Seu Nome Já Passou Pelo Juízo?



E
xiste uma citação de Ellen White que tem causado desnecessária angústia em muitos adventistas. Ela diz o seguinte:
"O juízo ora se realiza no Santuário celestial. Há muitos anos esta obra está em andamento. Breve, ninguém sabe quão breve, passará ela aos casos dos vivos. Na augusta presença de Deus nossa vida deve passar por exame." (O Grande Conflito, 490).
A interpretação mais popular dessa passagem, usada principalmente pelos "Adventistas de uma citação" em sermões é a seguinte: "Irmãos, segundo o Espírito de Profecia, sua vida pode estar passando pelo juízo HOJE mesmo!! Você pode estar sendo pesado e achado em falta neste momento!"
Com certeza você já ouviu muito isso em sermões por aí. Mas será que Ellen White está querendo dizer que a qualquer momento o juízo passará para o caso dos vivos? Como entender essa passagem?
Vamos começar por um breve estudo do juízo pré-Advento[1] na Bíblia.
O que diz a Bíblia sobre o juízo pré-Advento?
A Bíblia não trata diretamente sobre a questão do juízo pré-Advento dos vivos. Mas podemos inferir de várias passagens quando e como ele ocorrerá. Ela afirma que todos, vivos e mortos, crentes e descrentes, passarão por um juízo: "Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se começa por nós, qual será o fim daqueles que desobedecem ao evangelho de Deus?" (1 Ped. 4:17; cf. Dan. 7:9-14, 22; Atos 17:31; Apo. 21:27; 20:11).
A idéia de um juízo pré-Advento, portanto, não é uma doutrina "adventista", ela é bíblica. Apocalipse 22:10-12 revela que imediatamente antes do fim, Jesus declarará este juízo concluído e que a graça acabou: "Disse-me ainda: Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo. Quem é injusto, faça injustiça ainda: e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, santifique-se ainda. Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra."
Apocalipse 15 também revela que o juízo pré-Advento de vivos e mortos, o fim da graça e da intercessão de Cristo no Santuário celestial ocorrerão pouco antes das sete pragas serem derramadas: "Um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da ira do Deus que vive pelos séculos dos séculos. E o Santuário se encheu de fumaça pela glória de Deus e pelo seu poder; e ninguém podia entrar no Santuário, enquanto não se consumassem as sete pragas dos sete anjos." (Apo. 15:7-8).
A presença da fumaça no Santuário celestial é uma alusão ao que aconteceu várias vezes no Santuário terrestre. Cito aqui a dedicação do templo de Salomão: "então se encheu duma nuvem a casa, a saber, a casa do Senhor, de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor encheu a casa de Deus." (2 Crôn. 5:13-14; cf. Êxo. 40:34-35). A presença de Deus ali indicava a ausência de pecados neste, haja vista que o templo ainda não fora usado para sacrifícios.
Assim será também no Santuário celestial, pois o juízo pré-Advento implica na remoção de pecados e purificação. Quando o Santuário celestial se enche de fumaça antes das sete pragas, isso indica a total purificação deste e o fim do ministério intercessório de Jesus bem como a conclusão do juízo pré-Advento.
Ellen White expande essa visão do Santuário celestial de Apo. 15 ao dizer que
"Os que estiverem vivendo sobre a Terra quando a intercessão de Cristo cessar no Santuário celestial, deverão, sem mediador, estar em pé na presença do Deus santo. ... Deixando Ele o Santuário, as trevas cobrem os habitantes da Terra..."[2] (GC 425, 614).
"Quando a obra de investigação se encerrar, examinados e decididos os casos dos que em todos os séculos professaram ser seguidores de Cristo, então, e somente então, se encerrará o tempo da graça, fechando-se a porta da misericórdia." (GC 428).
Note que a obra final de juízo passará ao caso dos vivos quando já não puder haver mudança em seu destino e isso não pode ocorrer antes do fim do tempo da graça e nem depois do início das sete pragas, pois Jesus terá terminado sua obra de juízo no Santuário celestial.

Veja como as citações abaixo colocam o juízo dos vivos exatamente no momento do fechamento da porta da graça:

"Estamos nos aproximando do fechamento da porta da graça, quando cada caso deve passar em revista perante Deus. (Nos Lugares Celestiais, 196) 
"Então vi que Jesus não deixaria o lugar Santíssimo até que cada caso fosse decidido ou para salvação ou para destruição: e que a ira de Deus não viria até que Jesus tivesse terminado sua obra no lugar Santíssimo - removesse suas vestes sacerdotais e se vestisse com as vestes da vingança. ... mas quando nosso Sumo Sacerdote houver terminado Sua obra no Santuário, ele Se levantará, colocará as vestes da vingança e então as sete pragas serão derramadas." (Review and Herald, 01/08/1849).
Note que a porta da graça está aberta até aquele momento quando Jesus sai do Santuário, momento este em que o juízo dos vivos deve ser executado. Isso porque a idéia de um momento em que a porta da oportunidade se fecha para todos os vivos de maneira universal pressupõe que o juízo dos vivos não possa ocorrer nem antes nem depois desse tempo.

A oportunidade de salvação estará aberta aos vivos até esse momento, quando todos os destinos não puderem mais ser alterados, para bem ou para mal. Os santos estarão eternamente seguros "pelo sangue da aspersão" (GC 425). Quando Jesus deixa o Santuário, a porta da graça se fecha, o juízo pré-Advento para os vivos termina e é então que:
"A imaculada veste da justiça de Cristo é colocada sobre os provados, tentados mas fiéis filhos de Deus. O remanescente está vestido em gloriosas vestes, para nunca mais serem contaminados pela corrupção do mundo. Seus nomes estão no livro da vida do cordeiro, escritos entre os fiéis de todas as eras. (Testimonies, vol. 5, p. 475).
A citação acima coloca sob perspectiva a citação frequentemente distorcida para apoiar o perfeccionismo: "Naquele tempo terrível os justos devem viver à vista de um Deus santo, sem intercessor." (GC 614). Eles não mais necessitarão do intercessor, pois estão vestidos para sempre da justiça de Cristo! Em outra parte ela diz que
"Não possuímos justiça em nós mesmos com a qual pudéssemos satisfazer às exigências da lei de Deus. Mas Cristo nos proveu um meio de escape. ... Se vos entregardes a Ele e O aceitardes como vosso Salvador, sereis então, por pecaminosa que tenha sido vossa vida, considerados justos por Sua causa. O caráter de Cristo substituirá o vosso caráter, e sereis aceitos diante de Deus exatamente como se não houvésseis pecado." (CC 62)
Quanto aos ímpios vivos, o Apocalipse revela que, em vez das vestes de Cristo, eles recebem a "marca da besta" (Apo. 13:16-18; 14:9-10).
Estariam os Vivos Predestinados Para Salvação ou Perdição?
Um dos sérios problemas com a idéia de que o juízo esteja passando pelo nome dos vivos enquanto ainda houver chance de alteração no destino é que ela acaba caindo no erro da predestinação. Em outras palavras, mesmo que eu ainda tenha muito tempo de vida e graça até Jesus voltar, se o meu nome passar em juízo hoje, eu não poderei fazer nada para reverter o meu caso! Explicam os defensores dessa idéia que Deus olha para a minha futura e decide, baseado em Sua onisciência, qual será o destino de cada um.
O problema é que Deus estaria selando crentes vivos hoje que obviamente continuarão a cometer pecados, enquanto os "ex-crentes" perdidos estariam eternamente "barrados" do céu, embora pudessem ainda vir a responder aos apelos da graça![3] Essa interpretação torna irrelevante o juízo investigativo dos registros do céu e contradiz o ensino Bíblico e do Espírito de Profecia, pois Deus poderia simplesmente "pré-julgar" a todos os seres humanos antes de sua decisão sem a necessidade de investigar "registros".
O renomado teólogo Adventista Frank Holbrook critica essa interpretação dizendo que "a Bíblia sempre apresenta os juízos de Deus subseqüentes à escolha humana"[4] e não antes da escolha individual ou do fim de um período de graça.
Holbrook continua dizendo que "muito provavelmente, o juízo dos vivos ocorrerá simultaneamente quando a última geração é confrontada com uma questão que determinará seu destino... como vemos em Apocalipse 12-16."[5]
O que Ellen White quis dizer então com "Breve... passará [o juízo] aos casos dos vivos"?
Primeiramente devemos respeitar o contexto da citação. Muita heresia se cria quando se tiram as passagens de Ellen White do seu contexto! Uma "meia citação" é como uma "meia verdade", acaba virando uma mentira.
A citação em questão "O juízo ora se realiza no Santuário celestial. Há muitos anos esta obra está em andamento. Breve, ninguém sabe quão breve, passará ela aos casos dos vivos. Na augusta presença de Deus nossa vida deve passar por exame", se encontra num capítulo intitulado "O Grande Juízo Investigativo" no livro o Grande Conflito (pp. 479-491) em que Ellen White aborda muitos dos conceitos que formam a base da doutrina adventista do juízo pré-Advento que transcorre hoje no Santuário celestial.[6] Uma leitura completa e detalhada do capítulo desmonta a interpretação de que o juízo dos vivos possa ocorrer a qualquer momento fora do contexto de total comoção mundial, a chuva serôdia e das sete pragas. A título de síntese, posto aqui as seguintes passagens do mesmo capítulo que contextualizam a passagem acima no que tange ao juízo dos vivos:

"Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada em revista perante Deus a vida de todos os que creram em Jesus. Começando pelos que primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada geração sucessiva, finalizando com os vivos." (GC 483).
"A obra do juízo investigativo e extinção dos pecados deve efetuar-se antes do segundo advento do Senhor. ...  Quando se encerrar o juízo de investigação, Cristo virá, e Seu galardão estará com Ele para dar a cada um segundo for a sua obra." (GC 485).
"De igual modo, todos quantos desejem seja seu nome conservado no livro da vida, devem, agora, nos poucos dias de graça que restam, afligir a alma diante de Deus, em tristeza pelo pecado e em arrependimento verdadeiro." (GC 490)
"Quando se encerrar a obra do juízo de investigação, o destino de todos terá sido decidido, ou para a vida, ou para a morte. O tempo da graça finaliza pouco antes do aparecimento do Senhor nas nuvens do céu. Cristo, no Apocalipse, prevendo aquele tempo, declara: "Quem é injusto, faça injustiça ainda; quem está sujo suje-se ainda..." Apoc. 22:11. (GC 490-491).
Ellen White também revela que o processo de purificação dos santos vivos inicia-se pouco antes do fechamento da porta da graça com o derramamento do Espírio Santo:
"O "início do tempo de angústia" ali mencionado [PE p. 33], não se refere ao tempo em que as pragas começarão a ser derramadas, mas a um breve período, pouco antes, enquanto Cristo está no Santuário. Nesse tempo, enquanto a obra de salvação está se encerrando, tribulações virão sobre a Terra, e as nações ficarão iradas, embora contidas para não impedir a obra do terceiro anjo. Nesse tempo a "chuva serôdia", ou o refrigério pela presença do Senhor, virá, para dar poder à grande voz do terceiro anjo e preparar os santos para estarem de pé no período em que as sete últimas pragas serão derramadas." (PE 85-86).
"Os justos vivos receberão o selo de Deus antes do fim da graça." (Maranata, 209).
"Imediatamente antes de havermos entrado nele [no tempo de angústia], todos recebemos o selo do Deus vivo. Então vi que os quatro anjos deixaram de reter os quatro ventos."(SDABC 7, 968)
"O tempo do selamento é muito curto, e logo passará." (PE 58)
Veja que o juízo dos vivos ocorre "pouco antes" da Segunda Vinda de Cristo. A chuva serôdia durante a angústia entre as nações (Luc. 21:25-27) preparará os salvos vivos para o juízo que ocorre pouco antes do derramamento das sete pragas (Apo. 15-16) que antecedem imediatamente a Vinda de Cristo.
O derramamento do Espírito Santo culmina com o selamento e o juízo pré-Advento dos santos vivos proferido antes das sete pragas: "Quem é injusto, faça injustiça ainda; quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda" (Apo. 22:112). Isso confirma as evidências bíblicas de que o juízo dos vivos ocorre de maneira universal e não individual e coincide com o próprio fechamento da porta da graça. Neste momento, o nome dos salvos vivos é escrito no livro da vida e os perdidos estão para sempre perdidos.[7]
Podemos então analisar o momento do fechamento da porta da graça descrito em Apo. 22:11 em relação ao juízo pré-Advento da seguinte maneira:
"Quem é injusto; quem está sujo" = vida investigada = juízo pré-Advento
 "faça injustiça ainda; suje-se ainda" = sentença
 "e quem é justo; e quem é santo" = vida investigada = juízo pré-Advento
" faça justiça ainda; seja santificado ainda" = sentença
Note também que a investigação e a sentença aqui são simultâneos, pois a sentença não pode ser dada sem que haja investigação e esta não pode ocorrer enquanto ainda houver graça. Sabemos que no período imediatamente precedente ao fechamento da porta da graça, a mensagem do terceiro anjo continuará a ser pregada oferecendo ao mundo uma última oportunidade para temer a Deus e dar-lhe glória (Apo. 14:6-7; veja PE 85-86). Oferecer essa oportunidade para quem já teve seu destino selado anteriormente seria inútil.
Também segundo a Bíblia, o fim da graça para os vivos ocorre em um ponto específico do tempo, de maneira universal e irrevogável, antes das sete pragas (Apo. 15:7-8) que precedem imediatamente a vinda de Cristo. Note também que um "fechamento da porta da graça" em um ponto específico da história seria completamente irrelevante se a graça terminasse de maneira individual para os vivos em tempos diferentes![8]
Outra citação de Ellen White parece apoiar a idéia de que o juízo dos vivos pode começar hoje diz que:
"Enquanto o juízo investigativo prosseguir no Céu, enquanto os pecados dos crentes arrependidos estão sendo removidos do Santuário, deve haver uma obra especial de purificação, ou de afastamento de pecado, entre o povo de Deus na Terra."(GC 425). [9]
Note, porém, que os "crentes arrependidos" cujo pecado é removido não são os crentes vivos, e sim os crentes mortos:
"Durante dezoito séculos este ministério continuou no primeiro compartimento do Santuário. O sangue de Cristo, oferecido em favor dos crentes arrependidos, assegurava-lhes perdão e aceitação perante o Pai." (GC 421).
O juízo pré-Advento hoje trata da remoção dos pecados desses "crentes arrependidos" mortos do Santuário celestial. Enquanto essa obra continua em favor dos crentes mortos é que "Deve haver uma obra especial de purificação, ou de afastamento de pecado, entre o povo de Deus na Terra" (GC 421), pois a porta da graça continua aberta e o juízo dos vivos ainda não ocorreu.
Sabemos também que o juízo dos justos vivos só ocorrerá quando terminar o dos justos mortos: "Os casos dos justos mortos têm estado a passar em revista diante de Deus. Quando esta obra se completar, o juízo deve ser pronunciado sobre os vivos." (ME 1, 125).
Agora pense comigo: segundo estatísticas, morrem aproximadamente 2 pessoas por segundo no planeta; por hora são 7.200 e por dia 172.800. Obviamente muitos desses que morrem são justos que entram na "fila", por assim dizer, do juízo pré-Advento dos mortos. Ou seja, enquanto salvos estiverem morrendo, Jesus não iniciará o juízo dos vivos. Evidentemente, isso não continuará para sempre; por isso, a porta da graça se fecha em um momento específico de maneira universal. Essa é mais uma evidência de que o juízo dos vivos ocorrerá simultaneamente com o fechamento da porta da graça e não de maneira particular.
Com base em tudo isso, relendo a frase "Breve, ninguém sabe quão breve, passará ela aos casos dos vivos", podemos dissecá-la da seguinte forma:
1. Ellen White cria que ela mesma vivia nos dias finais da história pois "breve" o juízo passaria para os vivos culminando com o fechamento da porta da graça e na vinda de Cristo ainda em seus dias (cf. Apo. 22:12);
2. "Ninguém sabe quando" alude à imagem do ladrão da noite que Jesus usou em Mat. 24:39 e que vimos acima; "Assim, quando a decisão irrevogável do Santuário houver sido pronunciada, e para sempre tiver sido fixado o destino do mundo, os habitantes da Terra não o saberão." (GC 615).
3. O juízo passará aos "casos dos vivos" "pouco antes do aparecimento do Senhor nas nuvens do céu", pois é nesse momento em que termina a graça e todos os casos estarão decididos. Esse "pouco antes" está inserido no contexto da chuva serôdia e das sete pragas. Deus não decidirá os casos dos vivos enquanto houver tempo de graça para arrependimento e salvação, pois Ele não predestina de nenhuma forma indivíduos que poderão ainda usar seu livre arbítrio para definir seu destino. O último convite divino ao arrependimento será pouco antes do fechamento da porta da graça. (Apo. 14:6)[10]
Creio que essa leitura é mais consistente como toda a gama de declarações sobre o juízo pré-Advento feitas por Ellen White e também é consistente com a intercessão de Jesus descrita na Bíblia:
"Porque Cristo não entrou num Santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus." "Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles." (Heb. 9:24; 7:25).
"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos, ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e para todo o sempre. Amém." (Judas 24,25)
Por isso, nenhum adventista precisa temer que seu nome tenha já passado ou esteja passando hoje pelo juízo pré-Advento e viver em insegurança, medo, apreensão ou depressão. O juízo pré-Advento transcorre hoje para os mortos e os "que morrem" (veja Rev. 14:13), enquanto nós vivos ainda temos a porta da graça aberta.
Conclusões
1. Ellen White não advoga a idéia de que o juízo dos vivos ocorre fora do contexto dos eventos finais que inclui: a chuva serôdia durante a angústia entre as nações, comoção generalizada no mundo (Luc. 21:25-27), o fim do tempo da graça, as sete pragas e o tempo de angústia.
2. O juízo pré-Advento dos vivos ocorre simultaneamente com o fechamento da porta da graça, pois Jesus continua Sua obra intercessória e de juízo até proferir o juízo/veredito sobre os vivos naquele momento. (Apo. 22:11; 15:7-8);
3. Nossa preocupação hoje, nestes dias de graça, é em continuar "a obra especial de purificação, ou de afastamento de pecado, entre o povo de Deus na Terra." (GC 421)
4. Acima de tudo, podemos viver com a certeza de que "Quem crê no Filho tem a vida eterna" (João 3:36) e que  "nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rom. 8:1), alegrando-nos "por estarem os vossos nomes escritos nos Céus." (Luc. 10:20).
Maranata!~
André Reis
Formado em Teologia pelo Unasp-C2, cursou Mestrado em Divindade na Andrews University; também é Mestre em Música e atualmente cursa Ph.D. em Teologia.
É Pastor Associado da Igreja Adventista Brasileira de Jacksonville, Florida.

Leitura Adicional:
"Perfeitos em Cristo" disponível em




[1] Também conhecido como "juízo investigativo".
[2] Para uma discussão completa sobre essa passagem, leia "Perfeitos em Cristo" aqui
[3] Veja Raymond Cottrell, "The Judgment of the Living" (Review and Herald, 08/08/1963), p. 13.
[4] Frank Holbrook, The Atoning Priesthood of Jesus Christ (Berrien Springs, MI: 1996), 190-191.
[5] Ibid., 191.
[6] Clique aqui para ler o capítulo todo online http://www.ellenwhitebooks.com/?l=1&p=479.
[7] É importante ressaltar que a idéia de livros de registro é simbólica, haja vista que Deus não precisa desses para "lembrar" dos feitos e nem os está lendo um por um, pois Ele já conhece os Seus. Lembre-se também que Deus não tem limitação de tempo: o juízo de todos os vivos pode ocorrer em apenas um milésimo de segundo antes do fim da graça.
[8] O pecado contra o Espírito Santo (Mat. 12:31-32) não deve ser considerado como um ponto específico na vida do ser humano, como uma espécie de fechamento da porta da graça particular mas sim como um processo. Esse processo de rejeição do Espírito Santo culminará ou na morte do indivíduo, momento em que seu destino eterno estará selado ou no momento do fechamento da porta da graça imediatamente antes da vinda de Cristo.
[9] Veja também essa outra citação que parece apoiar a idéia do juízo dos vivos ocorrendo antes do juízo dos mortos: "O tempo da graça para as almas está se acabando. A cada dia, o destino dos homens está sendo selado, e mesmo aqui nesta congregação não sabemos quando muitos fecharão seus olhos na morte e serão vestidos com a mortalha da sepultura." (RH 22/03/1892.) Evidentemente, este selamento é o da morte, não o do juízo pré-Advento.
[10] Quando Paulo diz que estamos "predestinados" para a salvação (Rom. 8:29, 30), ele quer dizer que Deus tomou todas as providências para que os seres humanos fossem salvos e tendo em vista toda essa obra salvífica, seria quase inconcebível que seres humanos rejeitassem a salvação, embora muitos a rejeitem.
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Para Reflexão: Há Um Rio Cristalino

Posto aqui um vídeo "inspirational" que postei no www.AdoracaoAdventista.com.

Esse é um arranjo do hino "Há Um Rio Cristalino" que une algumas idéias pianísticas que tenho há muito tempo à improvisação.

O vídeo pode ser baixado do YouTube para uso no culto.

Inscreva-se à nosso canal do YouTube para visualizar todos os nossos vídeos.

Enjoye um Feliz Sábado!


(Para ver em alta definição, clique em 360p e aumente para 480p: Necessita conexão banda-larga.)









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Lançamento do Site Adoração Adventista



O site www.AdoracaoAdventista.com é um projeto meu e de outros amigos virtuais. Iniciamos nossas atividades no dia 1 de Janeiro de 2010. Nosso objetivo é fazer deste um fórum para discussão de aspectos da adoração adventista tais como liturgia, estilo(s) de música sacra, o uso de instrumentos na adoração entre outros. Abaixo nossos escritores revelam a visão que trazem ao site:
André Reis, editor. Creio que a adoração adventista passa por um período de incertezas, questionamentos e ao mesmo tempo, de grandes possibilidades. A proposta deste fórum é descobrir juntos através do estudo da Bíblia e dos Testemunhos qual a melhor maneira de crescermos como igreja e como adoradores, tornando assim a adoração adventista relevante para adoradores contemporâneos e ao mesmo, permanecendo fiéis ao nosso chamado como cristãos adventistas.

Pr. Isaac Meira. Os adventistas têm como missão restaurar a verdadeira adoração. Não apenas no dia correto, mas da forma correta. "Temei a Deus e dai-lhe glória pois é chegada a hora do seu juízo" faz parte de nossa mensagem. Mas a mensagem completa envolve o "Adorai aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas". Adorar é um estilo de vida, influencia todos os aspectos da vida de quem se diz cristão. Deve ser o respirar do adventista.

Joêzer Mendonça. É inegável a existência de um cabo-de-guerra litúrgico-musical que força interpretações ou para o lado das novas sonoridades ou para o lado dos estilos tradicionais. O estudo teológico e a pesquisa musicológica podem auxiliar na diferenciação entre verdades e mitos que tem permeado o debate sobre música sacra.

Vanessa Meira. O grande conflito cósmico entre o bem e o mal gira em torno da adoração. No centro do conflito está o ser humano, que define quem será o vencedor (pelo menos em sua mente). Nós adventistas do sétimo dia fomos chamados para "edificar as ruínas antigas" e "levantar os fundamentos de muitas gerações", como "reparadores de brechas" e "restauradores de veredas" (Is. 58:12). A adoração ao único Deus verdadeiro deve ser restaurada, e os adventistas devem ser cabeça, e não cauda nesse assunto.

*  *  *

Para participar, clique aqui www.AdoracaoAdventista.com.
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Feliz Ano Novo!



Feliz 2010 aos estimados leitores!



Aqui vai uma mensagem de fim de ano e ano novo de minha escritora preferida, Ellen White:
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Vitoriosos, Afinal!


Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará; todavia, o Meu justo viverá pela fé, e: Se retroceder, nele não se compraz a Minha alma. Heb. 10:37 e 38.

Companheiro peregrino, nós estamos ainda em meio às sombras e tumultos das atividades terrenas; mas logo nosso Salvador deverá aparecer para nos dar livramento e repouso. 


Olhemos pela fé ao bendito futuro, tal como a mão de Deus o pinta. Aquele que morreu pelos pecados do mundo está franqueando as portas do Paraíso a todo que nEle crê. Logo a batalha estará finda, e a vitória ganha. Breve veremos Aquele em quem se têm centralizado nossas esperanças de vida eterna. Em Sua presença, as provas e sofrimentos desta vida parecerão como se nada fora. "Não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas." Isa. 65:17. "Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará." Heb. 10:35-37.

Olhai para cima, olhai para cima, e permiti que vossa fé cresça continuamente. Permiti que esta fé vos guie pelo caminho estreito que leva através das portas da cidade para o grande além, o vasto e ilimitado futuro de glória que há para os remidos. "Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima." Tia. 5:7 e 8.

As nações dos salvos não conhecerão outra lei que não a do Céu. Serão todos uma família unida e feliz, vestidos com vestes de louvor e gratidão. Sobrepujando a cena, cantarão as estrelas da manhã juntamente, e os filhos de Deus jubilarão, enquanto Deus e Cristo Se unirão em proclamar: "Não haverá mais pecado, nem mais haverá morte." (Meditação Matinal "E Recebereis Poder"  376)
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É Possível Saber Quando Jesus Nasceu?


Na época do Natal sempre surge a pergunta: Em que mês do ano Jesus nasceu de fato?

A Bíblia nos fornece alguns detalhes que possibilitam uma aproximação da estação do ano em que Jesus nasceu. Nosso estudo vai se basear em Lucas 1, 2 e 1 Crônicas 24.

Esse estudo não pretende descartar as tradicionais celebrações de Natal no mundo cristão como "pagãs" ou "inválidas" porque supostamente não se baseiam na Bíblia. O autor ainda considera o Natal cristão em dezembro como a melhor época para se celebrar o nascimento de Cristo.

Lucas 1:5 diz que

"Houve nos dias do Rei Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias; e sua mulher era descendente de Arão, e chamava-se Isabel."

Zacarias era o pai de João Batista, que nasceu 6 meses antes de Jesus.

1 Crônicas 24 revela que os sacerdotes levitas foram organizados em 24 turmas para servirem no Templo e que Abias era da oitava turma (1 Crô. 24:10). Zacarias era da turma de Abias, ou seja, da oitava.

Cada turma servia 2 vezes por ano, cobrindo assim 48 semanas do ano judaico. Nas 3 semanas restantes celebravam-se festas em que todos os sacerdotes serviam juntamente: Páscoa, Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos.

Segundo o Talmude, o primeiro ciclo de sacerdotes como iniciava-se em Nisan 1 que no ano 5 A.C. corresponde a 8 de abril do nosso calendário. Começando a contagem desse dia, Zacarias serviria na oitava semana. Sendo assim o cronograma das turmas seria o seguinte:

8-15 de abril = 1a turma

15-22 de abril = 2a turma

22-29 de abril = Todas as turmas (Festa da Páscoa e Pães Asmos)

29 de abril - 6 de maio = 3a  turma

6-13 de maio = 4a turma

13-20 de maio = 5a turma

20-27 de maio = 6a turma

27 de maio - 4 de junho = 7a turma

>> 4-11 de junho = 8a turma = Zacarias

>> 11-18 junho = Pentecostes = Todas as turmas


Sobre Zacarias, Lucas diz que "terminados os dias do seu ministério, voltou para casa" (Luc. 1:23), o que teria sido após o diz 18 de junho. Lucas 1:24 também revela que "depois desses dias Isabel, sua mulher concebeu". Algumas versões trazem "logo após esses dias" o que colocaria o início da gravidez de Isabel nas duas próximas semanas, entre 18 de junho e 1 de julho.

Lucas também revela que quando Isabel estava grávida de seis meses (Lucas 1:26, 36), Maria concebeu a Jesus pelo Espírito Santo. Calculando do período de duas semanas entre 18 junho a 1 julho, o sexto mês de Isabel seria entre meados a fins de dezembro.

Jesus  teria sido concebido pelo Espírito Santo entre meados e fim de dezembro do ano 5 A.C. Isso colocaria o seu nascimento entre o fim de setembro e início de outubro do ano 4 A.C.. (dias 15-22 do mês Tishri).

O mês de Tishri era quando ocorria a Festa dos Tabernáculos, que envolvia todo o povo judaico, segundo Josefo, aproximamente dois milhões de Judeus. O censo e taxação dos judeus (Lucas 2:5) poderia ter ocorrido durante essa festa pois era justamente depois da colheita e o fim do ano civil, segundo os costumes judaicos da época. A festa juntamente com o censo também explicaria a falta de lugar nas pousadas de Belém, que era, segundo o Talmude, uma das cidades satélites de Jerusalém que comportava os adoradores.

Outras evidências textuais apóiam essa datação:

1. João usa a linguagem da Festa dos Tabernáculos para se referir a Jesus que "se fez carne e habitou (literamente "fez tabernáculo") entre nós" (João 1:14). João está se referindo a Isaías 7:14: "Será chamado Emanuel, Deus Conosco." A palavra grega para habitar aí é skene = habitar, fazer tabernáculo, e parece ter-se originado da palavra hebraica shachan= residir, de onde temos Shekinah, que era a presença de Deus no Tabernáculo.

2. João também usa a linguagem da Festa da Dedicação ou das Luzes (Hanukkah) que começava no dia 25 do mês judaico de Chislev, correspondente ao nosso dezembro, para se referir à encarnação de Jesus: "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens" (João 1:4-5, 8-9). Em João 10 onde essa Festa das Luzes é descrita, Jesus novamente se refere a sua encarnação, v. 36 "aquele a quem o Pai ... enviou ao mundo".

3. Jesus foi batizado com cerca de 30 anos (Luc. 3:23) e foi crucificado "no meio da semana" (Dan. 9:27) ou seja três anos e meio depois de sua "unção = batismo". Isso colocaria sua morte justamente na páscoa do ano 31 A.D. segundo Marcos 14:12, 15-25.

4. O anúncio das "novas de grande alegria para todo o povo" (Luc. 2:10) pelo anjo parece emprestar termos da Festa dos Tabernáculos, que deveria ser celebrada "com alegria" (Lev. 23:4). Essa festa também é a única em que todo o mundo é convidado a participar (Zac. 14:16-19).

Portanto, a época do ano em que Jesus nasceu é entre fim de setembro e início de outubro do ano 4 A.C..

Poderia-se, no entanto, objetar a essa datação dizendo que não é possível determinar com precisão quando Isabel teria engravidado. Ela poderia ter concebido mais tarde pois Zacarias só voltou ao serviço do Santuário para a Festa dos Tabernáculos, entre setembro e outubro. Nesse caso, o nascimento de Jesus poderia ser de 4 a 8 semanas depois da Festa dos Tabernáculos, colocando-o assim ainda mais perto do Natal cristão. Zacarias poderia estar também em seu segundo ciclo de serviço Templo o que seria em dezembro do ano 5A.C quando o anjo teria aparecido, o que colocaria a gravidez de Isabel de 8-10 semanas depois da Festa dos Tabernáculos.

No entanto um detalhe adicional nos permite manter a Festa dos Tabernáculos para a época do nascimento de Jesus: os pastores só guardavam as ovelhas à noite da Páscoa (meados de abril) até o início das chuvas (início do mês de outubro). Se João tivesse sido concebido em agosto ou setembro, isso colocaria o nascimento de Jesus no meio do inverno, época em que os pastores não poderiam estar nos campos à noite.

Por isso, é mais plausível colocar a gravidez de Isabel logo após "esses dias", ou seja, do ministério de Zacarias no Santuário que se encerraram dia 18 de junho do ano 5A.C.. Isso corrobora as outras evidências que vimos acima.

Aí surge a pergunta: Se Jesus não nasceu em dezembro, deveríamos parar de celebrar o Natal neste mês?

Não necessariamente pois tecnicamente falando, não é totalmente fora da realidade celebrar a encarnação em dezembro, pois Jesus teria sido concebido neste mês, durante a Festa das Luzes. Sendo assim, poderíamos expandir nossa celebração do Natal cristão incluindo a concepção de Jesus em dezembro que culminou no Seu nascimento 9 meses depois. Assim estaremos celebrando todo o evento da encarnação em dezembro!

Isso também não quer dizer que seria preferível celebrar uma festa hebraica como o Hanukkah ou uma versão moderna da Festa dos Tabernáculos em lugar do Natal. As festas são citadas aqui meramente para nos situarmos em termos de período no ano, não como uma defesa da celebração dessas festas em si. Essas festas eram "sombras" que apontavam àquele que celebramos hoje, Jesus.

Mas a maior razão a meu ver, e que também tem o apoio de Ellen White, para se celebrar o Natal em dezembro é  o fato de que as celebrações do nascimento de Jesus em dezembro são tão enraizadas em todo o mundo cristão que seria imprudentetentar celebrar o Natal em outra data ou mesmo não celebrá-lo. Além de desperdiçarmos uma oportunidade evangelística, estaríamos colocando impecilhos em nosso testemunho, especialmente para as crianças em nosso meio. (Veja o capítulo "O Natal" no livro "O Lar Adventista").

Malaquias compara o nascimento do Messias ao nascimento do Sol (Mal. 4:2) e Jesus mesmo disse ser "a luz do mundo" (João 8:12). Isso deveria expandir a temática das luzes que vemos nas celebrações do Natal. Embora não haja consenso sobre ter ou não árvores de Natal e outros enfeites na Igreja nesta época, sem dúvida todos podemos concordar que "luz" é um lindo símbolo de Jesus e encher nossas igrejas de luzes neste período seria bastante apropriado.

Neste período em que as pessoas estão mais abertas às coisas espirituais, façamos de nossas igrejas símbolos iluminados de Jesus, a Luz do Mundo!

Um abraço,
André Reis
www.AdventismoRelevante.com





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Resposta a Leitor do Blog Sobre Artigo da Percussão


Amigos leitores, abaixo está minha refutação a um leitor do blog sobre meu email ao Dr. Ozéas Moura publicado aqui. Agradeço sempre as contribuições que aprofundam as discussões:


1. Colaboração na edição e confecção do artigo. Tenho certa dificuldade em aceitar que o artigo tenha tido a colaboração de profissionais da área de música e teologia.


 Leitor do Blog: Não faria sentido uma consulta como a sugerida por você, visto que o assunto está polarizado entre os que apoiam e os que são contra tambores (ou bateria) na igreja. Caso fosse consultado, você responderia de maneira diferente daquilo que expõe em seus artigos?

André Reis: Sobre a consulta a outros músicos e teólogos da Igreja, creio que a menos que possamos apresentar numa publicação oficial da Igreja uma posição que represente a realidade espiritual e teológica da igreja como um todo, é preferível não publicá-lo e correr o risco de fomentar o extremo da questão.

Caso eu houvesse sido consultado pessoalmente, eu teria apresentado os mesmos argumentos que apresentei em minhas matérias, que tem sido elogiadas como equilibradas por pastores e líderes do Brasil. Isso porque eu procuro nunca dizer "É assim" mas sempre digo, "é possível" "provável" "não seria o caso?" etc; pessoalmente creio que sou moderado em minhas opiniões.


Eu nunca diria em nenhum artigo que a Bíblia "proíbe" a percussão na música sacra porque essa seria uma posição extrema, além de não ter respaldo bíblico.

 

2. O uso de fontes no artigo. Um artigo potencialmente controverso como esse deveria ter apresentado uma vasta busca de fontes sobre o assunto e que, consequentemente, poderia ter norteado as conclusões de forma drasticamente diferente do que o foram. Essas fontes também poderiam representar os "irmãos experientes" que EGW recomenda acima. No entanto, o que vemos são 5 citações, 4 de um só autor/livro!


Leitor do Blog: Artigos acadêmicos, com muitas citações bibliográficas, não são possíveis em um veículo de comunicação como a Revista Adventista. O fato de ter-se citado Bacchiocci não significa o artigo se baseia nele somente. O artigo foi baseado na Bíblia e do Espírito de Profecia. 
 
André Reis: O artigo reflete do início ao fim a opinião de Bacchiocchi portanto,  o autor escolheu apresentar somente a opinião de uma pessoa numa publicação oficial da IASD e esse o problema que eu e com certeza outros também estão tendo. Bacchiocchi cometeu muitas gafes teológicas no seu livro e foi repudiado pela liderança aqui nos EUA inclusive através da publicação de uma refutação oficial pela Review and Herald como eu já havia dito. Ele era um bom historiador na questão do sábado, mas sua teologia sistemática deixava muito a desejar.


Em que partes da Bíblia e do Espírito de Profecia o artigo foi baseado? Já demonstramos que a Bíblia não proíbe a percussão. Muito menos o faz EGW.

Seria seguro dizer que o irmão Moura meramente "sapecou" um artigo sobre a percussão na música sacra, juntou umas 4 passagens de Bacchiocchi que apóiam suas conclusões, juntou várias citações de EGW que aparentemente apóiam sua tese de "proibição da percussão" e mandou publicar a nível nacional? Será isso o que nossa igreja merece?

Será que o irmão Moura pesou com oração as consequências de tal ação? Pensou na possibilidade de que muitos anciãos, diáconos e pastores e outros membros incautos usariam esse artigo "oficial" para oprimir e criticar músicos e cantores em nossas igrejas, barrando solistas que tem "Playbacks" com bateria, mandando pessoas descerem do púlpito, mandando disciplinar músicos que insistem na bateria, cortando músicos de corais, jovens rebeldes por indisciplina? Será que o irmão Moura considerou as críticas à própria IASD que usa a bateria em praticamente todas as suas produções, fomentando assim o espírito acusador naqueles que não gostam da bateria?  


Veja, o primeiro artigo que eu escrevi para a RA em 1994 tinha uma longa lista de citações portanto não creio que espaço ou propriedade dessas na RA seja um problema. Nossa Igreja merece mais do que isso. Os artigos do Pr. Timm por exemplo, também são notórios pelas infindáveis referências que dão peso à pesquisa. Duvido que seus artigos seriam considerados "impróprios" para a RA pela profundidade e abundância de referências.


 A menos que leiamos amplamente TODOS os lados de uma questão com isenção (sem paixão contra ou a favor da bateria) é difícil ou quase impossível apresentar conclusões equilibradas. Com certeza a tese de ThD do Dr. Moura tem dezenas de páginas de bibliografia. Será que nossos irmãos merecem menos do que essa curiosidade intelectual?


3. O uso da Bíblia no artigo. Admira o fato de que nós adventistas temos um certo "orgulho santo" pela exegese que fazemos da Bíblia em questões doutrinárias, enquanto mostramos uma aplicação seletiva desses princípios quando o assunto é música sacra.


Leitor do Blog: Adventistas procuram seguir a boa regra de ver o texto em seu contexto mediato e imediato. Mas garanto-lhe uma coisa: se o teor do artigo estivesse de acordo com suas ideias, você diria que eu teria feito uma boa exegese. Não é verdade?




André Reis: Por outro lado, poderíamos concluir que o irmão Moura considera sua exegese boa porque está de acordo com suas idéias pessoais, não é verdade?

 Veja, quando estudei hermenêutica no SALT, aprendi várias regras interessantes e uma delas é se ater estritamente ao que o texto está dizendo e fazer "exegese" em vez de "eisegese", adicionar palavras ao texto. Outra regra é buscar o ensino da Bíblia sobre o assunto em sua totalidade, que é quando descobrimos que a Bíblia não se contradiz, apesar de a revelação da verdade ser progressiva. Ela não pode dizer "Louvai a Deus com o Tamborim" e em outro lugar dizer "Tamborins são proibidos no louvor a Deus".

Então partimos de textos claros para textos "obscuros"; e.g., começamos com o Salmo 68, 81, 149 e 150 e então estudamos a música do Templo. Constatamos que embora o tamborim fosse tocado regulamente no louvor a Deus pelo povo e não fosse tocado diariamente na música do Templo, ele era sim tocado em festividades acompanhando a festa das trombetas (Salmo 81) e na Festa dos Tabernáculos que ocorria no Templo. Isso também é confirmado por fontes históricas e por EGW.

O que nos levaria a concluir que a percussão é claramente permitida no louvor a Deus mas só era usada no Santuário  propriamente dito em festividades espirituais, talvez pelo tipo de adoração que os sacrifícios diários de animais requeriam, uma música um pouco mais "introspectiva" com harpas etc.

Outrossim, se a música sacra ocorria fora do Templo também, como é o caso, então não há como limitarmos música e instruments sacros somente àqueles que acompanhavam o ritual do Santuário. Aí, lendo o NT vemos que o ritual sombrio de sacrifícios de animais do Santuário (meras sombras) foi abolido e hoje podemos nos achegar "com confiança ao trono da graça" com um louvor exultante e vibrante, com todos os instrumentos que auxiliem nessa celebração do sacrifício de Jesus.

Segundo meus estudos de teologia, a breve exegese acima não viola nenhum princípio de hermenêutica.

No que tange a meus gostos pessoais, meus estudos de mestrado focalizaram música sacra erudita; participei de concertos clássicos sacros inclusive no Carnegie Hall. A grande parte da minha vida como adventista foi defendendo o tradicionalismo musical e músicas tradicionais ainda são minha preferência. Se quiser ter realmente uma idéia do tipo de música que me toca mais, pode dar uma olhadinha nesse vídeo.

 http://www.youtube.com/watch?v=3VYZKjG_Des (Conheço o compositor, ele regeu meu coral no Carnegie Hall em 2005)

 Tenho centenas de músicas como essa e que escuto frequentemente.

Mas recentemente participei como líder de louvor onde a bateria e outros instrumentos "não sacros" como o contrabaixo estavam presentes e sinto que eles auxiliam grandemente no alcance do louvor vibrante e exultante que Davi preferia; veja o Salmo 98. O culto deve ser uma celebração! Sempre tendo em vista os princípios de racionalidade obviamente.

Porém, meus estudos de uma ampla gama de estudiosos e argumentações, inclusive de Bacchiocchi, me levam a repudiar argumentos que querem impedir o uso da percussão na música sacra e por uma simples razão: não temos base bíblica para tanto.

Podemos usar de outros argumentos como respeito às sensibilidades de diversos irmãos na Igreja (embora a consciência de uns não devem ser controladas por outros, segundo o Paulo), preparo dos músicos, tamanho da igreja etc. Mas não tentemos forçar à Bíblia algo que não está ali. Se a Bíblia tem uma posição sobre a percussão é a PERMISSÃO e não proibição. Como exegeta isento, fica difícil concluir diferente.

Por isso meu problema com o artigo e com as abordagens similares que se vêem por aí é justamente esse, o uso da Bíblia como compêndio musical quando ela não tem essa preocupação. Isso leva ao que Bacchiocchi fez, 'eisegese' e não 'exegese'.




a. Reforma Musical. Um exemplo dessa exegese seletiva é a sua conclusão (segundo Bacchiocchi) de que a música estabelecida no Templo reflete uma "reforma musical" por parte de Davi que excluiu tambores. Mas isso é alheio ao texto. 


Aqui você se apega a uma picuinha linguística, como essa de objetar quanto ao uso da palavra “reforma”. Se você não fosse preconceituoso com respeito ao assunto teria percebido que empreguei o termo com a ideia de “normatização”, “nova orientação”, “estabelecimento de parâmetros”, “estabelecimento de diretrizes”.

 André Reis: Se o irmão leu meus textos verá que não sou preconceituoso, pelo contrário, tenho sido elogiado por conservadores e liberais como "moderado", graças a Deus!

Minha "picuinha" não é linguística e sim teológica: não importa que termos usemos, não existe o conceito de "reforma, normatização" "nova orientação" ou coisa que o valha na música do povo de Israel. A Bíblia simplesmente diz que no Templo se tocavam certos instrumentos. Partir disso para uma "proibição" a outros instrumentos ou querer limitar a música sacra do Templo como sendo TODA a música sacra que o povo realizava a Yahweh trata-se de esticar violentamente o texto, o que acaba criando contradições na Bíblia.

O Templo também não serve de modelo para a Igreja pois quase tudo o que acontecia ali foi abolido na cruz e não pode nem deve ocorrer na Igreja hoje. Por que escolhemos só umas coisas e deixamos de fora outras? Com que base? Quem decide o que é modelo e o que não é? Se eu não gosto de tambores, outros querem dividir a Igreja entre lugar Santo e Santíssimo... (isso já ocorre por aí...)

Por outro lado, se houve uma coisa na música do Templo foi "desenvolvimento" pela inclusão de outros instrumentos como a flauta, tamborim e a dança e inclusive mulheres cantoras. Certamente evidências bíblicas e históricas no Segundo Templo lançam por terra o conceito de "reforma". 



b. Associação como o paganismo. Ainda mais problemática é a declaração de que "Eles foram proibidos no templo, mas admitidos fora dele em festividades e encontros sociais" e que "a proibição de instrumentos de percussão surgiu na cabeça do próprio Deus."

 
O argumento da "proibição" dos tambores por associação com a música pagã, além de ser alheio à Bíblia, ignora que os mesmos instrumentos "mandados por Deus" no Templo tinham também associações negativas:



Leitor do Blog: : Quanto à sua “comprovação histórica” sobre tamborins e danças no Segundo Templo veja o comentário a seguir:

“O Mishnah revela inclusive que havia dança no Segundo Templo, o que, historicamente, pressupõe o uso de tamborins: ‘Homens piedosos e de boas obras dançavam... com tochas nas mãos, cantando canções e louvores. Inúmeros levitas tocavam harpas, liras, címbalos e outros instrumentos musicais...’ nas cortes do Templo. Descrevendo a mesma cena, o Talmude (c. 500AD) menciona "inúmeráveis instrumentos musicais" (citado em seu artigo Tamborins em 1 Crônicas 13-15, p. 5).


André Reis:  O irmão não citou essa passagem do meu artigo:

"Já no Segundo Templo estabelecido após o exílio babilônico, o tamborim faz parte dos instrumentos usados regularmente no serviço do Templo, conforme revela Liliane Doukhan, Ph.D., professora de música na Andrews University: "Documentos que descrevem o serviço do Segundo Templo mencionam também a flauta e o tamborim entre os instrumentos usados."[1] O documento judaico Mishnah (c. 200AD) confirma que os sacerdotes faziam instrumentos musicais com os animais sacrificados, inclusive tamborins: "...os ossos das pernas tornam-se flautas, o couro em tamborim, suas entranhas, liras".[2] Sobre a flauta, lemos que "nunca menos do que duas flautas e nunca mais do que doze" deveriam ser tocadas no Segundo Templo; "Doze dias durante o ano a flauta era tocada diante do altar."[3] Lembre-se que a flauta não era parte dos "instrumentos de Davi" do Primeiro Templo. (Fonte "Tambores e Os Instrumentos "do Senhor" p. 5.) ([1] Liliane Doukhan. Music in the Bible. (Shabat Shalom, Outono de 2002); p. 24. [2] Mishnah; Kinnim 1:1. [3] Mishnah; Arakhin 2:3.


Leitor do Blog: Problemas com sua argumentação: 1) A dança era do povo, celebrando a festa dos Tabernáculos e não dos músicos levitas


André Reis: Veja o que EGW diz sobre a Festa dos Tabernáculos citada no meu texto e no Mishnah (Sukkah = Tabernáculos):

"Ao falar estas palavras, estava Jesus no pátio do templo... À noitinha, quando se acendiam as lâmpadas, o pátio apresentava uma cena de grande regozijo... Homens de cabelos brancos, os sacerdotes do templo e os príncipes do povo, uniam-se em festivas danças ao som dos instrumentos e dos cantos dos levitas. (DTN 463)

A dança pelos sacerdotes e pelo povo aqui ocorre dentro do Templo no ano de 30A.D. aproximadamente, portanto o argumento da "reforma" da prática do Templo mais uma vez cai por terra. E também não há como argumentar que os levitas pudessem estimular a dança dos sacerdotes e do povo enquanto eles mesmos fossem proibidos de fazê-lo ou que isso fosse ofensivo a Deus. 


2) Só se poderia dançar ao som de tamborins? Mas, se era dança do povo, não haveria problema que eles estivessem presentes, pois eram aceitos nas festividades populares.

André Reis: Ao dialogar com a Dra. Doukhan, Musicóloga na Andrews sobre o uso do tamborim no Segundo Templo ela confirmou que a dança judaica sempre era acompanhada pelo "toph", o tamborim. Davi confirma isso ao dizer "Louvai com o tamborim e com a dança" (Salmo 150)

Aqui entra então o fato de que os levitas músicos tocavam o toph, que eles mesmos haviam construído a partir do couro dos animais sacrificados (veja Mishnah), juntamente com o povo DENTRO do Templo na festa dos Tabernáculos.

E como o irmão pode relegar a Festa dos Tabernáculos a uma mera "festividade popular"?
A Festa fora instituída pelo próprio Deus em Levítico 23:33-43: "Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias."

Sobre essas "festividade populares" segundo Moura, EGW diz:
 Três vezes por ano era exigido dos judeus reunirem-se em Jerusalém para fins religiosos. Envolto na coluna de nuvem, o invisível Guia de Israel dera instruções quanto a esses cultos." (DTN 447)

Ora, se ela mesma confirma que a dança com tamborins nesses cultos ocorriam dentro do Templo, então novamente cai por terra o argumento da proibição do tamborim no Templo bem como a distinção de música sacra dentro e secular fora do Templo.



3) Quais instrumentos os levitas tocavam? Os recomendados por Davi. (Essa sua citação contraria toda a sua argumentação sobre levitas tocando tambores no segundo templo).


André Reis: Que bom que o irmão aceita que os instrumentos foram meramente "recomendados" por Davi. Não esqueça que os levitas também ajudaram a escolher: "E Davi ordenou aos chefes dos levitas que designassem alguns de seus irmãos como cantores, para tocarem com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e címbalos, e levantarem a voz com alegria." (1 Crô. 15:16)

Mas novamente, a dança judaica SEMPRE era acompanhada pelo toph=tamborim. Veja as citações do Mishnah citadas acima. Qualquer enciclopédia bíblica pode confirmar isso. Essa também é uma das provas de que os tamborins fizeram parte do segundo transporte da arca pois se Davi dançou, foi ao som do toph. Pelo menos o artigo não se valeu dessa suposta proibição no segundo transporte.



4) As frases “Outros instrumentos musicais” e “Inumeráveis instrumentos musicais” implicam, necessariamente, em tamborins? (Você que tanto fala em não se usar o “argumento do silêncio”, está fazendo exatamente isso!!!).


André Reis: Vide número 3 acima.

Leitor do Blog: Você diz que “não se tem uma progressão clara e inegável na Bíblia sobre o uso da percussão”. Mas o fato de tamborins serem mencionados na música sacra antes da normatização (para usar uma palavra do seu gosto) feita por Davi e depois não mais seem mencionados nas duas normatizações ou diretrizes seguintes (a feita por Ezequias e pelos que retornaram do cativeiro) não aponta para uma progressão quanto ao entendimento do que se deveria usar ou não usar? Você não acha que é muita coincidência a não menção de tamborins nas três diretrizes?


André Reis: Coincidência a falta de tambores no primeiro Templo? Não. Proibição? Também não.

O irmão está novamente usando o argumento do silêncio: não pode ser coincidência a ausência (silêncio) dos tamborins por isso, eles foram proibidos.
 

Por outro lado, poderíamos questionar também a "coincidência" de que Deus não deu instruções a Moisés sobre a música do Tabernáculo e, segundo seu raciocínio "ausência = proibição", deveríamos proibir toda a MÚSICA na Igreja hoje.

Seria também "coincidência" que em nenhum momento na revelação vemos o próprio Deus dando a "ordem, ou mandado" para que esses instrumentos fossem usados no Templo de Salomão?  Pelo contrário, a inclusão de música no serviço do Santuário era em si uma saída das instruções de Deus a Moisés. Deus não instruiu a Moisés a estabelecer um sacerdócio musical. Se Deus tivesse considerado necessária a inclusão de música no ritual do Santuário, teria dado essas instruções claras já no início.


Seria também pura coincidência que não lemos essa ordem de Deus justamente quando Davi mandou os levitas escolherem os músicos do Templo, em 1 Crônicas 15:16? Se houvesse sido uma revelação direta, ativa e imprescindível de Deus, não somente ele teria incluído música já nas instruções sobre o Tabernáculo mas com certeza os autores de Samuel e Crônicas teriam colocado essa ordem onde ela se aplicava: no momento da escolha dos músicos no Templo em 1 Crô. 15. Mas não é o que vemos. Em 1 Crônicas 15 vemos Davi simplesmente mandando os levitas escolherem músicos e instrumentos. Ele até delega a tarefa aos levitas.

Não quero com isso dizer que Deus não esteve envolvido no processo mas creio que a interpretação desse "mandado" de 2 Crônicas 29 através dos profetas deve entrar na categoria dos "passivos divinos" que encontramos em toda a Bíbia, i.e., Deus não mandou ativamente (Deus não instruiu sobre música no tabernáculo e também não há um verso que mostra Deus falando sobre os instrumentos) mas Ele apenas aprovou o uso desses instrumentos que para os leitores pós-exílio, teria sido um mandado direto através do profeta Natã. O fato de que Deus aprovava e se alegrava com outros instrumentos inclusive o tamborim na adoração (Salmo 149:3) é prova de que essa "ordem" se trata de uma escolha de Davi, dos levitas, de Natã, com o aval de Deus para uso no primeiro Templo e que não excluía outros instrumentos da música sacra hebraica.

Antes de questionar essa abordagem, sugiro que o irmão pesquise o conceito de "passivo divino" na mente hebraica: Deus é visto como AUTOR de algo que ele apenas PERMITE. (Exemplo: o espírito maligno que atormentava a Saul "da parte de Deus"; o demônio de Apo. 9 que recebe autoridade de Deus.)


Leitor: Se estivessem ausentes (tambores) em uma apenas, o argumento seria válido, mas em todas as três? Mas, por falar em “argumento do silêncio”, quem o usa é você, só que com mais um designativo, a imaginação. Você usa o “argumento do silêncio-imaginação”, ou seja, apesar do silêncio sobre tambores na música do templo após as diretrizes de Davi, de Ezequias e dos retornados do exílio, você imagina que eles fossem ali usados. Para eu saber quais instrumentos eram usados na música do templo não preciso nem do silêncio nem da imaginação: essas três diretrizes mencionadas os explicitam claramente.


André Reis: Não é eu que "imagino", é o que a Bíblia e a história da prática do Segundo Templo comprovam. O Salmo 81 por exemplo, dedicado ao Canto-Mor do Templo manda 'soar o tamborim' na festa das trombetas, que ocorria no Templo. O Salmo 68 mostra o tamborim e a dança em conexão com a música dos Levitas no Templo.

Também houve um desenvolvimento na música do templo e outros instrumentos foram adicionados como a flauta e o tamborim:

"Sobre a flauta, lemos que "nunca menos do que duas flautas e nunca mais do que doze" deveriam ser tocadas no Segundo Templo; "Doze dias durante o ano a flauta era tocada diante do altar." (Mishnah; Arakhin 2:3.) Lembre-se que a flauta não era parte dos "instrumentos de Davi" do Primeiro Templo. (Fonte "Tambores e Os Instrumentos "do Senhor" p. 5.)

Basta então escolher a música de qual Templo reflete a vontade de Deus: a do Templo de Salomão - sem tambores; ou a do Segundo Templo, com tambores, dança e flautas que Jesus chamou de "minha casa de oração."


b. Associação como o paganismo.
Salmos 149 e 150: Esses salmos são conhecidos como “anônimos”. Mas partamos da hipótese de que são de Davi (a Sra. White parece dizer isso). Se são de Davi, devem ter sido escritos antes de sua reforma ou normatização da música.
 

 André Reis: O irmão continua a insistir numa "reforma musical" que não existe na Bíblia.

Não creio que a data dos Salmos seja relevante, pois nós os consideramos como inspirados e normativos. Ou será que vamos começar a escolher o que é inspirado e normativo e o que não é baseando-nos em datas? Seria Gênesis menos normativo do que o Apocalipse? Parece que o artigo tende a fazer isso.

E não é isso que os oponentes à lei de Deus fazem, relegam o mandamento do sábado a um período de "falta de luz" anterior à ressurreição?


Tambores e danças eram permitidos na música sacra antes dessa normatização, e ainda, a revelação da vontade de Deus é progressiva. Um exemplo é o fato de que o Cântico de Moisés foi entoado pelos israelitas recém saídos da escravidão do Egito com o acompanhamento de tambores e danças (Êx 15:20,21), mas que, na Nova Terra será acompanhado não mais por tambores e danças, mas pelas “harpas de Deus” (ver Ap 15:2, 3).



André Reis: Como EGW e as evidências históricas comprovam, a dança ao som de flautas e tamborins ocorria DENTRO do Templo na época de Jesus, séculos depois da suposta "reforma musical" proposta por Bacchiocchi e Moura.

 Outro detalhe que enfraquece sua tese sobre a progressão ou "reforma musical" é usar a Canção de Moisés. João no Apocalipse ao falar dela não está se referindo a Êxo. 15! Isso mesmo, não há sequer uma alusão a Êxo. 15 nessa passagem!

 A Canção de Moisés no Apocalipse é uma colagem de 8 ou 9 passagens do Velho Testamento, e nenhuma de Êxo. 15! Portanto não há aqui nenhuma "verdade progressiva" sobre o uso de tamborins ou não. O uso de João do Cântico de Moisés é simbólico de toda a libertação de Deus a Seu povo no Velho Testamento.  Cai por terra portanto o conceito de que João tenta "purificar" a celebração do Canto de Moisés com tamborins porque ele nem sequer menciona esse evento no Apocalipse!


Não podemos ler o Apocalipse como se João tivesse lido Bacchiocchi.

Por outro lado, se as harpas no Apocalipse são literais, então os salvos tocam sobre um Mar de "Vidro" literal? Cadê a consistência exegética?



Leitor: Se esses salmos são tomados como manuais para a música apresentada no templo, então os músicos deveriam, além de seus instrumentos, portarem “espada de dois gumes”. O que acha da sugestão?



André Reis: Os Salmos possuem princípios fundamentados culturamente mas que também transcendem essa cultura. Por exemplo, Israel guerreava em nome de Deus por isso a menção de espadas. Hoje nós não travamos guerras divinas com espadas per se: nossa espada hoje é a da palavra e o escudo, do espírito. Mas se fôssemos mandados por Deus para destruir os ímpios com a espada, o faríamos com o louvor de Deus nos lábios, concorda?

 Por outro lado, instrumentos de percussão não se encaixam nesses princípios culturais pois são comuns a todas as culturas em todos os tempos. Além de serem ontologicamente neutros, instrumentos musicais são atemporais.



Leitor: Outra possibilidade é ver nesses salmos o princípio de que “tudo deve louvar a Deus”, mas cada coisa no seu devido lugar. Ou seja, instrumentos permitidos na música sacra devem ser tocados para louvar a Deus; instrumentos usados para música secular, cívica, etc. (como tambores numa banda, em uma festa cívica, por exemplo) devem também ser tocados de modo a louvar a Deus, pois cristãos também são cidadãos e participam das festas cívicas de seu país. Tambores numa banda militar ou civil são perfeitamente cabíveis, mas não dentro da igreja, num culto a Deus. Outro fato é que flautas, harpas, alaúdes e trombetas não estão necessariamente vinculados à música popular ou pagã. São neutros em si. Tal, porém, não é o caso dos tambores.


André Reis: Essa argumentação não se sustenta novamente pelo fato de que não há na Bíblia distinção entre instrumentos sacros e instrumentos profanos.

 Veja novamente como todos os instrumentos do Templo que, na sua concepção é o único lugar onde ocorria a música sacra, eram profanos:

 - Prostitutas tocavam harpas: Isa. 23:16,
- Harpas e alaúdes são tocados em festas pagãs: Isa. 5:12
- Trombetas são usadas no culto pagão da Babilônia: Daniel 3
- Harpas representam simbolicamente a música da Babilônia mística: Apo. 18

Considerando esses versos, baseados em que parâmetros podemos considerar certos instrumentos neutros e outros não? Certamente não temos autoridade bíblica muitos menos musical para isso.

Se não podemos considerar os tamborins como literais e neutros, então as flautas e harpas também não são, pois estavam no culto da Babilônia e das prostitutas. Não dá pra escolher o que é o que não é. A culpa por associação corta dos dois lados.

Em nossos dias, segundo esse raciocínio o piano é um instrumento pagão pois é usado no jazz, bossa nova, rock, country, música clássica secular. Que parâmetro o faz aceitável na Igreja? Se é o  estilo em que se toca, então o mesmo se aplica à percussão?

Quando o irmão diz que a Bíblia faz distinção entre música sacra e música secular, essa distinção parece se basear somente em instrumentos musicais, que como vimos são intercambiáveis entre música sacra e secular na Bíblia. Essa distinção também não pode se basear em aspectos técnicos da música tais como performance, tonalidade, aspectos rítimicos, contorno melódicos, influência sobre o ouvinte etc., porque simplesmente não temos detalhes na Bíblia de como as duas soavam para criar criar a distinção.

Por outro lado, a distinção que podemos dizer ser "bíblica" entre música das harpas no Templo e a música das harpas das prostitutas é a sua temática: o louvor a Yahweh. Os mesmos tambores que eram usados no culto a Baal, Moloque são conclamados por Davi para o louvor a Deus. Isso é um fato insofismável. Eram tocados da mesma forma, com o mesmo objetivo? Possivelmente não, mas o que tornava seu uso sacro seu uso na música sacra a Yahweh.

Paulo apoia essa distinção temática da música sacra ao admoestar os cristãos a cantarem "cânticos espirituais". O termo canções ("hodais") se aplicava a todo tipo de canções na época e aqui Paulo prefere as que tinham tema espiritual.

 Será que isso permite qualquer estilo de música sacra? Não necessariamente, a música deve apoiar o culto racional e tudo o que atrapalhe esse processo deve ser descartado. Isso varia culturamente: a música erudita alemã é irrelevante para boa parte dos nossos irmãos do agreste, os africanos, os indianos etc; o samba seria irrelevante para Austríacos.



Leitor: Concordo com você que os textos bíblicos na frase de R. N. Champlin (nota 1) como foram citados podem dar a impressão de que todos se referem à música secular. Mas tal não é o caso. São citados para exemplificar “festividades e cortejos”. Mas discordo de que se refiram à música sacra os textos de Juízes 11:34 (dança com tamborins por parte da filha de Jefté – quem é louvado aqui é Jefté), 1 Samuel 18:6 (dança com tamborins das mulheres após a derrota dos filisteus – aqui quem é louvado não é Deus, mas Saul e Davi, especialmente este último) e de Gênesis 31:27 (reclamação de Labão de que gostaria de ter-se despedido de suas filhas e netos com danças e tamboris – essa celebração é do tipo festivo, social como fazemos ao nos despedirmos de alguém).



André Reis: Segundo seu raciocínio, poderia-se argumentar também que o cântico de Miriã, que segundo EGW era genuíno louvor a Deus (PP 288), era na verdade uma música secular que louvava os grandes feitos de Moisés ao retirar o povo do Egito. Parece que o artigo dá a entender isso e fica despropositada uma "errata".

As celebrações da filha de Jefté poderiam tranquilamente ser consideradas como música sacra, haja vista que foi Ele quem concedeu a vitória a Jefté. A música poderia não ser em contexto de "culto" propriamente dito, mas era sacra pois a temática eram os feitos de Deus:    Jz 11:32: "Assim Jefté foi ao encontro dos amonitas, a combater contra eles; e o Senhor lhos entregou na mão."



4. O uso de EGW no artigo. Além da escassez das fontes usadas no seu artigo, as citações de EGW não são pertinentes pois não apóiam necessariamente a sua tese de que a percussão seja incompatível com a adoração.  Praticamente um terço do artigo traz citações de EGW e logicamente, o texto de Indiana está ali como suposto apoio às conclusões do autor.

Porém, considere que tanto a citação da passagem de Indiana fora de seu contexto imediato quanto sua aplicação universal mostram uma implícita crença na inspiração verbal do Espírito de Profecia, ou seja, se ela escreveu, pouco importa o contexto em que foi dito, que importa é o fato de que no fim "haverá gritos com tambores".

Leitor: Se esse texto de Ellen White (que fala sobre tambores, danças e gritos em Indiana) apoiasse tambores no culto, os defensores de tais instrumentos não o questionariam. Mas como fala fortemente contra eles, então faz-se necessária uma “reinterpretação” do mesmo. E aí aparecem os surrados argumentos do tipo “não era condenação dos tambores e das danças, mas do fanatismo”, “tambores bem tocados são aceitáveis”, e outros similares.  


André Reis: Volto a reiterar que EGW em nenhuma linha de seus escritos condena o uso da percussão na música sacra. Nenhuma. Se houver, gostaria de ver a citação.
 Pelo contrário, ela diz que "não devemos nos opor ao uso de instrumentos". Como ela poderia dizer isso e ao mesmo tempo se opor "fortemente" ao uso da percussão?

Veja que na passagem ela se opõe "fortemente" ao uso da música também. Vamos parar de ter música na IASD? Por que não, se EGW coloca todos no mesmo "balaio"?

Temo que essa condenação por EGW não exista pois não é do feitio de EGW se colocar acima da própria Bíblia condenando a roldão algo que esta permite, desde que o objetivo seja o alcance do culto vibrante e racional (Salmo 98; Rom 12). Quem insiste na interpretação nua, crua e "verbal" do Espírito de Profecia fora de seu contexto e implicações acaba criando contradições, inconsistências e traz descrédito a EGW.

 A passagem de Indiana não condena o uso de percussão na música sacra, assim como ela não condena a "música". Ela condena esses elementos quando acompanhando o fanatismo, balbúrdia, espiritualismo e "tudo o que é estranho".

 O piano acompanhou coisas estranhas em 1908 na IASD, será que vamos parar de usá-lo? (Veja Mensagens Escolhidas 3: 369-374)

 Por isso a passagem de Indiana, assim como QUALQUER passagem de EGW, precisa ser entendida no seu contexto "no seu tempo e lugar" (Testimonies 6: 116)  segundo a própria EGW recomendou. "Haverá gritos com tambores, música e dança" se entendo no que tange à Carne Santa em 1900.

 Em outra parte ela diz que o fanatismo virá "de diferentes maneiras". Como o Sr. entende esse diferentes maneiras?

 Se não insistirmos nesses princípios, teremos os maiores abusos do Espírito de Profecia já vistos: veremos pessoas mandando arrancar as alianças, condenando a compra de bicicletas, uns defendendo o consumo de ovos enquanto outros condenam (ambos com o aval de EGW!) a reforma de saúde será um motivo de opressão e assim por diante... Esses são só uns poucos exemplos.

 Se o irmão leu meu artigo onde proponho a interpretação da passagem seguindo princípios interpretativos do Espírito de Profecia aceitos por estudiosos adventistas, verá que não é simplesmente uma questão de defender ou repetir argumentos surrados e sim de ser fiel às intenções de EGW. Até agora ninguém se propôs a refutar o que eu propus, nem mesmo o Centro White no Brasil, isso porque, ao contrário do que muitos pensam, o artigo respeita toda uma gama de princípios de interpretação de EGW.

 Mas quem sabe o irmão gostaria de refutar esses argumentos "surrados", o que terei o prazer de ler. Recomendo, porém, que primeiramente explique a profecia de EGW em Maio de 1856 onde ela diz que muitos em sua audiência "passariam pelas sete pragas, outros seriam transladados por ocasião da vinda de Cristo e outros se tornariam comida para vermes."

 Salvo equívoco, todos ali se tornaram "comida de vermes".


5. O uso da bateria por instituições Adventistas. A Revista Adventista como publicação oficial da IASD no Brasil tem mostrado recentemente estar em certa dissonância com a realidade musical da Igreja (Ex.: "Louvor Congregacional" Julho 09). A percussão e bateria têm sido usadas de maneira apropriadada por músicos adventistas, muitos deles grupos oficiais da IASD por décadas. Como poderia a Revista Adventista publicar um artigo que praticamente anatematiza toda a produção musical Adventista recente? Foram os líderes musicais da Igreja representados pelos Arautos do Rei, Novo Tempo e DSA consultados sobre sua publicação? Ou seria seu artigo uma tentativa de "reformar" a música baseada numa leitura tendenciosa da "reforma" de Davi?

Creio que esse uso da percussão tem sua base na Bíblia que convida todos os tipos de instrumentos ao louvor a Deus (Salmo 1491-150). Apesar de todo o aparente "malabarismo exegético" que se faz hoje em dia sobre o uso da percussão no Salmo 150, resta o claro e inequívoco aval bíblico para seu uso da música sacra. Obviamente esse uso não justifica o "vale tudo" mas deve acompanhar e apoiar o culto vibrante (Salmo 98), em espírito e em verdade e racional (Rom. 12) que deve ocorrer em nossas Igrejas e os resultados das produções musicais no Brasil apontam para o uso correto destes instrumentos. Sem dúvida o ministério musical adventista tem ajudado em tornar o Brasil o maior país adventista no mundo.



Leitor: O que se tem visto atualmente na área da música pode ser resumido com o verso de Jz 21:25: “... cada um fazia o que achava mais reto”. E a introdução de baterias nas igrejas tem dividido os irmãos entre os que a apoiam e os que condenam, prejudicando o genuíno louvor a Deus.


André Reis:
Concordo que não podemos impor aos irmãos algo para que não estão preparados. A inclusão da bateria na maioria das igrejas causaria problemas técnicos e pessoais que prejudicariam o culto. Mas a questão aqui não é logística ou técnica e sim que nossos argumentos CONTRA alguma coisa estejam fundamentados na Bíblia e não em meras opiniões pessoais, gostos ou desgostos.

Em caso de dúvida, veja se a Bíblia é clara sobre o assunto. E não busquemos "pérolas escondidas" que contradizem textos claros.

O uso da Bíblia no artigo acabou criando exatamente isso, o autor escreveu o "achava mais reto" mas seus argumentos dificilmente podem ser chamados de "retos" como recomenda EGW. Não questiono a honestidade do autor escritor, creio que se trata de descuido e imprudência.


6. O potencial apoio ao extremismo.
Infelizmente temo que seu artigo acaba fomentando aquilo que se propôs a evitar, "extremos" (quiça fundamentalismo?).


Creio que o uso de tambores e assemelhados na música sacra em nossas igrejas tende levar ao liberalismo, ao “vale-tudo musical”, chegando-se à colocação de baterias nas igrejas mesmo sem a consulta ao pastor distrital e à comissão da igreja. Passa-se por cima da opinião dos demais membros da igreja. O que se vê é a imposição de tal música, geralmente por um grupo de músicos, aos outros irmãos. E ai de quem questionar tais músicos...


André Reis: É exatamente isso, quem combate a percussão, baseia-se em sua "opinião" e não na Bíblia.

 Mas creio que precisamos de argumentos bíblicos sólidos para nossas práticas e, temo que estes estão do lado daqueles que querem louvar a Deus com a percussão, desde que os princípios de adoração como eu tenho enfatizado em meus textos, sejam seguidos: vibração, celebração a Deus com racionalidade e em espírito e em verdade, sem balbúrdia e ruído e confusão.

Esses princípios se aplicam a qualquer instrumento: o "oba-oba" pode ocorrer com o violão, piano, órgão de tubos, violinos. Por que o irmão tem preconceito com a bateria? Qualquer músico profissional sabe que a bateria/percussão organiza os tempos e a cadência da música e sua influência é organizadora na música e não de "vale-tudo".

Precisamos de equilíbrio nesta questão e acima de tudo amor em todas as nossas práticas. Mas não posso aceitar que propor uma proibição generalizada da bateria na Igreja alcance esse equilíbrio. Quem o faz, o faz sem respaldo bíblico.


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Para ler os argumentos expostos aqui com profundidade, clique nos artigos abaixo:


1. Tambores e os "Instrumentos do Senhor"

2. Tambores e os Instrumentos do Senhor: Objeções e Refutações a Vanderlei Dorneles

3. Ellen White Era Contra a Bateria?

4. Fogo Estranho X Fogo do Senhor


Todos os artigos acima têm versão PDF para fácil leitura e distribuição. Além desses materiais, também recomendo a seguinte resenha sobre o artigo do Dr. Moura publicada pela professora Vanessa Meira.

Ainda de outros autores e pastores adventistas, sugiro a seguinte leitura:

http://www.novotempo.org.br/advir/?p=1997

http://notanapauta.blogspot.com/search?q=tambores


"No essential, unidade. No não essential, diversidade. Em tudo, caridade." (Agostinho)

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