os africanos, os indianos etc; o samba seria irrelevante para Austríacos.



Leitor: Concordo com você que os textos bíblicos na frase de R. N. Champlin (nota 1) como foram citados podem dar a impressão de que todos se referem à música secular. Mas tal não é o caso. São citados para exemplificar “festividades e cortejos”. Mas discordo de que se refiram à música sacra os textos de Juízes 11:34 (dança com tamborins por parte da filha de Jefté – quem é louvado aqui é Jefté), 1 Samuel 18:6 (dança com tamborins das mulheres após a derrota dos filisteus – aqui quem é louvado não é Deus, mas Saul e Davi, especialmente este último) e de Gênesis 31:27 (reclamação de Labão de que gostaria de ter-se despedido de suas filhas e netos com danças e tamboris – essa celebração é do tipo festivo, social como fazemos ao nos despedirmos de alguém).



André Reis: Segundo seu raciocínio, poderia-se argumentar também que o cântico de Miriã, que segundo EGW era genuíno louvor a Deus (PP 288), era na verdade uma música secular que louvava os grandes feitos de Moisés ao retirar o povo do Egito. Parece que o artigo dá a entender isso e fica despropositada uma "errata".

As celebrações da filha de Jefté poderiam tranquilamente ser consideradas como música sacra, haja vista que foi Ele quem concedeu a vitória a Jefté. A música poderia não ser em contexto de "culto" propriamente dito, mas era sacra pois a temática eram os feitos de Deus:    Jz 11:32: "Assim Jefté foi ao encontro dos amonitas, a combater contra eles; e o Senhor lhos entregou na mão."



4. O uso de EGW no artigo. Além da escassez das fontes usadas no seu artigo, as citações de EGW não são pertinentes pois não apóiam necessariamente a sua tese de que a percussão seja incompatível com a adoração.  Praticamente um terço do artigo traz citações de EGW e logicamente, o texto de Indiana está ali como suposto apoio às conclusões do autor.

Porém, considere que tanto a citação da passagem de Indiana fora de seu contexto imediato quanto sua aplicação universal mostram uma implícita crença na inspiração verbal do Espírito de Profecia, ou seja, se ela escreveu, pouco importa o contexto em que foi dito, que importa é o fato de que no fim "haverá gritos com tambores".

Leitor: Se esse texto de Ellen White (que fala sobre tambores, danças e gritos em Indiana) apoiasse tambores no culto, os defensores de tais instrumentos não o questionariam. Mas como fala fortemente contra eles, então faz-se necessária uma “reinterpretação” do mesmo. E aí aparecem os surrados argumentos do tipo “não era condenação dos tambores e das danças, mas do fanatismo”, “tambores bem tocados são aceitáveis”, e outros similares.  


André Reis: Volto a reiterar que EGW em nenhuma linha de seus escritos condena o uso da percussão na música sacra. Nenhuma. Se houver, gostaria de ver a citação.
 Pelo contrário, ela diz que "não devemos nos opor ao uso de instrumentos". Como ela poderia dizer isso e ao mesmo tempo se opor "fortemente" ao uso da percussão?

Veja que na passagem ela se opõe "fortemente" ao uso da música também. Vamos parar de ter música na IASD? Por que não, se EGW coloca todos no mesmo "balaio"?

Temo que essa condenação por EGW não exista pois não é do feitio de EGW se colocar acima da própria Bíblia condenando a roldão algo que esta permite, desde que o objetivo seja o alcance do culto vibrante e racional (Salmo 98; Rom 12). Quem insiste na interpretação nua, crua e "verbal" do Espírito de Profecia fora de seu contexto e implicações acaba criando contradições, inconsistências e traz descrédito a EGW.

 A passagem de Indiana não condena o uso de percussão na música sacra, assim como ela não condena a "música". Ela condena esses elementos quando acompanhando o fanatismo, balbúrdia, espiritualismo e "tudo o que é estranho".

 O piano acompanhou coisas estranhas em 1908 na IASD, será que vamos parar de usá-lo? (Veja Mensagens Escolhidas 3: 369-374)

 Por isso a passagem de Indiana, assim como QUALQUER passagem de EGW, precisa ser entendida no seu contexto "no seu tempo e lugar" (Testimonies 6: 116)  segundo a própria EGW recomendou. "Haverá gritos com tambores, música e dança" se entendo no que tange à Carne Santa em 1900.

 Em outra parte ela diz que o fanatismo virá "de diferentes maneiras". Como o Sr. entende esse diferentes maneiras?

 Se não insistirmos nesses princípios, teremos os maiores abusos do Espírito de Profecia já vistos: veremos pessoas mandando arrancar as alianças, condenando a compra de bicicletas, uns defendendo o consumo de ovos enquanto outros condenam (ambos com o aval de EGW!) a reforma de saúde será um motivo de opressão e assim por diante... Esses são só uns poucos exemplos.

 Se o irmão leu meu artigo onde proponho a interpretação da passagem seguindo princípios interpretativos do Espírito de Profecia aceitos por estudiosos adventistas, verá que não é simplesmente uma questão de defender ou repetir argumentos surrados e sim de ser fiel às intenções de EGW. Até agora ninguém se propôs a refutar o que eu propus, nem mesmo o Centro White no Brasil, isso porque, ao contrário do que muitos pensam, o artigo respeita toda uma gama de princípios de interpretação de EGW.

 Mas quem sabe o irmão gostaria de refutar esses argumentos "surrados", o que terei o prazer de ler. Recomendo, porém, que primeiramente explique a profecia de EGW em Maio de 1856 onde ela diz que muitos em sua audiência "passariam pelas sete pragas, outros seriam transladados por ocasião da vinda de Cristo e outros se tornariam comida para vermes."

 Salvo equívoco, todos ali se tornaram "comida de vermes".


5. O uso da bateria por instituições Adventistas. A Revista Adventista como publicação oficial da IASD no Brasil tem mostrado recentemente estar em certa dissonância com a realidade musical da Igreja (Ex.: "Louvor Congregacional" Julho 09). A percussão e bateria têm sido usadas de maneira apropriadada por músicos adventistas, muitos deles grupos oficiais da IASD por décadas. Como poderia a Revista Adventista publicar um artigo que praticamente anatematiza toda a produção musical Adventista recente? Foram os líderes musicais da Igreja representados pelos Arautos do Rei, Novo Tempo e DSA consultados sobre sua publicação? Ou seria seu artigo uma tentativa de "reformar" a música baseada numa leitura tendenciosa da "reforma" de Davi?

Creio que esse uso da percussão tem sua base na Bíblia que convida todos os tipos de instrumentos ao louvor a Deus (Salmo 1491-150). Apesar de todo o aparente "malabarismo exegético" que se faz hoje em dia sobre o uso da percussão no Salmo 150, resta o claro e inequívoco aval bíblico para seu uso da música sacra. Obviamente esse uso não justifica o "vale tudo" mas deve acompanhar e apoiar o culto vibrante (Salmo 98), em espírito e em verdade e racional (Rom. 12) que deve ocorrer em nossas Igrejas e os resultados das produções musicais no Brasil apontam para o uso correto destes instrumentos. Sem dúvida o ministério musical adventista tem ajudado em tornar o Brasil o maior país adventista no mundo.



Leitor: O que se tem visto atualmente na área da música pode ser resumido com o verso de Jz 21:25: “... cada um fazia o que achava mais reto”. E a introdução de baterias nas igrejas tem dividido os irmãos entre os que a apoiam e os que condenam, prejudicando o genuíno louvor a Deus.


André Reis:
Concordo que não podemos impor aos irmãos algo para que não estão preparados. A inclusão da bateria na maioria das igrejas causaria problemas técnicos e pessoais que prejudicariam o culto. Mas a questão aqui não é logística ou técnica e sim que nossos argumentos CONTRA alguma coisa estejam fundamentados na Bíblia e não em meras opiniões pessoais, gostos ou desgostos.

Em caso de dúvida, veja se a Bíblia é clara sobre o assunto. E não busquemos "pérolas escondidas" que contradizem textos claros.

O uso da Bíblia no artigo acabou criando exatamente isso, o autor escreveu o "achava mais reto" mas seus argumentos dificilmente podem ser chamados de "retos" como recomenda EGW. Não questiono a honestidade do autor escritor, creio que se trata de descuido e imprudência.


6. O potencial apoio ao extremismo.
Infelizmente temo que seu artigo acaba fomentando aquilo que se propôs a evitar, "extremos" (quiça fundamentalismo?).


Creio que o uso de tambores e assemelhados na música sacra em nossas igrejas tende levar ao liberalismo, ao “vale-tudo musical”, chegando-se à colocação de baterias nas igrejas mesmo sem a consulta ao pastor distrital e à comissão da igreja. Passa-se por cima da opinião dos demais membros da igreja. O que se vê é a imposição de tal música, geralmente por um grupo de músicos, aos outros irmãos. E ai de quem questionar tais músicos...


André Reis: É exatamente isso, quem combate a percussão, baseia-se em sua "opinião" e não na Bíblia.

 Mas creio que precisamos de argumentos bíblicos sólidos para nossas práticas e, temo que estes estão do lado daqueles que querem louvar a Deus com a percussão, desde que os princípios de adoração como eu tenho enfatizado em meus textos, sejam seguidos: vibração, celebração a Deus com racionalidade e em espírito e em verdade, sem balbúrdia e ruído e confusão.

Esses princípios se aplicam a qualquer instrumento: o "oba-oba" pode ocorrer com o violão, piano, órgão de tubos, violinos. Por que o irmão tem preconceito com a bateria? Qualquer músico profissional sabe que a bateria/percussão organiza os tempos e a cadência da música e sua influência é organizadora na música e não de "vale-tudo".

Precisamos de equilíbrio nesta questão e acima de tudo amor em todas as nossas práticas. Mas não posso aceitar que propor uma proibição generalizada da bateria na Igreja alcance esse equilíbrio. Quem o faz, o faz sem respaldo bíblico.


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Para ler os argumentos expostos aqui com profundidade, clique nos artigos abaixo:


1. Tambores e os "Instrumentos do Senhor"

2. Tambores e os Instrumentos do Senhor: Objeções e Refutações a Vanderlei Dorneles

3. Ellen White Era Contra a Bateria?

4. Fogo Estranho X Fogo do Senhor


Todos os artigos acima têm versão PDF para fácil leitura e distribuição. Além desses materiais, também recomendo a seguinte resenha sobre o artigo do Dr. Moura publicada pela professora Vanessa Meira.

Ainda de outros autores e pastores adventistas, sugiro a seguinte leitura:

http://www.novotempo.org.br/advir/?p=1997

http://notanapauta.blogspot.com/search?q=tambores


"No essential, unidade. No não essential, diversidade. Em tudo, caridade." (Agostinho)

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