Para Reflexão: Há Um Rio Cristalino

Posto aqui um vídeo "inspirational" que postei no www.AdoracaoAdventista.com.

Esse é um arranjo do hino "Há Um Rio Cristalino" que une algumas idéias pianísticas que tenho há muito tempo à improvisação.

O vídeo pode ser baixado do YouTube para uso no culto.

Inscreva-se à nosso canal do YouTube para visualizar todos os nossos vídeos.

Enjoye um Feliz Sábado!


(Para ver em alta definição, clique em 360p e aumente para 480p: Necessita conexão banda-larga.)









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Lançamento do Site Adoração Adventista



O site www.AdoracaoAdventista.com é um projeto meu e de outros amigos virtuais. Iniciamos nossas atividades no dia 1 de Janeiro de 2010. Nosso objetivo é fazer deste um fórum para discussão de aspectos da adoração adventista tais como liturgia, estilo(s) de música sacra, o uso de instrumentos na adoração entre outros. Abaixo nossos escritores revelam a visão que trazem ao site:
André Reis, editor. Creio que a adoração adventista passa por um período de incertezas, questionamentos e ao mesmo tempo, de grandes possibilidades. A proposta deste fórum é descobrir juntos através do estudo da Bíblia e dos Testemunhos qual a melhor maneira de crescermos como igreja e como adoradores, tornando assim a adoração adventista relevante para adoradores contemporâneos e ao mesmo, permanecendo fiéis ao nosso chamado como cristãos adventistas.

Pr. Isaac Meira. Os adventistas têm como missão restaurar a verdadeira adoração. Não apenas no dia correto, mas da forma correta. "Temei a Deus e dai-lhe glória pois é chegada a hora do seu juízo" faz parte de nossa mensagem. Mas a mensagem completa envolve o "Adorai aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes das águas". Adorar é um estilo de vida, influencia todos os aspectos da vida de quem se diz cristão. Deve ser o respirar do adventista.

Joêzer Mendonça. É inegável a existência de um cabo-de-guerra litúrgico-musical que força interpretações ou para o lado das novas sonoridades ou para o lado dos estilos tradicionais. O estudo teológico e a pesquisa musicológica podem auxiliar na diferenciação entre verdades e mitos que tem permeado o debate sobre música sacra.

Vanessa Meira. O grande conflito cósmico entre o bem e o mal gira em torno da adoração. No centro do conflito está o ser humano, que define quem será o vencedor (pelo menos em sua mente). Nós adventistas do sétimo dia fomos chamados para "edificar as ruínas antigas" e "levantar os fundamentos de muitas gerações", como "reparadores de brechas" e "restauradores de veredas" (Is. 58:12). A adoração ao único Deus verdadeiro deve ser restaurada, e os adventistas devem ser cabeça, e não cauda nesse assunto.

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Para participar, clique aqui www.AdoracaoAdventista.com.
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Feliz Ano Novo!



Feliz 2010 aos estimados leitores!



Aqui vai uma mensagem de fim de ano e ano novo de minha escritora preferida, Ellen White:
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Vitoriosos, Afinal!


Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará; todavia, o Meu justo viverá pela fé, e: Se retroceder, nele não se compraz a Minha alma. Heb. 10:37 e 38.

Companheiro peregrino, nós estamos ainda em meio às sombras e tumultos das atividades terrenas; mas logo nosso Salvador deverá aparecer para nos dar livramento e repouso. 


Olhemos pela fé ao bendito futuro, tal como a mão de Deus o pinta. Aquele que morreu pelos pecados do mundo está franqueando as portas do Paraíso a todo que nEle crê. Logo a batalha estará finda, e a vitória ganha. Breve veremos Aquele em quem se têm centralizado nossas esperanças de vida eterna. Em Sua presença, as provas e sofrimentos desta vida parecerão como se nada fora. "Não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas." Isa. 65:17. "Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão. Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa. Porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará." Heb. 10:35-37.

Olhai para cima, olhai para cima, e permiti que vossa fé cresça continuamente. Permiti que esta fé vos guie pelo caminho estreito que leva através das portas da cidade para o grande além, o vasto e ilimitado futuro de glória que há para os remidos. "Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima." Tia. 5:7 e 8.

As nações dos salvos não conhecerão outra lei que não a do Céu. Serão todos uma família unida e feliz, vestidos com vestes de louvor e gratidão. Sobrepujando a cena, cantarão as estrelas da manhã juntamente, e os filhos de Deus jubilarão, enquanto Deus e Cristo Se unirão em proclamar: "Não haverá mais pecado, nem mais haverá morte." (Meditação Matinal "E Recebereis Poder"  376)
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É Possível Saber Quando Jesus Nasceu?


Na época do Natal sempre surge a pergunta: Em que mês do ano Jesus nasceu de fato?

A Bíblia nos fornece alguns detalhes que possibilitam uma aproximação da estação do ano em que Jesus nasceu. Nosso estudo vai se basear em Lucas 1, 2 e 1 Crônicas 24.

Esse estudo não pretende descartar as tradicionais celebrações de Natal no mundo cristão como "pagãs" ou "inválidas" porque supostamente não se baseiam na Bíblia. O autor ainda considera o Natal cristão em dezembro como a melhor época para se celebrar o nascimento de Cristo.

Lucas 1:5 diz que

"Houve nos dias do Rei Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias; e sua mulher era descendente de Arão, e chamava-se Isabel."

Zacarias era o pai de João Batista, que nasceu 6 meses antes de Jesus.

1 Crônicas 24 revela que os sacerdotes levitas foram organizados em 24 turmas para servirem no Templo e que Abias era da oitava turma (1 Crô. 24:10). Zacarias era da turma de Abias, ou seja, da oitava.

Cada turma servia 2 vezes por ano, cobrindo assim 48 semanas do ano judaico. Nas 3 semanas restantes celebravam-se festas em que todos os sacerdotes serviam juntamente: Páscoa, Pentecostes e a Festa dos Tabernáculos.

Segundo o Talmude, o primeiro ciclo de sacerdotes como iniciava-se em Nisan 1 que no ano 5 A.C. corresponde a 8 de abril do nosso calendário. Começando a contagem desse dia, Zacarias serviria na oitava semana. Sendo assim o cronograma das turmas seria o seguinte:

8-15 de abril = 1a turma

15-22 de abril = 2a turma

22-29 de abril = Todas as turmas (Festa da Páscoa e Pães Asmos)

29 de abril - 6 de maio = 3a  turma

6-13 de maio = 4a turma

13-20 de maio = 5a turma

20-27 de maio = 6a turma

27 de maio - 4 de junho = 7a turma

>> 4-11 de junho = 8a turma = Zacarias

>> 11-18 junho = Pentecostes = Todas as turmas


Sobre Zacarias, Lucas diz que "terminados os dias do seu ministério, voltou para casa" (Luc. 1:23), o que teria sido após o diz 18 de junho. Lucas 1:24 também revela que "depois desses dias Isabel, sua mulher concebeu". Algumas versões trazem "logo após esses dias" o que colocaria o início da gravidez de Isabel nas duas próximas semanas, entre 18 de junho e 1 de julho.

Lucas também revela que quando Isabel estava grávida de seis meses (Lucas 1:26, 36), Maria concebeu a Jesus pelo Espírito Santo. Calculando do período de duas semanas entre 18 junho a 1 julho, o sexto mês de Isabel seria entre meados a fins de dezembro.

Jesus  teria sido concebido pelo Espírito Santo entre meados e fim de dezembro do ano 5 A.C. Isso colocaria o seu nascimento entre o fim de setembro e início de outubro do ano 4 A.C.. (dias 15-22 do mês Tishri).

O mês de Tishri era quando ocorria a Festa dos Tabernáculos, que envolvia todo o povo judaico, segundo Josefo, aproximamente dois milhões de Judeus. O censo e taxação dos judeus (Lucas 2:5) poderia ter ocorrido durante essa festa pois era justamente depois da colheita e o fim do ano civil, segundo os costumes judaicos da época. A festa juntamente com o censo também explicaria a falta de lugar nas pousadas de Belém, que era, segundo o Talmude, uma das cidades satélites de Jerusalém que comportava os adoradores.

Outras evidências textuais apóiam essa datação:

1. João usa a linguagem da Festa dos Tabernáculos para se referir a Jesus que "se fez carne e habitou (literamente "fez tabernáculo") entre nós" (João 1:14). João está se referindo a Isaías 7:14: "Será chamado Emanuel, Deus Conosco." A palavra grega para habitar aí é skene = habitar, fazer tabernáculo, e parece ter-se originado da palavra hebraica shachan= residir, de onde temos Shekinah, que era a presença de Deus no Tabernáculo.

2. João também usa a linguagem da Festa da Dedicação ou das Luzes (Hanukkah) que começava no dia 25 do mês judaico de Chislev, correspondente ao nosso dezembro, para se referir à encarnação de Jesus: "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens" (João 1:4-5, 8-9). Em João 10 onde essa Festa das Luzes é descrita, Jesus novamente se refere a sua encarnação, v. 36 "aquele a quem o Pai ... enviou ao mundo".

3. Jesus foi batizado com cerca de 30 anos (Luc. 3:23) e foi crucificado "no meio da semana" (Dan. 9:27) ou seja três anos e meio depois de sua "unção = batismo". Isso colocaria sua morte justamente na páscoa do ano 31 A.D. segundo Marcos 14:12, 15-25.

4. O anúncio das "novas de grande alegria para todo o povo" (Luc. 2:10) pelo anjo parece emprestar termos da Festa dos Tabernáculos, que deveria ser celebrada "com alegria" (Lev. 23:4). Essa festa também é a única em que todo o mundo é convidado a participar (Zac. 14:16-19).

Portanto, a época do ano em que Jesus nasceu é entre fim de setembro e início de outubro do ano 4 A.C..

Poderia-se, no entanto, objetar a essa datação dizendo que não é possível determinar com precisão quando Isabel teria engravidado. Ela poderia ter concebido mais tarde pois Zacarias só voltou ao serviço do Santuário para a Festa dos Tabernáculos, entre setembro e outubro. Nesse caso, o nascimento de Jesus poderia ser de 4 a 8 semanas depois da Festa dos Tabernáculos, colocando-o assim ainda mais perto do Natal cristão. Zacarias poderia estar também em seu segundo ciclo de serviço Templo o que seria em dezembro do ano 5A.C quando o anjo teria aparecido, o que colocaria a gravidez de Isabel de 8-10 semanas depois da Festa dos Tabernáculos.

No entanto um detalhe adicional nos permite manter a Festa dos Tabernáculos para a época do nascimento de Jesus: os pastores só guardavam as ovelhas à noite da Páscoa (meados de abril) até o início das chuvas (início do mês de outubro). Se João tivesse sido concebido em agosto ou setembro, isso colocaria o nascimento de Jesus no meio do inverno, época em que os pastores não poderiam estar nos campos à noite.

Por isso, é mais plausível colocar a gravidez de Isabel logo após "esses dias", ou seja, do ministério de Zacarias no Santuário que se encerraram dia 18 de junho do ano 5A.C.. Isso corrobora as outras evidências que vimos acima.

Aí surge a pergunta: Se Jesus não nasceu em dezembro, deveríamos parar de celebrar o Natal neste mês?

Não necessariamente pois tecnicamente falando, não é totalmente fora da realidade celebrar a encarnação em dezembro, pois Jesus teria sido concebido neste mês, durante a Festa das Luzes. Sendo assim, poderíamos expandir nossa celebração do Natal cristão incluindo a concepção de Jesus em dezembro que culminou no Seu nascimento 9 meses depois. Assim estaremos celebrando todo o evento da encarnação em dezembro!

Isso também não quer dizer que seria preferível celebrar uma festa hebraica como o Hanukkah ou uma versão moderna da Festa dos Tabernáculos em lugar do Natal. As festas são citadas aqui meramente para nos situarmos em termos de período no ano, não como uma defesa da celebração dessas festas em si. Essas festas eram "sombras" que apontavam àquele que celebramos hoje, Jesus.

Mas a maior razão a meu ver, e que também tem o apoio de Ellen White, para se celebrar o Natal em dezembro é  o fato de que as celebrações do nascimento de Jesus em dezembro são tão enraizadas em todo o mundo cristão que seria imprudentetentar celebrar o Natal em outra data ou mesmo não celebrá-lo. Além de desperdiçarmos uma oportunidade evangelística, estaríamos colocando impecilhos em nosso testemunho, especialmente para as crianças em nosso meio. (Veja o capítulo "O Natal" no livro "O Lar Adventista").

Malaquias compara o nascimento do Messias ao nascimento do Sol (Mal. 4:2) e Jesus mesmo disse ser "a luz do mundo" (João 8:12). Isso deveria expandir a temática das luzes que vemos nas celebrações do Natal. Embora não haja consenso sobre ter ou não árvores de Natal e outros enfeites na Igreja nesta época, sem dúvida todos podemos concordar que "luz" é um lindo símbolo de Jesus e encher nossas igrejas de luzes neste período seria bastante apropriado.

Neste período em que as pessoas estão mais abertas às coisas espirituais, façamos de nossas igrejas símbolos iluminados de Jesus, a Luz do Mundo!

Um abraço,
André Reis
www.AdventismoRelevante.com





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Resposta a Leitor do Blog Sobre Artigo da Percussão


Amigos leitores, abaixo está minha refutação a um leitor do blog sobre meu email ao Dr. Ozéas Moura publicado aqui. Agradeço sempre as contribuições que aprofundam as discussões:


1. Colaboração na edição e confecção do artigo. Tenho certa dificuldade em aceitar que o artigo tenha tido a colaboração de profissionais da área de música e teologia.


 Leitor do Blog: Não faria sentido uma consulta como a sugerida por você, visto que o assunto está polarizado entre os que apoiam e os que são contra tambores (ou bateria) na igreja. Caso fosse consultado, você responderia de maneira diferente daquilo que expõe em seus artigos?

André Reis: Sobre a consulta a outros músicos e teólogos da Igreja, creio que a menos que possamos apresentar numa publicação oficial da Igreja uma posição que represente a realidade espiritual e teológica da igreja como um todo, é preferível não publicá-lo e correr o risco de fomentar o extremo da questão.

Caso eu houvesse sido consultado pessoalmente, eu teria apresentado os mesmos argumentos que apresentei em minhas matérias, que tem sido elogiadas como equilibradas por pastores e líderes do Brasil. Isso porque eu procuro nunca dizer "É assim" mas sempre digo, "é possível" "provável" "não seria o caso?" etc; pessoalmente creio que sou moderado em minhas opiniões.


Eu nunca diria em nenhum artigo que a Bíblia "proíbe" a percussão na música sacra porque essa seria uma posição extrema, além de não ter respaldo bíblico.

 

2. O uso de fontes no artigo. Um artigo potencialmente controverso como esse deveria ter apresentado uma vasta busca de fontes sobre o assunto e que, consequentemente, poderia ter norteado as conclusões de forma drasticamente diferente do que o foram. Essas fontes também poderiam representar os "irmãos experientes" que EGW recomenda acima. No entanto, o que vemos são 5 citações, 4 de um só autor/livro!


Leitor do Blog: Artigos acadêmicos, com muitas citações bibliográficas, não são possíveis em um veículo de comunicação como a Revista Adventista. O fato de ter-se citado Bacchiocci não significa o artigo se baseia nele somente. O artigo foi baseado na Bíblia e do Espírito de Profecia. 
 
André Reis: O artigo reflete do início ao fim a opinião de Bacchiocchi portanto,  o autor escolheu apresentar somente a opinião de uma pessoa numa publicação oficial da IASD e esse o problema que eu e com certeza outros também estão tendo. Bacchiocchi cometeu muitas gafes teológicas no seu livro e foi repudiado pela liderança aqui nos EUA inclusive através da publicação de uma refutação oficial pela Review and Herald como eu já havia dito. Ele era um bom historiador na questão do sábado, mas sua teologia sistemática deixava muito a desejar.


Em que partes da Bíblia e do Espírito de Profecia o artigo foi baseado? Já demonstramos que a Bíblia não proíbe a percussão. Muito menos o faz EGW.

Seria seguro dizer que o irmão Moura meramente "sapecou" um artigo sobre a percussão na música sacra, juntou umas 4 passagens de Bacchiocchi que apóiam suas conclusões, juntou várias citações de EGW que aparentemente apóiam sua tese de "proibição da percussão" e mandou publicar a nível nacional? Será isso o que nossa igreja merece?

Será que o irmão Moura pesou com oração as consequências de tal ação? Pensou na possibilidade de que muitos anciãos, diáconos e pastores e outros membros incautos usariam esse artigo "oficial" para oprimir e criticar músicos e cantores em nossas igrejas, barrando solistas que tem "Playbacks" com bateria, mandando pessoas descerem do púlpito, mandando disciplinar músicos que insistem na bateria, cortando músicos de corais, jovens rebeldes por indisciplina? Será que o irmão Moura considerou as críticas à própria IASD que usa a bateria em praticamente todas as suas produções, fomentando assim o espírito acusador naqueles que não gostam da bateria?  


Veja, o primeiro artigo que eu escrevi para a RA em 1994 tinha uma longa lista de citações portanto não creio que espaço ou propriedade dessas na RA seja um problema. Nossa Igreja merece mais do que isso. Os artigos do Pr. Timm por exemplo, também são notórios pelas infindáveis referências que dão peso à pesquisa. Duvido que seus artigos seriam considerados "impróprios" para a RA pela profundidade e abundância de referências.


 A menos que leiamos amplamente TODOS os lados de uma questão com isenção (sem paixão contra ou a favor da bateria) é difícil ou quase impossível apresentar conclusões equilibradas. Com certeza a tese de ThD do Dr. Moura tem dezenas de páginas de bibliografia. Será que nossos irmãos merecem menos do que essa curiosidade intelectual?


3. O uso da Bíblia no artigo. Admira o fato de que nós adventistas temos um certo "orgulho santo" pela exegese que fazemos da Bíblia em questões doutrinárias, enquanto mostramos uma aplicação seletiva desses princípios quando o assunto é música sacra.


Leitor do Blog: Adventistas procuram seguir a boa regra de ver o texto em seu contexto mediato e imediato. Mas garanto-lhe uma coisa: se o teor do artigo estivesse de acordo com suas ideias, você diria que eu teria feito uma boa exegese. Não é verdade?




André Reis: Por outro lado, poderíamos concluir que o irmão Moura considera sua exegese boa porque está de acordo com suas idéias pessoais, não é verdade?

 Veja, quando estudei hermenêutica no SALT, aprendi várias regras interessantes e uma delas é se ater estritamente ao que o texto está dizendo e fazer "exegese" em vez de "eisegese", adicionar palavras ao texto. Outra regra é buscar o ensino da Bíblia sobre o assunto em sua totalidade, que é quando descobrimos que a Bíblia não se contradiz, apesar de a revelação da verdade ser progressiva. Ela não pode dizer "Louvai a Deus com o Tamborim" e em outro lugar dizer "Tamborins são proibidos no louvor a Deus".

Então partimos de textos claros para textos "obscuros"; e.g., começamos com o Salmo 68, 81, 149 e 150 e então estudamos a música do Templo. Constatamos que embora o tamborim fosse tocado regulamente no louvor a Deus pelo povo e não fosse tocado diariamente na música do Templo, ele era sim tocado em festividades acompanhando a festa das trombetas (Salmo 81) e na Festa dos Tabernáculos que ocorria no Templo. Isso também é confirmado por fontes históricas e por EGW.

O que nos levaria a concluir que a percussão é claramente permitida no louvor a Deus mas só era usada no Santuário  propriamente dito em festividades espirituais, talvez pelo tipo de adoração que os sacrifícios diários de animais requeriam, uma música um pouco mais "introspectiva" com harpas etc.

Outrossim, se a música sacra ocorria fora do Templo também, como é o caso, então não há como limitarmos música e instruments sacros somente àqueles que acompanhavam o ritual do Santuário. Aí, lendo o NT vemos que o ritual sombrio de sacrifícios de animais do Santuário (meras sombras) foi abolido e hoje podemos nos achegar "com confiança ao trono da graça" com um louvor exultante e vibrante, com todos os instrumentos que auxiliem nessa celebração do sacrifício de Jesus.

Segundo meus estudos de teologia, a breve exegese acima não viola nenhum princípio de hermenêutica.

No que tange a meus gostos pessoais, meus estudos de mestrado focalizaram música sacra erudita; participei de concertos clássicos sacros inclusive no Carnegie Hall. A grande parte da minha vida como adventista foi defendendo o tradicionalismo musical e músicas tradicionais ainda são minha preferência. Se quiser ter realmente uma idéia do tipo de música que me toca mais, pode dar uma olhadinha nesse vídeo.

 http://www.youtube.com/watch?v=3VYZKjG_Des (Conheço o compositor, ele regeu meu coral no Carnegie Hall em 2005)

 Tenho centenas de músicas como essa e que escuto frequentemente.

Mas recentemente participei como líder de louvor onde a bateria e outros instrumentos "não sacros" como o contrabaixo estavam presentes e sinto que eles auxiliam grandemente no alcance do louvor vibrante e exultante que Davi preferia; veja o Salmo 98. O culto deve ser uma celebração! Sempre tendo em vista os princípios de racionalidade obviamente.

Porém, meus estudos de uma ampla gama de estudiosos e argumentações, inclusive de Bacchiocchi, me levam a repudiar argumentos que querem impedir o uso da percussão na música sacra e por uma simples razão: não temos base bíblica para tanto.

Podemos usar de outros argumentos como respeito às sensibilidades de diversos irmãos na Igreja (embora a consciência de uns não devem ser controladas por outros, segundo o Paulo), preparo dos músicos, tamanho da igreja etc. Mas não tentemos forçar à Bíblia algo que não está ali. Se a Bíblia tem uma posição sobre a percussão é a PERMISSÃO e não proibição. Como exegeta isento, fica difícil concluir diferente.

Por isso meu problema com o artigo e com as abordagens similares que se vêem por aí é justamente esse, o uso da Bíblia como compêndio musical quando ela não tem essa preocupação. Isso leva ao que Bacchiocchi fez, 'eisegese' e não 'exegese'.




a. Reforma Musical. Um exemplo dessa exegese seletiva é a sua conclusão (segundo Bacchiocchi) de que a música estabelecida no Templo reflete uma "reforma musical" por parte de Davi que excluiu tambores. Mas isso é alheio ao texto. 


Aqui você se apega a uma picuinha linguística, como essa de objetar quanto ao uso da palavra “reforma”. Se você não fosse preconceituoso com respeito ao assunto teria percebido que empreguei o termo com a ideia de “normatização”, “nova orientação”, “estabelecimento de parâmetros”, “estabelecimento de diretrizes”.

 André Reis: Se o irmão leu meus textos verá que não sou preconceituoso, pelo contrário, tenho sido elogiado por conservadores e liberais como "moderado", graças a Deus!

Minha "picuinha" não é linguística e sim teológica: não importa que termos usemos, não existe o conceito de "reforma, normatização" "nova orientação" ou coisa que o valha na música do povo de Israel. A Bíblia simplesmente diz que no Templo se tocavam certos instrumentos. Partir disso para uma "proibição" a outros instrumentos ou querer limitar a música sacra do Templo como sendo TODA a música sacra que o povo realizava a Yahweh trata-se de esticar violentamente o texto, o que acaba criando contradições na Bíblia.

O Templo também não serve de modelo para a Igreja pois quase tudo o que acontecia ali foi abolido na cruz e não pode nem deve ocorrer na Igreja hoje. Por que escolhemos só umas coisas e deixamos de fora outras? Com que base? Quem decide o que é modelo e o que não é? Se eu não gosto de tambores, outros querem dividir a Igreja entre lugar Santo e Santíssimo... (isso já ocorre por aí...)

Por outro lado, se houve uma coisa na música do Templo foi "desenvolvimento" pela inclusão de outros instrumentos como a flauta, tamborim e a dança e inclusive mulheres cantoras. Certamente evidências bíblicas e históricas no Segundo Templo lançam por terra o conceito de "reforma". 



b. Associação como o paganismo. Ainda mais problemática é a declaração de que "Eles foram proibidos no templo, mas admitidos fora dele em festividades e encontros sociais" e que "a proibição de instrumentos de percussão surgiu na cabeça do próprio Deus."

 
O argumento da "proibição" dos tambores por associação com a música pagã, além de ser alheio à Bíblia, ignora que os mesmos instrumentos "mandados por Deus" no Templo tinham também associações negativas:



Leitor do Blog: : Quanto à sua “comprovação histórica” sobre tamborins e danças no Segundo Templo veja o comentário a seguir:

“O Mishnah revela inclusive que havia dança no Segundo Templo, o que, historicamente, pressupõe o uso de tamborins: ‘Homens piedosos e de boas obras dançavam... com tochas nas mãos, cantando canções e louvores. Inúmeros levitas tocavam harpas, liras, címbalos e outros instrumentos musicais...’ nas cortes do Templo. Descrevendo a mesma cena, o Talmude (c. 500AD) menciona "inúmeráveis instrumentos musicais" (citado em seu artigo Tamborins em 1 Crônicas 13-15, p. 5).


André Reis:  O irmão não citou essa passagem do meu artigo:

"Já no Segundo Templo estabelecido após o exílio babilônico, o tamborim faz parte dos instrumentos usados regularmente no serviço do Templo, conforme revela Liliane Doukhan, Ph.D., professora de música na Andrews University: "Documentos que descrevem o serviço do Segundo Templo mencionam também a flauta e o tamborim entre os instrumentos usados."[1] O documento judaico Mishnah (c. 200AD) confirma que os sacerdotes faziam instrumentos musicais com os animais sacrificados, inclusive tamborins: "...os ossos das pernas tornam-se flautas, o couro em tamborim, suas entranhas, liras".[2] Sobre a flauta, lemos que "nunca menos do que duas flautas e nunca mais do que doze" deveriam ser tocadas no Segundo Templo; "Doze dias durante o ano a flauta era tocada diante do altar."[3] Lembre-se que a flauta não era parte dos "instrumentos de Davi" do Primeiro Templo. (Fonte "Tambores e Os Instrumentos "do Senhor" p. 5.) ([1] Liliane Doukhan. Music in the Bible. (Shabat Shalom, Outono de 2002); p. 24. [2] Mishnah; Kinnim 1:1. [3] Mishnah; Arakhin 2:3.


Leitor do Blog: Problemas com sua argumentação: 1) A dança era do povo, celebrando a festa dos Tabernáculos e não dos músicos levitas


André Reis: Veja o que EGW diz sobre a Festa dos Tabernáculos citada no meu texto e no Mishnah (Sukkah = Tabernáculos):

"Ao falar estas palavras, estava Jesus no pátio do templo... À noitinha, quando se acendiam as lâmpadas, o pátio apresentava uma cena de grande regozijo... Homens de cabelos brancos, os sacerdotes do templo e os príncipes do povo, uniam-se em festivas danças ao som dos instrumentos e dos cantos dos levitas. (DTN 463)

A dança pelos sacerdotes e pelo povo aqui ocorre dentro do Templo no ano de 30A.D. aproximadamente, portanto o argumento da "reforma" da prática do Templo mais uma vez cai por terra. E também não há como argumentar que os levitas pudessem estimular a dança dos sacerdotes e do povo enquanto eles mesmos fossem proibidos de fazê-lo ou que isso fosse ofensivo a Deus. 


2) Só se poderia dançar ao som de tamborins? Mas, se era dança do povo, não haveria problema que eles estivessem presentes, pois eram aceitos nas festividades populares.

André Reis: Ao dialogar com a Dra. Doukhan, Musicóloga na Andrews sobre o uso do tamborim no Segundo Templo ela confirmou que a dança judaica sempre era acompanhada pelo "toph", o tamborim. Davi confirma isso ao dizer "Louvai com o tamborim e com a dança" (Salmo 150)

Aqui entra então o fato de que os levitas músicos tocavam o toph, que eles mesmos haviam construído a partir do couro dos animais sacrificados (veja Mishnah), juntamente com o povo DENTRO do Templo na festa dos Tabernáculos.

E como o irmão pode relegar a Festa dos Tabernáculos a uma mera "festividade popular"?
A Festa fora instituída pelo próprio Deus em Levítico 23:33-43: "Disse mais o Senhor a Moisés: Fala aos filhos de Israel, dizendo: Desde o dia quinze desse sétimo mês haverá a festa dos tabernáculos ao Senhor por sete dias."

Sobre essas "festividade populares" segundo Moura, EGW diz:
 Três vezes por ano era exigido dos judeus reunirem-se em Jerusalém para fins religiosos. Envolto na coluna de nuvem, o invisível Guia de Israel dera instruções quanto a esses cultos." (DTN 447)

Ora, se ela mesma confirma que a dança com tamborins nesses cultos ocorriam dentro do Templo, então novamente cai por terra o argumento da proibição do tamborim no Templo bem como a distinção de música sacra dentro e secular fora do Templo.



3) Quais instrumentos os levitas tocavam? Os recomendados por Davi. (Essa sua citação contraria toda a sua argumentação sobre levitas tocando tambores no segundo templo).


André Reis: Que bom que o irmão aceita que os instrumentos foram meramente "recomendados" por Davi. Não esqueça que os levitas também ajudaram a escolher: "E Davi ordenou aos chefes dos levitas que designassem alguns de seus irmãos como cantores, para tocarem com instrumentos musicais, com alaúdes, harpas e címbalos, e levantarem a voz com alegria." (1 Crô. 15:16)

Mas novamente, a dança judaica SEMPRE era acompanhada pelo toph=tamborim. Veja as citações do Mishnah citadas acima. Qualquer enciclopédia bíblica pode confirmar isso. Essa também é uma das provas de que os tamborins fizeram parte do segundo transporte da arca pois se Davi dançou, foi ao som do toph. Pelo menos o artigo não se valeu dessa suposta proibição no segundo transporte.



4) As frases “Outros instrumentos musicais” e “Inumeráveis instrumentos musicais” implicam, necessariamente, em tamborins? (Você que tanto fala em não se usar o “argumento do silêncio”, está fazendo exatamente isso!!!).


André Reis: Vide número 3 acima.

Leitor do Blog: Você diz que “não se tem uma progressão clara e inegável na Bíblia sobre o uso da percussão”. Mas o fato de tamborins serem mencionados na música sacra antes da normatização (para usar uma palavra do seu gosto) feita por Davi e depois não mais seem mencionados nas duas normatizações ou diretrizes seguintes (a feita por Ezequias e pelos que retornaram do cativeiro) não aponta para uma progressão quanto ao entendimento do que se deveria usar ou não usar? Você não acha que é muita coincidência a não menção de tamborins nas três diretrizes?


André Reis: Coincidência a falta de tambores no primeiro Templo? Não. Proibição? Também não.

O irmão está novamente usando o argumento do silêncio: não pode ser coincidência a ausência (silêncio) dos tamborins por isso, eles foram proibidos.
 

Por outro lado, poderíamos questionar também a "coincidência" de que Deus não deu instruções a Moisés sobre a música do Tabernáculo e, segundo seu raciocínio "ausência = proibição", deveríamos proibir toda a MÚSICA na Igreja hoje.

Seria também "coincidência" que em nenhum momento na revelação vemos o próprio Deus dando a "ordem, ou mandado" para que esses instrumentos fossem usados no Templo de Salomão?  Pelo contrário, a inclusão de música no serviço do Santuário era em si uma saída das instruções de Deus a Moisés. Deus não instruiu a Moisés a estabelecer um sacerdócio musical. Se Deus tivesse considerado necessária a inclusão de música no ritual do Santuário, teria dado essas instruções claras já no início.


Seria também pura coincidência que não lemos essa ordem de Deus justamente quando Davi mandou os levitas escolherem os músicos do Templo, em 1 Crônicas 15:16? Se houvesse sido uma revelação direta, ativa e imprescindível de Deus, não somente ele teria incluído música já nas instruções sobre o Tabernáculo mas com certeza os autores de Samuel e Crônicas teriam colocado essa ordem onde ela se aplicava: no momento da escolha dos músicos no Templo em 1 Crô. 15. Mas não é o que vemos. Em 1 Crônicas 15 vemos Davi simplesmente mandando os levitas escolherem músicos e instrumentos. Ele até delega a tarefa aos levitas.

Não quero com isso dizer que Deus não esteve envolvido no processo mas creio que a interpretação desse "mandado" de 2 Crônicas 29 através dos profetas deve entrar na categoria dos "passivos divinos" que encontramos em toda a Bíbia, i.e., Deus não mandou ativamente (Deus não instruiu sobre música no tabernáculo e também não há um verso que mostra Deus falando sobre os instrumentos) mas Ele apenas aprovou o uso desses instrumentos que para os leitores pós-exílio, teria sido um mandado direto através do profeta Natã. O fato de que Deus aprovava e se alegrava com outros instrumentos inclusive o tamborim na adoração (Salmo 149:3) é prova de que essa "ordem" se trata de uma escolha de Davi, dos levitas, de Natã, com o aval de Deus para uso no primeiro Templo e que não excluía outros instrumentos da música sacra hebraica.

Antes de questionar essa abordagem, sugiro que o irmão pesquise o conceito de "passivo divino" na mente hebraica: Deus é visto como AUTOR de algo que ele apenas PERMITE. (Exemplo: o espírito maligno que atormentava a Saul "da parte de Deus"; o demônio de Apo. 9 que recebe autoridade de Deus.)


Leitor: Se estivessem ausentes (tambores) em uma apenas, o argumento seria válido, mas em todas as três? Mas, por falar em “argumento do silêncio”, quem o usa é você, só que com mais um designativo, a imaginação. Você usa o “argumento do silêncio-imaginação”, ou seja, apesar do silêncio sobre tambores na música do templo após as diretrizes de Davi, de Ezequias e dos retornados do exílio, você imagina que eles fossem ali usados. Para eu saber quais instrumentos eram usados na música do templo não preciso nem do silêncio nem da imaginação: essas três diretrizes mencionadas os explicitam claramente.


André Reis: Não é eu que "imagino", é o que a Bíblia e a história da prática do Segundo Templo comprovam. O Salmo 81 por exemplo, dedicado ao Canto-Mor do Templo manda 'soar o tamborim' na festa das trombetas, que ocorria no Templo. O Salmo 68 mostra o tamborim e a dança em conexão com a música dos Levitas no Templo.

Também houve um desenvolvimento na música do templo e outros instrumentos foram adicionados como a flauta e o tamborim:

"Sobre a flauta, lemos que "nunca menos do que duas flautas e nunca mais do que doze" deveriam ser tocadas no Segundo Templo; "Doze dias durante o ano a flauta era tocada diante do altar." (Mishnah; Arakhin 2:3.) Lembre-se que a flauta não era parte dos "instrumentos de Davi" do Primeiro Templo. (Fonte "Tambores e Os Instrumentos "do Senhor" p. 5.)

Basta então escolher a música de qual Templo reflete a vontade de Deus: a do Templo de Salomão - sem tambores; ou a do Segundo Templo, com tambores, dança e flautas que Jesus chamou de "minha casa de oração."


b. Associação como o paganismo.
Salmos 149 e 150: Esses salmos são conhecidos como “anônimos”. Mas partamos da hipótese de que são de Davi (a Sra. White parece dizer isso). Se são de Davi, devem ter sido escritos antes de sua reforma ou normatização da música.
 

 André Reis: O irmão continua a insistir numa "reforma musical" que não existe na Bíblia.

Não creio que a data dos Salmos seja relevante, pois nós os consideramos como inspirados e normativos. Ou será que vamos começar a escolher o que é inspirado e normativo e o que não é baseando-nos em datas? Seria Gênesis menos normativo do que o Apocalipse? Parece que o artigo tende a fazer isso.

E não é isso que os oponentes à lei de Deus fazem, relegam o mandamento do sábado a um período de "falta de luz" anterior à ressurreição?


Tambores e danças eram permitidos na música sacra antes dessa normatização, e ainda, a revelação da vontade de Deus é progressiva. Um exemplo é o fato de que o Cântico de Moisés foi entoado pelos israelitas recém saídos da escravidão do Egito com o acompanhamento de tambores e danças (Êx 15:20,21), mas que, na Nova Terra será acompanhado não mais por tambores e danças, mas pelas “harpas de Deus” (ver Ap 15:2, 3).



André Reis: Como EGW e as evidências históricas comprovam, a dança ao som de flautas e tamborins ocorria DENTRO do Templo na época de Jesus, séculos depois da suposta "reforma musical" proposta por Bacchiocchi e Moura.

 Outro detalhe que enfraquece sua tese sobre a progressão ou "reforma musical" é usar a Canção de Moisés. João no Apocalipse ao falar dela não está se referindo a Êxo. 15! Isso mesmo, não há sequer uma alusão a Êxo. 15 nessa passagem!

 A Canção de Moisés no Apocalipse é uma colagem de 8 ou 9 passagens do Velho Testamento, e nenhuma de Êxo. 15! Portanto não há aqui nenhuma "verdade progressiva" sobre o uso de tamborins ou não. O uso de João do Cântico de Moisés é simbólico de toda a libertação de Deus a Seu povo no Velho Testamento.  Cai por terra portanto o conceito de que João tenta "purificar" a celebração do Canto de Moisés com tamborins porque ele nem sequer menciona esse evento no Apocalipse!


Não podemos ler o Apocalipse como se João tivesse lido Bacchiocchi.

Por outro lado, se as harpas no Apocalipse são literais, então os salvos tocam sobre um Mar de "Vidro" literal? Cadê a consistência exegética?



Leitor: Se esses salmos são tomados como manuais para a música apresentada no templo, então os músicos deveriam, além de seus instrumentos, portarem “espada de dois gumes”. O que acha da sugestão?



André Reis: Os Salmos possuem princípios fundamentados culturamente mas que também transcendem essa cultura. Por exemplo, Israel guerreava em nome de Deus por isso a menção de espadas. Hoje nós não travamos guerras divinas com espadas per se: nossa espada hoje é a da palavra e o escudo, do espírito. Mas se fôssemos mandados por Deus para destruir os ímpios com a espada, o faríamos com o louvor de Deus nos lábios, concorda?

 Por outro lado, instrumentos de percussão não se encaixam nesses princípios culturais pois são comuns a todas as culturas em todos os tempos. Além de serem ontologicamente neutros, instrumentos musicais são atemporais.



Leitor: Outra possibilidade é ver nesses salmos o princípio de que “tudo deve louvar a Deus”, mas cada coisa no seu devido lugar. Ou seja, instrumentos permitidos na música sacra devem ser tocados para louvar a Deus; instrumentos usados para música secular, cívica, etc. (como tambores numa banda, em uma festa cívica, por exemplo) devem também ser tocados de modo a louvar a Deus, pois cristãos também são cidadãos e participam das festas cívicas de seu país. Tambores numa banda militar ou civil são perfeitamente cabíveis, mas não dentro da igreja, num culto a Deus. Outro fato é que flautas, harpas, alaúdes e trombetas não estão necessariamente vinculados à música popular ou pagã. São neutros em si. Tal, porém, não é o caso dos tambores.


André Reis: Essa argumentação não se sustenta novamente pelo fato de que não há na Bíblia distinção entre instrumentos sacros e instrumentos profanos.

 Veja novamente como todos os instrumentos do Templo que, na sua concepção é o único lugar onde ocorria a música sacra, eram profanos:

 - Prostitutas tocavam harpas: Isa. 23:16,
- Harpas e alaúdes são tocados em festas pagãs: Isa. 5:12
- Trombetas são usadas no culto pagão da Babilônia: Daniel 3
- Harpas representam simbolicamente a música da Babilônia mística: Apo. 18

Considerando esses versos, baseados em que parâmetros podemos considerar certos instrumentos neutros e outros não? Certamente não temos autoridade bíblica muitos menos musical para isso.

Se não podemos considerar os tamborins como literais e neutros, então as flautas e harpas também não são, pois estavam no culto da Babilônia e das prostitutas. Não dá pra escolher o que é o que não é. A culpa por associação corta dos dois lados.

Em nossos dias, segundo esse raciocínio o piano é um instrumento pagão pois é usado no jazz, bossa nova, rock, country, música clássica secular. Que parâmetro o faz aceitável na Igreja? Se é o  estilo em que se toca, então o mesmo se aplica à percussão?

Quando o irmão diz que a Bíblia faz distinção entre música sacra e música secular, essa distinção parece se basear somente em instrumentos musicais, que como vimos são intercambiáveis entre música sacra e secular na Bíblia. Essa distinção também não pode se basear em aspectos técnicos da música tais como performance, tonalidade, aspectos rítimicos, contorno melódicos, influência sobre o ouvinte etc., porque simplesmente não temos detalhes na Bíblia de como as duas soavam para criar criar a distinção.

Por outro lado, a distinção que podemos dizer ser "bíblica" entre música das harpas no Templo e a música das harpas das prostitutas é a sua temática: o louvor a Yahweh. Os mesmos tambores que eram usados no culto a Baal, Moloque são conclamados por Davi para o louvor a Deus. Isso é um fato insofismável. Eram tocados da mesma forma, com o mesmo objetivo? Possivelmente não, mas o que tornava seu uso sacro seu uso na música sacra a Yahweh.

Paulo apoia essa distinção temática da música sacra ao admoestar os cristãos a cantarem "cânticos espirituais". O termo canções ("hodais") se aplicava a todo tipo de canções na época e aqui Paulo prefere as que tinham tema espiritual.

 Será que isso permite qualquer estilo de música sacra? Não necessariamente, a música deve apoiar o culto racional e tudo o que atrapalhe esse processo deve ser descartado. Isso varia culturamente: a música erudita alemã é irrelevante para boa parte dos nossos irmãos do agreste, os africanos, os indianos etc; o samba seria irrelevante para Austríacos.



Leitor: Concordo com você que os textos bíblicos na frase de R. N. Champlin (nota 1) como foram citados podem dar a impressão de que todos se referem à música secular. Mas tal não é o caso. São citados para exemplificar “festividades e cortejos”. Mas discordo de que se refiram à música sacra os textos de Juízes 11:34 (dança com tamborins por parte da filha de Jefté – quem é louvado aqui é Jefté), 1 Samuel 18:6 (dança com tamborins das mulheres após a derrota dos filisteus – aqui quem é louvado não é Deus, mas Saul e Davi, especialmente este último) e de Gênesis 31:27 (reclamação de Labão de que gostaria de ter-se despedido de suas filhas e netos com danças e tamboris – essa celebração é do tipo festivo, social como fazemos ao nos despedirmos de alguém).



André Reis: Segundo seu raciocínio, poderia-se argumentar também que o cântico de Miriã, que segundo EGW era genuíno louvor a Deus (PP 288), era na verdade uma música secular que louvava os grandes feitos de Moisés ao retirar o povo do Egito. Parece que o artigo dá a entender isso e fica despropositada uma "errata".

As celebrações da filha de Jefté poderiam tranquilamente ser consideradas como música sacra, haja vista que foi Ele quem concedeu a vitória a Jefté. A música poderia não ser em contexto de "culto" propriamente dito, mas era sacra pois a temática eram os feitos de Deus:    Jz 11:32: "Assim Jefté foi ao encontro dos amonitas, a combater contra eles; e o Senhor lhos entregou na mão."



4. O uso de EGW no artigo. Além da escassez das fontes usadas no seu artigo, as citações de EGW não são pertinentes pois não apóiam necessariamente a sua tese de que a percussão seja incompatível com a adoração.  Praticamente um terço do artigo traz citações de EGW e logicamente, o texto de Indiana está ali como suposto apoio às conclusões do autor.

Porém, considere que tanto a citação da passagem de Indiana fora de seu contexto imediato quanto sua aplicação universal mostram uma implícita crença na inspiração verbal do Espírito de Profecia, ou seja, se ela escreveu, pouco importa o contexto em que foi dito, que importa é o fato de que no fim "haverá gritos com tambores".

Leitor: Se esse texto de Ellen White (que fala sobre tambores, danças e gritos em Indiana) apoiasse tambores no culto, os defensores de tais instrumentos não o questionariam. Mas como fala fortemente contra eles, então faz-se necessária uma “reinterpretação” do mesmo. E aí aparecem os surrados argumentos do tipo “não era condenação dos tambores e das danças, mas do fanatismo”, “tambores bem tocados são aceitáveis”, e outros similares.  


André Reis: Volto a reiterar que EGW em nenhuma linha de seus escritos condena o uso da percussão na música sacra. Nenhuma. Se houver, gostaria de ver a citação.
 Pelo contrário, ela diz que "não devemos nos opor ao uso de instrumentos". Como ela poderia dizer isso e ao mesmo tempo se opor "fortemente" ao uso da percussão?

Veja que na passagem ela se opõe "fortemente" ao uso da música também. Vamos parar de ter música na IASD? Por que não, se EGW coloca todos no mesmo "balaio"?

Temo que essa condenação por EGW não exista pois não é do feitio de EGW se colocar acima da própria Bíblia condenando a roldão algo que esta permite, desde que o objetivo seja o alcance do culto vibrante e racional (Salmo 98; Rom 12). Quem insiste na interpretação nua, crua e "verbal" do Espírito de Profecia fora de seu contexto e implicações acaba criando contradições, inconsistências e traz descrédito a EGW.

 A passagem de Indiana não condena o uso de percussão na música sacra, assim como ela não condena a "música". Ela condena esses elementos quando acompanhando o fanatismo, balbúrdia, espiritualismo e "tudo o que é estranho".

 O piano acompanhou coisas estranhas em 1908 na IASD, será que vamos parar de usá-lo? (Veja Mensagens Escolhidas 3: 369-374)

 Por isso a passagem de Indiana, assim como QUALQUER passagem de EGW, precisa ser entendida no seu contexto "no seu tempo e lugar" (Testimonies 6: 116)  segundo a própria EGW recomendou. "Haverá gritos com tambores, música e dança" se entendo no que tange à Carne Santa em 1900.

 Em outra parte ela diz que o fanatismo virá "de diferentes maneiras". Como o Sr. entende esse diferentes maneiras?

 Se não insistirmos nesses princípios, teremos os maiores abusos do Espírito de Profecia já vistos: veremos pessoas mandando arrancar as alianças, condenando a compra de bicicletas, uns defendendo o consumo de ovos enquanto outros condenam (ambos com o aval de EGW!) a reforma de saúde será um motivo de opressão e assim por diante... Esses são só uns poucos exemplos.

 Se o irmão leu meu artigo onde proponho a interpretação da passagem seguindo princípios interpretativos do Espírito de Profecia aceitos por estudiosos adventistas, verá que não é simplesmente uma questão de defender ou repetir argumentos surrados e sim de ser fiel às intenções de EGW. Até agora ninguém se propôs a refutar o que eu propus, nem mesmo o Centro White no Brasil, isso porque, ao contrário do que muitos pensam, o artigo respeita toda uma gama de princípios de interpretação de EGW.

 Mas quem sabe o irmão gostaria de refutar esses argumentos "surrados", o que terei o prazer de ler. Recomendo, porém, que primeiramente explique a profecia de EGW em Maio de 1856 onde ela diz que muitos em sua audiência "passariam pelas sete pragas, outros seriam transladados por ocasião da vinda de Cristo e outros se tornariam comida para vermes."

 Salvo equívoco, todos ali se tornaram "comida de vermes".


5. O uso da bateria por instituições Adventistas. A Revista Adventista como publicação oficial da IASD no Brasil tem mostrado recentemente estar em certa dissonância com a realidade musical da Igreja (Ex.: "Louvor Congregacional" Julho 09). A percussão e bateria têm sido usadas de maneira apropriadada por músicos adventistas, muitos deles grupos oficiais da IASD por décadas. Como poderia a Revista Adventista publicar um artigo que praticamente anatematiza toda a produção musical Adventista recente? Foram os líderes musicais da Igreja representados pelos Arautos do Rei, Novo Tempo e DSA consultados sobre sua publicação? Ou seria seu artigo uma tentativa de "reformar" a música baseada numa leitura tendenciosa da "reforma" de Davi?

Creio que esse uso da percussão tem sua base na Bíblia que convida todos os tipos de instrumentos ao louvor a Deus (Salmo 1491-150). Apesar de todo o aparente "malabarismo exegético" que se faz hoje em dia sobre o uso da percussão no Salmo 150, resta o claro e inequívoco aval bíblico para seu uso da música sacra. Obviamente esse uso não justifica o "vale tudo" mas deve acompanhar e apoiar o culto vibrante (Salmo 98), em espírito e em verdade e racional (Rom. 12) que deve ocorrer em nossas Igrejas e os resultados das produções musicais no Brasil apontam para o uso correto destes instrumentos. Sem dúvida o ministério musical adventista tem ajudado em tornar o Brasil o maior país adventista no mundo.



Leitor: O que se tem visto atualmente na área da música pode ser resumido com o verso de Jz 21:25: “... cada um fazia o que achava mais reto”. E a introdução de baterias nas igrejas tem dividido os irmãos entre os que a apoiam e os que condenam, prejudicando o genuíno louvor a Deus.


André Reis:
Concordo que não podemos impor aos irmãos algo para que não estão preparados. A inclusão da bateria na maioria das igrejas causaria problemas técnicos e pessoais que prejudicariam o culto. Mas a questão aqui não é logística ou técnica e sim que nossos argumentos CONTRA alguma coisa estejam fundamentados na Bíblia e não em meras opiniões pessoais, gostos ou desgostos.

Em caso de dúvida, veja se a Bíblia é clara sobre o assunto. E não busquemos "pérolas escondidas" que contradizem textos claros.

O uso da Bíblia no artigo acabou criando exatamente isso, o autor escreveu o "achava mais reto" mas seus argumentos dificilmente podem ser chamados de "retos" como recomenda EGW. Não questiono a honestidade do autor escritor, creio que se trata de descuido e imprudência.


6. O potencial apoio ao extremismo.
Infelizmente temo que seu artigo acaba fomentando aquilo que se propôs a evitar, "extremos" (quiça fundamentalismo?).


Creio que o uso de tambores e assemelhados na música sacra em nossas igrejas tende levar ao liberalismo, ao “vale-tudo musical”, chegando-se à colocação de baterias nas igrejas mesmo sem a consulta ao pastor distrital e à comissão da igreja. Passa-se por cima da opinião dos demais membros da igreja. O que se vê é a imposição de tal música, geralmente por um grupo de músicos, aos outros irmãos. E ai de quem questionar tais músicos...


André Reis: É exatamente isso, quem combate a percussão, baseia-se em sua "opinião" e não na Bíblia.

 Mas creio que precisamos de argumentos bíblicos sólidos para nossas práticas e, temo que estes estão do lado daqueles que querem louvar a Deus com a percussão, desde que os princípios de adoração como eu tenho enfatizado em meus textos, sejam seguidos: vibração, celebração a Deus com racionalidade e em espírito e em verdade, sem balbúrdia e ruído e confusão.

Esses princípios se aplicam a qualquer instrumento: o "oba-oba" pode ocorrer com o violão, piano, órgão de tubos, violinos. Por que o irmão tem preconceito com a bateria? Qualquer músico profissional sabe que a bateria/percussão organiza os tempos e a cadência da música e sua influência é organizadora na música e não de "vale-tudo".

Precisamos de equilíbrio nesta questão e acima de tudo amor em todas as nossas práticas. Mas não posso aceitar que propor uma proibição generalizada da bateria na Igreja alcance esse equilíbrio. Quem o faz, o faz sem respaldo bíblico.


___________
Para ler os argumentos expostos aqui com profundidade, clique nos artigos abaixo:


1. Tambores e os "Instrumentos do Senhor"

2. Tambores e os Instrumentos do Senhor: Objeções e Refutações a Vanderlei Dorneles

3. Ellen White Era Contra a Bateria?

4. Fogo Estranho X Fogo do Senhor


Todos os artigos acima têm versão PDF para fácil leitura e distribuição. Além desses materiais, também recomendo a seguinte resenha sobre o artigo do Dr. Moura publicada pela professora Vanessa Meira.

Ainda de outros autores e pastores adventistas, sugiro a seguinte leitura:

http://www.novotempo.org.br/advir/?p=1997

http://notanapauta.blogspot.com/search?q=tambores


"No essential, unidade. No não essential, diversidade. Em tudo, caridade." (Agostinho)

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Resenha: Instrumentos de Percussão na Música Sacra (RA Dez 09)



Amigos leitores, abaixo está minha carta ao Dr. Ozéas Moura,

_________________

Prezado irmão Moura,


Espero que o irmão esteja desfrutando de bênçãos de Deus hoje!

Peço-lhe permissão para tecer alguns comentários sobre o seu artigo publicado na Revista Adventista desse mês no que tange ao método da pesquisa bem como as conclusões do artigo:

1. Colaboração na edição e confecção do artigo. Tenho certa dificuldade em aceitar que o artigo tenha tido a colaboração de profissionais da área de música e teologia.  Veja o conselho inspirado no livro Conselhos a Escritores e Editores, p. 48:

Submeta Nova Luz a Irmãos Experientes. - Há milhares de tentações disfarçadas preparadas para aqueles que tem a luz da verdade; e a única salvaguarda para qualquer um de nós é não receber nenhuma doutrina, nenhuma nova interpretação das Escrituras, sem primeiramente submetê-la a irmãos de experiência. Exponha-a perante eles em espírito humilde, pronto a aprender, com oração sincera; se eles não vêem luz nela, submeta-se ao seu julgamentol pois "na multidão de conselheiros, há segurança." [Testimonies, Vol. 5, pp. 291-293.]

Seria seguro dizer que o seu artigo passou pelo crivo de vários teólogos e músicos adventistas no Brasil?

2. O uso de fontes no artigo. Um artigo potencialmente controverso como esse deveria ter apresentado uma vasta busca de fontes sobre o assunto e que, consequentemente, poderia ter norteado as conclusões de forma drasticamente diferente do que o foram. Essas fontes também poderiam representar os "irmãos experientes" que EGW recomenda acima. No entanto, o que vemos são 5 citações, 4 de um só autor/livro!

Como acadêmicos, sabemos que nenhuma publicação ou pesquisa que pretenda representar o pensamento de toda uma igreja com vários níveis intelectuais deveria se basear em apenas dois autores.

Por isso, temo que seu artigo reflete pura e simplesmente as conclusões de Bacchiocchi, que por sua vez, não tinha colaboração de uma gama de especialistas, músicos e teólogos da IASD nos EUA para publicar materiais sobre estilo de vida, música, vestimenta etc. Seus livros eram "self-published",  ele era o autor, editor e finalmente o dono da publicadora. Sem dúvida, Bacchiocchi deu uma grande contribuição na questão do sábado mas isso não lhe concede carta branca como autoridade em outros assuntos teológicos. A Divisão Norte Americana não endossava suas leituras sobre questões não-sabáticas.

O livro "The Christian and Rock Music" dificilmente poderia ser considerado "peer-reviewed" ou colaborativo. Ele não só escolheu um grupo unilateral de autores mas ignorou o conselho de outros especialistas adventistas no assunto e como consequência, a Review and Herald publicou em 2003 o livro do professor Ed Christian "A Sensible Look at Christian Music"  que refuta o método e conclusões do livro "The Christian and Rock Music", de Bacchiocchi et al. O livro recebeu a apreciação de vários doutores adventistas da Andrews.

Usar Bacchiocchi como praticamente a única fonte em um artigo sobre música certamente foi uma simplificação.

3. O uso da Bíblia no artigo. Admira o fato de que nós adventistas temos um certo "orgulho santo" pela exegese que fazemos da Bíblia em questões doutrinárias, enquanto mostramos uma aplicação seletiva desses princípios quando o assunto é música sacra.

a. Reforma Musical. Um exemplo dessa exegese seletiva é a sua conclusão (segundo Bacchiocchi) de que a música estabelecida no Templo reflete uma "reforma musical" por parte de Davi que excluiu tambores. Mas isso é alheio ao texto.

Reformas são claramente descritas como tais na Bíblia: há um problema que leva a uma reforma. Por exemplo, o rei Josias:

"derribou os altares, reduziu a pó os aserins e as imagens esculpidas, e cortou todos os altares de incenso por toda a terra de Israel. Então, voltou para Jerusalém. No décimo oitavo ano do seu reinado, havendo já purificado a terra e a casa, ele enviou Safã, filho de Azalias, Maaséias, o governador da cidade, e Joá, filho de Joacaz, o cronista, para repararem a casa do Senhor seu Deus." (2 Crôn. 34:7-8)

Veja a relação causal entre problema= idolatria e a reforma= purificação e restabelecimento da Casa do Senhor


Porém, isso não ocorre na questão da música do Templo ou do povo de Israel. Não há uma só passagem em toda a Bíblia que apóie a conclusão de que o uso de tambores ou percussão na música sacra de Israel era um problema que precisava de reforma. Essa conclusão é imposta ao texto e é baseada na falácia lógica do argumento do silêncio: ora, se os tambores não estão no Templo, então foram proibidos ("reforma").

Mas não é o que a história de Israel mostra: os tambores e a dança ocorriam na festa dos Tabernáculos no Segundo Templo segundo fontes históricas. Para ler uma discussão completa sobre o uso dos tambores no Templo e as fontes da literatura rabínica, veja o meu artigo abaixo
Tambores e os "Instrumentos do Senhor"

Veja como o argumento da "reforma" baseado no silêncio é o mesmo usado por aqueles que justificam a mudança do sábado para o domingo por conta da ressurreição de Jesus neste dia. Um corolário inevitável dessa abordagem é valer-se do conceito de verdade "progressiva" quando não se tem uma progressão clara e inegável na Bíblia sobre o uso da percussão.

b. Associação como o paganismo. Ainda mais problemática é a declaração de que "Eles foram proibidos no templo, mas admitidos fora dele em festividades e encontros sociais" e que "a proibição de instrumentos de percussão surgiu na cabeça do próprio Deus."

Como poderia Deus ser tão incoerente em inspirar Davi a escrever o Salmo 150 se ele mesmo tivesse essa proibição em Sua mente? E ainda pior, permitir que esse Salmo fosse incluído no Cânon Sagrado se ele refletia "falta de luz" ou revelação? Se o argumento da "falta de luz" se sustenta, ele abre espaço para questionarmos outras verdades bíblicas como sendo meramente "velhas verdades" ou "verdades foscas", concorda?

Resta perguntar onde está essa suposta "proibição" dos tambores no Templo? Certamente ela não provém de nenhum texto em Crônicas mas é uma conclusão imposta ao texto. O que lemos em Crônicas é que no primeiro templo se tocavam harpas, alaúdes, címbalos e trombetas, shofares. Não há aí uma proibição nem tampouco há o conceito da reforma musical proposta por Bacchiocchi.

Já no Segundo Templo, a literatura rabínica revela que tambores e a flauta (também proibidas segundo Bacchiocchi e Moura) eram usados ali e que havia dança no Templo por ocasião da festa dos tabernáculos. E antes de questionar a validez a presença destes ali, lembre-se que Jesus chamou o Segundo Templo de "minha casa de oração" para todos os povos e ali se tocavam flautas e tambores e havia a dança. (Veja as fontes no meu artigo
Tambores e os "Instrumentos do Senhor")

O argumento da "proibição" dos tambores por associação com a música pagã, além de ser alheio à Bíblia, ignora que os mesmos instrumentos "mandados por Deus" no Templo tinham também associações negativas:

- Prostitutas tocavam harpas: Isa. 23:16,
- Harpas e alaúdes são tocadas em festas pagãs: Isa. 5:12
- Trombetas são usadas no culto pagão da Babilônia: Daniel 3
- Harpas representam a música da Babilônia mística: Apo. 18:22.

Outrossim, existem textos claros que apóiam o uso da percussão na música sacra. Seria justificável a busca por pérolas escondidas da revelação quanto ao uso desta   enquanto ignoramos ou tentamos "abafar" textos claros que nos permitem usá-la no culto racional?

O irmão também cita o uso de instrumentos de percussão no contexto de "festividades e cortejos". Creio que a inferência aqui é a música secular ou nacionalista. Porém os versos citados tratam claramente de música sacra de louvor a Deus:

Êx. 15:20 - Canto de Miriã celebrando a libertação de Deus;
Jz 11:34 - Celebração da vitória de Jefté com ajuda de Deus;
1 Sam. 10:5 - música sacra da escola dos profetas acompanhando exercícios proféticos;
1 Sam. 18:6 - música celebrativa da vitória de Deus contra os filisteus;
Gen. 3:27 (31?) - Possivelmente música celebrativa sacra, haja vista que dificilmente Labão pretendesse celebrar a viagem de Jacó que era um seguidor de Yahweh com música secular/pagã

Concordo em parte com sua abordagem a Eze. 28:13: teria sido mais prudente deixar a questão em aberto pois se não há consenso entre os especialistas em hebraico, qualquer tradução pode ser a correta. A escolha das versões é meramente devido a pressupostos pessoais, no seu caso, o Sr. preferiu a dos engastes; porém EGW utiliza a dos tambores e dos engastes. Por que o Sr. não incluiu essa citação no seu artigo?

O irmão também conclui que na "música sacra apresentada no culto em louvor a Deus, vê-se que tambores e tamborins ficaram de fora da música sacra." Essa declaração também confronta os versos que lemos acima pois todos eles são no contexto de louvor e culto a Deus, desde vitórias de guerra, cultos familiares até a escola dos profetas. Além disso o tamborim também era usado juntamente com as festas que aconteciam no Santuário (Salmo 81). Pouco importa o local onde esse louvor acontece, pois "onde dois ou três estão reunidos em meu nome, ali estarei". Onde é que está a limitação de espaço físico aí? Por isso o louvor dos israelitas fora do templo era tão LOUVOR e ADORAÇÃO quanto dentro do Templo.

Creio que aí também o irmão subscreva à idéia de que o Templo é um modelo para a Igreja. Eu abordo esse erro no artigo
Tambores e os "Instrumentos do Senhor".

Além disso, se Israel era uma Teocracia, como podemos argumentar que o povo em suas festas espirituais foram do Templo cantavam músicas seculares que não exaltavam a Deus, que era o seu rei e governante?

Por outro lado, veja como os tambores tinham profundas associações espirituais para os Israelitas e não com o paganismo:

- Foram tambores que celebraram a vitória de Deus sobre os Egípcios (Ex. 15);
- Foram tambores que celebraram a vitória de Jefté (Juízes 11:34);
- Foram tambores que celebraram a vitória de Davi sobre Golias em nome de Deus (1 Sam. 18:6);
- Foram tambores que acompanharam o canto dos Profetas e que fez Saul profetizar (1 Sam. 10:5);
- Foram tambores que celebraram o primeiro transporte da arca como símbolo da presença de Deus com Seu povo (1 Sam 6);
- Foram tambores
que celebraram festas religiosas junto ao Santuário (Salmo 68; Salmo 81);
- Foram tambores que Davi convidou para louvar a Deus no Salmo 149:3 e 150;
- Tambores acompanham musicalmente o castigo que Deus traz sobre os Assírios; Isa. 30:29
- Tambores representam a restauração espiritual do Seu povo: Jer. 31:4

Sobre o transporte da arca, EGWhite chama aquela celebração espiritual como sendo de "alegria e solene" (PP 707). Há também evidências de que o Salmo 68 reflete aquela ocasião (Veja meu artigo
Tambores e os "Instrumentos do Senhor)

Se os tambores estavam relacionados com grandes eventos espirituais na vida dos Israelitas, por que Deus os proibiria? Tampouco seriam eles proibidos por serem ofensivos a Deus pois isso jogaria no lixo toda a adoração Israelita que ocorrerra ao som dos tambores, adoração essa em que Deus "se alegra" (Salmo 149:3).

Portanto, torna-se indefensável a conclusão de que tambores tinham para os Israelitas associações com o paganismo e precisavam ser removidos do culto. Aliás, Bacchiocchi não parece fundamentar essa conclusão em nenhuma outra fonte fidedigna, pois simplesmente diz "segundo alguns estudiosos".

E mesmo que tentemos forçar a falácia lógica da culpa por associação sobre os tambores, veja como a Bíblia aponta para o uso de elementos que tinham conotações negativas e pagãs mas que Deus usou para comunicar verdades ao Seu povo:

- Serpente: Símbolo de Satanás em Gên. 3 e da deusa egípcia do silêncio; usado por Deus para representar a Cristo;
- Ídolo: Deus usou um ídolo para comunicar uma profecia a Nabucodonosor (Daniel 2);
- Cruz: símbolo da opressão, tortura e execuções brutais dos Romanos, usada por Deus para realizar o sacrifício de Jesus;

Já em nossos dias, o arco-íris estaria desqualificado (segundo Moura) como símbolo da promessa pois foi usurpado pelo movimento homossexual. Seria possível aceitar essa argumentação?

Esse são apenas alguns exemplos. Segundo o seu raciocínio, Deus estaria violando um princípio de separação entre santo e profano ao misturar esses símbolos com a verdade. Porém creio que o caso não seja de mistura de santo e profano mas sim que os símbolos tem os significados que damos a eles segundo nossa experiência. Por isso os tambores representavam algo para os Israelitas que poderia ser totalmente diferente para os filisteus por exemplo.

[Sua conclusão de que metsiltayim eram pequenos pratos (segundo Bacchiocchi) não tem apoio da arqueologia: eles variavam em tamanho e poderiam ser instrumentos percussivos grandes também, quase do tamanho dos pratos da bateria hoje (Veja Joachim Braun, Music in Ancient Israel Palestine). Também não sabemos como soava a música israelita exatamente para dizer que ela não era "ritmada". Além disso o ritmo ocorre em toda e qualquer música, ele é um elemento fundamental da música, independente de haver ou não percussão.]

Bastante superficial também é a interpretação (segundo Bacchiocchi) de que os instrumentos do Salmo 150 devem ser meramente "simbólicos" do louvor a Deus pelo fato de que há a menção de música "nos leitos, no firmamento e com espadas"; essa abordagem ignora o contexto em que o Salmo foi escrito: Israel vivia em um contexto bélico em que Deus era seu libertador precípuamente no contexto da guerra por isso a presença das espadas e possivelmente "leitos". (Salmo 68; Salmo 136). Além disso, não há um consenso no hebraico sobre o que esse "firmamento" signifique: pode ser a abóbada da terra o que tornaria esse louvor humano/terrestre primeiramente, o que não exclui necessariamente o louvor dos anjos. A exegese da Bíblia não pode se fundamentar em traduções, precisamos ir à língua original.

4. O uso de EGW no artigo.
Além da escassez das fontes usadas no seu artigo, as citações de EGW não são pertinentes pois não apóiam necessariamente a sua tese de que a percussão seja incompatível com a adoração.  Praticamente um terço do artigo traz citações de EGW e logicamente, o texto de Indiana está ali como suposto apoio às conclusões do autor.

Porém, considere que tanto a citação da passagem de Indiana fora de seu contexto imediato quanto sua aplicação universal mostram uma implícita crença na inspiração verbal do Espírito de Profecia, ou seja, se ela escreveu, pouco importa o contexto em que foi dito, que importa é o fato de que no fim "haverá gritos com tambores".

Mas além de violar regras de interpretação de EGW que ela própria recomendava ("tempo e lugar tem que ser considerados" ME 1:57), esse uso descontextualizado acaba colocando EGW acima da própria Bíblia! Ou seja, a Bíblia diz "louvem a Deus com tamborins" mas EGW diz que não podemos fazer isso! Ela mesma disse que seus escritos devem levar de volta à Bíblia mas como conciliar o fato de que a Bíblia claramente permite a percussão no louvor a Deus e EGW não? Sem dúvida EGW repudiaria o uso de seus escritos para contradizer conceitos bíblicos claros. Ela mesma recomenda que deveríamos estudar os quatro últimos Salmos de Davi. Como seria inconsistente de sua parte escrever isso e ao mesmo tempo repudiar a lista de instrumentos do Salmo 150 como "simbólica" ou refletindo "falta de luz"!

No meu artigo em anexo
Ellen White Era Contra a Bateria? eu exploro o contexto e a intenção de EGW ao escrever "gritos, tambores, música e dança". O artigo tem 12 páginas e tem se tornado referência para pastores sobre o uso dessa passagem. Basicamente o estudo conclui que a "profecia dos tambores" se aplicava especificamente ao movimento da Carne Santa e os tambores que eram usados ali.

É equivocado  portanto concluir que EGW foi transportada para o futuro distante, o fim do mundo em nossos dias e viu o uso da bateria. Ela recebeu a visão em Janeiro de 1900 sobre o que ocorreria em Setembro de 1900, os gritos e tambores (surdos de fanfarra) da Carne Santa. Além disso, note que o padrão das visões de EGW seguem os padrões bíblicos: nenhum profeta viu o futuro em tempo real, sempre em símbolos e com elementos relevantes aos seus dias. No caso de Indiana, ela recebeu uma visão de tambores que seriam usados ali em Indiana.

Prova contundente disso é o fato de que EGW não somente não repete a "profecia dos tambores" em nenhum outro lugar de seus escritos mas também adiciona que o fanatismo viria "de diferentes maneiras". Já em 1908 EGW aplicou esse princípio do 'diferentes maneiras' ao caso dos Mackins, onde manifestações espiritualísticas ocorreram ao som de piano e hinos tradicionais, sem tambores. Isso também pode ser visto nas Igrejas Pentecostais tradicionais onde as manifestações carismáticas ocorrem ao som de violinos e música sacra tradicional (Congregação Cristã no Brasil).

A menos que respeitemos o contexto, tempo e lugar da mensagem à Carne Santa (e de todo o EP), fazemos de EGW uma falsa profetiza pois grande parte do espiritualismo no mundo evangélico hoje ocorre SEM TAMBORES. [As reuniões das Lojas Maçônicas por exemplo preferem música clássica.] Obviamente a profecia de Indiana deve ser entendida como condicional à resposta da Igreja a essas manifestações. Outro exemplo de uma profecia condicional é a de Maio de 1856 em que EGW disse que alguns em sua congregação passariam pelas sete pragas, outros seriam transladados por ocasião da vinda de Cristo e outros seriam comidas de vermes. Salvo equívoco, todos ali se tornaram "comidas de vermes".

Sobretudo, a mensagem à Carne Santa girava em torno das heresias teológicas que necessitavam a criação de um culto com balbúrdia e ruído para que a experiência do "jardim" dos fanáticos realizasse a transformação da pessoa em "carne santa. Por isso, devemos entender a mensagem de Indiana como um alerta a "não dar animação" a esta espécie de culto onde heresias carismáticas podem florescer lembrando sempre do que ocorreu em Indiana em Setembro de 1900.

5. O uso da bateria por instituições Adventistas. A Revista Adventista como publicação oficial da IASD no Brasil tem mostrado recentemente estar em certa dissonância com a realidade musical da Igreja (Ex.: "Louvor Congregacional" Julho 09). A percussão e bateria têm sido usadas de maneira apropriadada por músicos adventistas, muitos deles grupos oficiais da IASD por décadas. Como poderia a Revista Adventista publicar um artigo que praticamente anatematiza toda a produção musical Adventista recente? Foram os líderes musicais da Igreja representados pelos Arautos do Rei, Novo Tempo e DSA consultados sobre sua publicação? Ou seria seu artigo uma tentativa de "reformar" a música baseada numa leitura tendenciosa da "reforma" de Davi?

Creio que esse uso da percussão tem sua base na Bíblia que convida todos os tipos de instrumentos ao louvor a Deus (Salmo 1491-150). Apesar de todo o aparente "malabarismo exegético" que se faz hoje em dia sobre o uso da percussão no Salmo 150, resta o claro e inequívoco aval bíblico para seu uso da música sacra. Obviamente esse uso não justifica o "vale tudo" mas deve acompanhar e apoiar o culto vibrante (Salmo 98), em espírito e em verdade e racional (Rom. 12) que deve ocorrer em nossas Igrejas e os resultados das produções musicais no Brasil apontam para o uso correto destes instrumentos. Sem dúvida o ministério musical adventista tem ajudado em tornar o Brasil o maior país adventista no mundo.

6. O potencial apoio ao extremismo.
Infelizmente temo que seu artigo acaba fomentando aquilo que se propôs a evitar, "extremos" (quiça fundamentalismo?).

Veja, eu cresci na IASD nos anos 80 quando muitas abordagens extremistas eram usadas contra a música que fugia de um padrão estabelecido, o tradicional. As ubíquitas músicas invertidas que passavam por "ciência" levaram a muitos abusos por parte de pastores e líderes da IASD. As acusações equivocadas de "fogo estranho" contra música não-tradicional (apoiadas pelo artigo de Gerson Pires na RA 89 e perpretradas ad nauseam por tradicionalistas desde então) colaboraram no processo de tornar a música adventista um ponto profundamente divisivo na Igreja.

Mais recentemente as palestras de Daniel Spencer ressuscitaram as mesmas abordagens dos anos 80 e muitos estão felizes com isso para detrimento da música adventista atual. Não há problema em ser tradicional necessariamente, desde que não se tente fazer disso o único método pois "nem todas as mentes são alcançadas pelos mesmos métodos." ( Testimonies, vol. 6, p. 116.)

Sabemos que o adventismo surgiu como um contraponto ao tradicionalismo evangélico do século 19. Nossas doutrinas estavam na contra-mão do pensamento e das tradições cristãs. Portanto, ser adventista não é ser "tradicional" necessariamente mas sim ser relevante (verdade presente) e ser acima de tudo, bíblico em suas opiniões:

"É importante que, ao defender as doutrinas que consideramos artigos fundamentais da fé, nunca nos permitamos o emprego de argumentos que não sejam inteiramente retos. Eles podem fazer calar um adversário, mas não honram a verdade. Devemos apresentar argumentos legítimos, que não somente façam silenciar os oponentes mas que suportem a mais acurada e perscrutadora investigação." (Evangelismo, p.166).

___________
Enfim, não pretendo fazer deste um longo email mas sobre outras questões e implicações do conteúdo do artigo em si, gostaria de submeter à sua apreciação os seguintes materiais que publiquei nos últimos 6 meses em meu blog www.AdventismoRelevante.com a pedido de alguns pastores e líderes da IASD. Os artigos estão anexados como PDF neste email e abordavam de maneia exaustiva muitos dos conceitos expressos no seu artigo:



1. Tambores e os "Instrumentos do Senhor"

2. Tambores e os Instrumentos do Senhor: Objeções e Refutações a Vanderlei Dorneles

3. Ellen White Era Contra a Bateria?

4. Fogo Estranho X Fogo do Senhor


Ainda de outros autores e pastores adventistas, sugiro a seguinte leitura:

http://www.novotempo.org.br/advir/?p=1997

http://notanapauta.blogspot.com/search?q=tambores

Finalmente tendo em vista as ressalvas que apontei acima, gostaria de saber se o irmão pretende publicar esclarecimentos sobre o seu artigo em breve?

Peço desculpas pelo longo email e aguardo suas considerações assim que possível.

Com apreço cristão,
André Reis
"No essential, unidade. No não essential, diversidade. Em tudo, caridade." (Agostinho)

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Todos os artigos acima têm versão PDF para fácil leitura e distribuição. Além desses materiais, também recomendo a seguinte resenha sobre o artigo do Dr. Moura publicada pela professora Vanessa Meira.

Maranata~

 

 

 

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Caça-Mitos: Natal, Festa Pagã?





Todo mês de dezembro oferece uma oportunidade a Igrejas Adventistas em todo o mundo de celebrar o Nascimento de Cristo.

Para muitos, porém, esse período é marcado por consumismo e secularismo.


Mas qual deveria ser a posição adventista frente à celebração do Natal?


Os argumentos contra a celebração do Natal são mais ou menos o seguinte: a data 25 de dezembro coincide com um festival romano, possivelmente o Sol Invictus, e por isso a celebração do nascimento de Cristo neste dia tem associações com o paganismo e não deve ser celebrada por Cristãos.


Primeiramente, precisamos entender que há divergências quanto à real razão da escolha da data em dezembro. Alguns argumentam que a data foi escolhida por marcar 9 meses da concepção de Maria, segundo a Festa da Anunciação. Outros ainda acreditam que a data foi escolhida por marcar o solstício vernal no hemisfério Norte que torna o dia mais longo, sendo assim um símbolo desejável do Advento de Cristo que traz "luz ao mundo".


Por outro lado, há indícios de que o nascimento do Sol transformou-se em um símbolo de Jesus para Cristãos na época em que o Natal foi instituído. Fatos históricos mostram que a simbologia de Cristo como SOL INVENCÍVEL (Sol Invictus) surgiu no cristianismo já no ano de 250A.D., como pode ser vista em uma pintura descoberta em um ruínas de um mausoléu sob a Catedral de São Pedro no Vaticano.


Essa prática parece ter-se baseado em Malaquias 4:2:


"Mas para vós, os que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo curas nas suas asas; e vós saireis e saltareis como bezerros da estrebaria."


Esse simbolismo de Jesus Cristo como o Sol Invictus se deve possivelmente ao fato de que os cristãos fiéis na época do surgimento do Natal (3-4 Séculos) viviam em constante conflito com o estabelecimento romano e muitos desses símbolos, em vez de representar um sincretismo religioso, proviam na realidade uma contrafação cristã à simbologia idólatra romana.


O Natal foi instituído com o único objetivo de celebrar a Natividade.  A acusação de sincretismo religioso não tem força.


Por isso, creio que a rejeição das celebrações de Natal devido a supostas "origens pagãs" carece de respaldo histórico. E mesmo que houvesse essas associações periféricas, o argumento ainda estaria baseado na falácia lógica da culpa por associação, ou seja, se a data da celebração do Natal coincide com um festival pagão, então essa associação com o paganismo desqualifica o Natal.


Há também outra falácia lógica aí, a "falácia genética" em que a origem de certa afirmação (ou evento) aprova ou desaprova sua validez. Por exemplo, José diz que 1+1=2; meus pais dizem que 1+1=666; José está errado porque acredito em meus pais.)

A argumentação contra o  Natal continua dizendo que, porque ele foi instituído pela Igreja Católica, aceitá-lo seria como aceitar a guarda do domingo. Mas veja que o Cânon Sagrado também foi preservado pela Igreja Católica e finalizado ao redor do mesmo tempo do estabelecimento do Natal. Por que não vemos os críticos do Natal rejeitando a Bíblia por suas associações com o catolicismo?


Símbolos têm o significado que damos a eles.

A Bíblia tem vários exemplos de símbolos pagãos que foram usados para expressar verdades eternas, como a serpente no deserto que era símbolo de um Deus egípcio e símbolo do Dragão (Apo. 12) mas que Deus usou como símbolo de Cristo (João 3:14). A cruz era símbolo de tortura e opressão pelos romanos mas Deus a usou para realizar a expiação. O uso cristão desses símbolos modificou suas conotações.


Invertendo um pouco a analogia, o arco-íris foi usurpado pelo movimento homossexual e tem hoje fortes associações pagãs. Por que não vemos os críticos do Natal rejeitando o arco-íris como um símbolo da promessa divina por causa dessa associação?
Símbolos têm o significado que damos a eles.

É certo que a Bíblia não revela a data do nascimento de Cristo e muitos se apegam a isso também para rejeitar o Natal. Mas não temos na Bíblia tampouco uma condenação de celebrações da Natividade. Saber a data é irrelevante, pois comemoramos o evento e não uma data! Quem sabe Deus velou a data para nos concentrarmos justamente no evento, já pensou nisso?


Aliás, a grande celebração que houve no céu e na terra naquela ocasião nos autoriza cristãos em todo o mundo a repetir o "cântico de Belém". Veja:


"Glória a Deus nas alturas,

Paz na Terra, boa vontade para com os homens." Luc. 2:14.

Quem dera que a família humana pudesse hoje reconhecer este cântico! A declaração então feita, a nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra. Quando se erguer o Sol da Justiça, trazendo salvação sob Suas asas, esse cântico há de ecoar pela voz de uma grande multidão, como a voz de muitas águas, dizendo: "Aleluia, pois já o Senhor Deus todo-poderoso reina." Apoc. 19:6.

A história de Belém é inexaurível. Nela se acham ocultas as "profundidades das riquezas, tanto da sabedoria como da ciência de Deus". Rom. 11:33." (O Desejado de Todas as Nações, p. 48)

Veja como E. G. White também usa a analogia do nascimento do Sol ao falar do nascimento de Cristo!


"A nota vibrada então, avolumar-se-á até ao fim do tempo, e ressoará até aos extremos da Terra
." A menos que eu e você façamos essa nota angélica soar o som desse hino morreu 2.000 atrás! Nós somos as vozes desse anjos para as pessoas HOJE!

Como celebrar na Igreja?


Estatísticas demonstram que o Natal é o período do ano em que as pessoas se acham mais abertas a assuntos espirituais. Temos aí uma oportunidade fantástica de testemunhar. O ideal então seria celebrar TODO o mês de dezembro como um período de festa espiritual, não necessariamente só o dia 25 de dezembro.

Não devemos desperdiçar essa oportunidade com discussões fúteis e falaciosas sobre o "paganismo" do Natal. Façamos do Natal um evento Cristão porque Cristo é o centro!

Muitos dos comentários de adventistas contra o Natal em blogs e fóruns exalam um azedume injustificável contra as celebrações Natalinas. Alguns até chamam o período de "maldito Natal".  No mesmo capítulo do Desejado, E.G. White também revela a atitude de Satanás para com o nascimento de Cristo:


"Satanás aborrecera a Cristo no Céu, por causa de Sua posição nas cortes de Deus. Mais O aborreceu ainda quando se sentiu ele próprio destronado. Odiou Aquele que Se empenhou em redimir uma raça de pecadores. (DTN 49)


Creio que corremos o risco de cair no mesmo espírito do inimigo ao nos opormos ao Natal com um "engano satânico" apesar de toda a beleza de seu significado cristão. Também não é cristão impor nossos devaneios sobre o paganismo sobre irmãos que estão querendo usar esse período para celebrar a Cristo.


Há quem defenda o Hanukkah como uma festa que Jesus possivelmente aprovaria neste período, pois ele teria participado dela quando criança. A dificuldade em aceitar essa idéia é que primeiramente não há provas que Jesus tenha realmente participado de tal festa (veja João 10:22-24); mas independente desse detalhe, é difícil conceber que Jesus preferiria celebrar uma festa judaica pré-cruz que era uma mera "sombra" dele próprio em detrimento da celebração da sua própria encarnação! O Hanukkah para os judeus hoje também significa "liberdade religiosa" e é mais uma declaração política do que espiritual.


Qual deveria ser nossa atitude para com o Natal? Deveríamos nós adventistas rejeitar o Natal por origens pagãs?  


Não, pois não há na celebração da Natividade "origens pagãs".
Apesar de o Natal possivelmente coincidir com outras datas seculares, em si, ele celebra um evento profundamente Cristão, a encarnação de Jesus Cristo. O EVENTO celebrado é que cristianiza a data.

Alguns acham que o Natal pode ser celebrado mas de maneira diferente: não deveria ser celebrado na Igreja, para os "santos" e sim fazendo obras de caridade, cuidando de enfermos, mendigos, etc.


Sem dúvida, Jesus foi o "servo dos servos" e celebrá-lo deveria levar-nos ao serviço. Portanto, vamos fazer o bem neste período pois as pessoas estão abertas a isso: mutirões de Natal, ministérios pessoais, beneficência cristã.


Confesso que minhas lembranças do Natal no Brasil não são boas. As músicas de Papai Noel tinham a preeminência. Moro nos EUA há 13 anos e só aqui aprendi a apreciar o lado Cristão do Natal. Não só pela mudança de estação, (a maioria dos meus Natais aqui foi no inverno com neve!) mas porque há uma verdadeira explosão de celebração de Jesus Cristo no mundo Cristão aqui. Há também o secularismo e consumismo mas este espírito não se sobrepõe ao significado cristão do período.


Sugiro que os Adventistas sejam um líderes de uma revolução cultural com grandes celebrações de Natal com musicais, cantatas, programas especiais na Igreja e para a comunidade. Que nossas Igrejas chacoalhem o torpor e dúvidas que as envolvem sobre esse período e se encham de hinos de louvor ao bebê de Belém!

Que haja enfeites, luzes, árvores de Natal (afinal, a árvore é um símbolo de Jesus também!), encenações de Natal e tudo o que exalte o nome daquele que nasceu em Belém.


Voltando à pergunta inicial: o Natal é pagão?


Tudo depende de COMO o celebramos:


Se nos ajoelhamos perante os deuses consumistas desse século, ele será pagão e secular.


Se nos ajoelhamos ao pé da manjedoura e contemplamos o mistério da encarnação, faremos de Cristo o centro!


Espero que seu Natal seja um período de luz, paz e ESPERANÇA!


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Nosso Novo Sistema de Comentários Permite Réplicas Diretas

Agora vc poderá responder diretamente a comentários em nossos posts bem como avaliar os comentários clicando em Gostei. Veja abaixo:




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Por que Jesus Demora Tanto Pra Voltar?



Amigos leitores, o texto abaixo é um pouco diferente do que eu tenho produzido até aqui. É em estilo de estudo bíblico, sem muitas notas de rodapé e ao ponto, espero...

 

__________

Por que está demorando tanto para Jesus voltar?

Com certeza eu e você já nos fizemos essa pergunta muitas vezes. Quando ligamos a TV, lemos jornais na internet ou recebemos emails com notícias de crimes hediondos, catástrofes naturais, terrorismo e outras coisas mais, essa pergunta chega até a tomar um quê de revolta contra Deus por permitir que isso continue acontecendo. Pior ainda é quando essas desgraças nos atingem diretamente através da morte de um ser querido ou alguma outra tragédia pessoal.

Por que demoras Senhor?

Será que não vês o que temos que aguentar aqui neste mundo?

Pra que ficarmos mais tanto tempo aqui nesta terra? Será que a tua promessa falhou?


São perguntas importantes, e sem dúvida se você as faz, é porque de certa forma Deus o está levando a querer estar com Ele logo!


Mas o que a Bíblia diz coisa sobre essa "demora" de Jesus?

Essa ansiedade e até dúvida devido à "demora" de Jesus não é nova. O apóstolo Pedro alertou os cristãos já do primeiro século (mais de 1900 anos atrás!) dizendo que "nos últimos dias virão escarnecedores com zombaria andando segundo as suas próprias concupiscências, e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação." (2 Pedr. 3:4).

Parece que Pedro está falando aos nossos dias não é? Mas na verdade, Pedro cria que ele mesmo vivia nos "últimos dias" e estava já convivendo com a dúvida da promessa de Jesus no primeiro século!

Mas espere um pouco, Jesus não falou mesmo: "Eis que cedo venho" em Apo. 22:12? Por que então já se passaram quase 2.000 anos desde que ele falou isso?

É verdade. Mas considere o seguinte: Deus em Seu amor não revelou exatamente quando seria o fim do mundo. Só existe uma profecia bíblica que dá uma idéia de quanto tempo demoraria. Ela está em Daniel 8:14 e coloca o início do tempo do fim mais ou menos 2300 anos à frente do tempo do profeta (cerca de 1800A.D.). Só que Deus "selou" ou "lacrou" essa profecia para que ninguém desvendasse seu mistério. Somente aqueles que viveriam depois de 1800 é que entenderiam essa profecia! Hoje nós podemos entendê-la, pois vivemos neste tempo do fim.

E isso tem uma boa razão de ser. Imagine como teria sido triste a vida dos crentes dos séculos passados se eles soubessem que Jesus não viria nos seus dias. Imagine se eles tivessem descoberto pelas profecias que Jesus demoraria ainda séculos para voltar! Teriam desanimado facilmente ou abandonado a fé. A promessa de Jesus que viria "cedo" ou "logo" fazia seus corações vibrarem. Sua vida cristã tirava forças da promessa do retorno de Jesus para seus dias, assim como o nosso hoje.

E considere também duas coisas:

1. A brevidade da vida humana. Adão viveu até 950 anos, hoje o máximo que alguns chegam é 100 ou 120. Esperar pelo fim do mundo hoje é muito mais "rápido" do que para os primeiros seres humanos.

2. Ninguém vê o tempo passar durante a morte. Ela é um período de inconsciência. Segundo a Bíblia, aqueles que morreram nesta esperança não terão noção da passagem de tempo, se demorou séculos ou até milênios, pois entre o momento em que fecharam os olhos na morte e a sua ressurreição para a vida eterna quando Jesus voltar, terá passado somente um milésimo de segundo! (Veja Filipenses 1:21-24; I Coríntios 15:51-52).

Sem dúvida Jesus não estava dando falsas esperanças quando disse "cedo venho"!

Mas vamos voltar ao que Pedro escreveu há muito tempo atrás, sobre a demora da vinda de Cristo: "Mas vós, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia." (2 Ped. 3:8).

Aí você pode dizer, "mas isso é pra Deus não pra nós!"

Mas eu tenho a impressão de que Pedro está querendo dizer aqui que a salvação de certa forma já está consumada pelo que Jesus realizou na cruz e por isso, não importa quanto tempo demore para Deus interferir na história, se um dia ou mil anos, a nossa salvação está garantida em Jesus!


Mas isso ainda não responde o porquê da "demora"!


Novamente Pedro nos ajuda a entender porque aparentemente demora para Jesus voltar:

"O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se." (2 Ped. 3:9).

Você viu, Deus tem um propósito de amor ao "demorar", Ele quer que todos tenham uma chance de arrepender-se e ganhar o céu através de Jesus. Deus não está lá no céu de braços cruzados, alienado do que acontece aqui neste mundo em vez de fazer algo e acabar com tudo isso. Ele está trabalhando ativamente para que o máximo de pessoas venham a conhecer suas promessas e Seu amor. Você também já pensou que a cada dia nascem novos bebês e que Deus ama bebês? Ele quer que esses bebês cresçam e tenham a chance de escolher servi-Lo. Nada O alegra mais do que uma "pecador que se arrepende" (Luc. 15:7). Isso não significa que Deus vai esperar para sempre. Paulo diz que Deus tem um dia marcado para julgar o mundo (Atos 17:31).

Mas será que não há como saber se vai demorar muito ainda a Sua vinda?

Embora Deus não tenha revelado o dia e a hora exata do retorno de Jesus, Ele deu alguns sinais de que o tempo do fim estaria próximo: haveria sinais nos céus e catástrofes na terra, guerras, fomes, falta de amor entre as pessoas (Mateus 24). Com esses sinais, sabemos que já estamos no tempo do fim pois vemos isso na TV e internet todos os dias. Só não sabemos quanto tempo ainda vai demorar.

Aqui novamente, Pedro nos ajuda a entender quanto vai demorar esse dia:

"Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas." (2 Ped. 3:10)

Pedro diz aqui que a vinda de Jesus será uma surpresa para todos, como quando um ladrão age! E outra coisa, não importa quanto tempo demore, quando Ele vier, não terá demorado um segundo demais, pois ninguém estava esperando que fosse tão rápido! Uma escritora cristã diz que naquele dia muitos dirão "Sabíamos que os juízos de Deus sobreviriam à Terra, mas não sabíamos que viriam tão cedo!"*

O apóstolo Paulo adiciona dizendo: "Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos surpreenda; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas; não durmamos, pois, como os demais, antes vigiemos e sejamos sóbrios." (1 Tess. 5:4-6).

Finalmente, já que Pedro parece ter respondido as nossas perguntas, vamos deixá-lo finalizar nosso estudo:

"Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça."(2 Ped. 3:13)

Aí está o segredo da espera, "a sua promessa"! Pedro cria que o fim viria porque Jesus prometeu, e pronto! Isso sim é que é fé, pura e simples nas palavras de Jesu "credes em Deus, crede também em mim." (João 14:1).

Ele prometeu, então Ele vai voltar!

Ele prometeu, não importa quanto demore!

Ele prometeu, não preciso e nem posso duvidar!

A Bíblia nos ensinou hoje que existem dois tipos de "impaciência" com a "demora" da Sua vinda: a dos que querem estar eternamente com Deus o mais rápido possível pois O amam e a impaciência daqueles que usam essa "demora" para duvidar de Deus e para continuar em seus caminhos de pecado, fazendo sua própria vontade e se afastando cada vez mais dEle.

Em que grupo você está? 

Medite nas palavras desta conhecida canção:

Porque não voltou o meu Senhor
Pergunto a mim mesmo sem cessar.
Porque não foi hoje eu não sei
E quando será também não sei
Mas quem sou eu pra questionar
As coisas que velou?
E quem sou eu pra perguntar
Por que ainda não voltou?
Mas de uma coisa certo estou
Que meu Jesus jamais falhou
E é muito sábio para errar
Se ainda não voltou, é tempo de pensar
E ainda mais Jesus, amar
Quem sabe está a esperar que eu tenha mais fervor,
A fim de encontrá-lo, em paz.


(Jader Santos)

Um abraço!
André Reis

______________________________

* E. G. W., Maranata, p. 23.
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O Papa Bento XVI é o "Sétimo Rei"?



Clique aqui para baixar versão PDF.


Com o lançamento do filme "2012", o interesse das pessoas no fim do mundo se intensifica. E diz-se por aí que a morte de João Paulo II e a eleição de Bento XVI foi predita na Bíblia como sinal do fim. Mas será que é verdade?
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Apocalipse 17:7-11 é uma das passagens mais difíceis de toda a Bíblia. Muitas interpretações drasticamente divergentes têm sido propostas para esta passagem, não só por Adventistas mas por outras denominações também. Este artigo propõe uma das interpretações mais aceitas na IASD atualmente e suas implicações para a interpretação de que os sete reis representam sete papas recentes, o que faria de Bento 16 o "sétimo rei" (v. 10). O artigo também expõe alguns problemas com outras interpretações historicistas adventistas atuais. Aqui vai a passagem na versão Almeida Atualizada:

"7Ao que o anjo me disse: Por que te admiraste? Eu te direi o mistério da mulher, e da besta que a leva, a qual tem sete cabeças e dez chifres. 8A besta que viste era e já não é; todavia está para subir do abismo, e vai-se para a perdição; e os que habitam sobre a terra e cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo se admirarão, quando virem a besta que era e já não é, e que tornará a vir. 9Aqui está a mente que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada; 10são também sete reis: cinco já caíram; um existe; e o outro ainda não é vindo; e quando vier, deve permanecer pouco tempo. 11A besta que era e já não é, é também o oitavo rei, e é dos sete, e vai-se para a perdição."

A pergunta crucial para o entendimento correto da passagem é: A que tempo o anjo se refere ao dizer das cabeças da besta no verso 10 que "cinco já caíram, um é, outro ainda não é vindo"?

Essa pergunta pode ser respondida por dois princípios interpretativos[1] que regem a interpretação de profecias tanto do Antigo quanto do Novo Testamento:

1. A profecia é relevante ao tempo do profeta. Em outras palavras, a profecia não é simplesmente para saciar a curiosidade do profeta sobre um futuro distante, mas sim para revelar a ação constante de Deus na história do Seu povo, inclusive no momento em que o profeta vive, no seu contexto e circumstâncias imediatas. Embora as profecias transcendam muitas vezes esse contexto, elas se fundamentam no tempo do profeta, usam elementos com os quais ele está familiarizado e se entendem a partir desse tempo e contexto. Exemplos disso são o ídolo de Nabucodonosor em Daniel 2 e os gafanhotos, os selos, as trombetas e as taças do Apocalipse. Deus não mostrou a Daniel e João e outros profetas elementos desconhecidos como bombas nucleares, aviões, helicópteros, computadores, internet, automóveis, etc.

Ellen White articula esse ponto dizendo que "[Deus] vai ao encontro dos caídos seres humanos onde eles se acham. Perfeita como é, em toda a sua simplicidade, a Bíblia não corresponde às grandes idéias de Deus; pois idéias infinitas não se podem corporificar perfeitamente em finitos veículos de pensamento." (ME 1: 22). O Dr. Jon Paulien, atual reitor da Universidade Adventista de Teologia de Loma Linda e autoridade em Novo Testamento e profecia concorda que "A abordagem adventista crê que Deus coloca nas visões apocalípticas informações precisas sobre o futuro distante, mas este futuro é descrito na linguagem do tempo e lugar do profeta."[2]

2. Deve haver distinção entre o tempo da visão e o tempo da interpretação da visão. Na visão propriamente dita, o profeta viaja a tempos e lugares diferentes (tempo transcendente; cf. Apo. 17:3). A explicação da visão, por sua vez, deve ser para benefício do profeta e tem como ponto de referência o tempo do profeta (tempo local). Na explicação da visão, passado, presente e futuro não se referem ao tempo que passa na visão e sim ao momento histórico do profeta para que haja referencial. E os elementos e símbolos da visão também, embora seu significado transponha a barreira de tempo, estão baseados no tempo do profeta. Usando ainda a estátua de Nabucodonosor como exemplo, ela tinha implicações para o tempo do fim mas está firmada no tempo do rei: na visão, Deus revelou um ídolo que era comum ao rei. Deus poderia ter usado outros símbolos mas usou algo que Nabucodonosor entenderia imediatamente. A estátua que ele mandou construir e adorar refletia o entendimento da visão que ele tivera para o seu tempo. Já para Daniel, a mesma visão foi dada usando a temática da Criação.[3]

Aplicando agora esses dois princípios a Apocalipse 17:7-11, podemos criar o seguinte cenário:

Cena 1: Discurso angélico: Anúncio do início da visão (tempo local): "Vem, mostrar-te-ei..." (v. 1-2)

Cena 2: Visão propriamente dita (tempo transcendente): "Então me levou em espírito a um deserto ..." (3-6)

Cena 3: Fim da visão (tempo local): "Ao que o anjo me disse: Por que te admiraste?" (7a)

Cena 4: Discurso angélico: Explicação da Visão (tempo local): "Eu te direi o mistério da mulher e da besta" (7b)

Note que a explicação não inclui outra visão, como se João fosse transportado novamente a outro período da história durante a explicação. A explicação é baseada na visão da besta e da meretriz ("a besta que viste") e baseia-se no tempo local de João. O texto não permite concluir que João foi levado a um tempo futuro durante a explicação, supostamente o tempo do cumprimento da visão.

Esta distinção é importante, pois segundo o Dr. Ekkehardt Müller do Biblical Research Institute da Conferência Geral: "Durante a visão o profeta se move livremente em tempo e lugar . ... A interpretação da visão, no entanto, tem que se relacionar com o tempo e o lugar do profeta para que faça sentido e para que saibam em que tempo localizar os eventos preditos."
[4] Paulien adiciona que "Se queremos entender o que Deus está dizendo a João sobre o futuro, precisamos primeiramente entender o que João entendeu. "[5]

Note também que o anjo explicou para que João pudesse entender a visão e não continuasse "maravilhado" que no original grego é "admiração com medo, estarrecimento" (cf. Daniel 8:27).[6] Lembre-se também que Jesus profere uma bênção sobre aqueles que "ouvem e guardam as palavras desta profecia" (Apo. 1:3). No original esse ouvir (akou­o) é "ouvir com entendimento", o que pressupõe que o autor e os leitores entenderam a mensagem do Apocalipse como relevante aos seus dias e não exclusivamente a um futuro distante.

A opinião de que "um é" se refere ao tempo de João tem apoio de estudiosos adventistas e eruditos evangélicos. O primeiro a propô-la foi Urias Smith [7] e mais recentemente ela teve o apoio dos Dr. Kenneth Strand[8], Dr. Jon Paulien [9], Dr. Ranko Stefanovic [10] e Dr. Ekkehardt Müller.

Portanto, há fortes evidências que a explicação da visão de Apocalipse 17 deve se fundamentar no tempo de João. Sendo assim, os "cinco" (v.10) já haviam passado no tempo de João e o sexto estava presente no tempo dele (c. 95 A.D); o sétimo estava por vir no futuro, ficaria "pouco tempo" e o oitavo seria da mesma natureza dos outros ("é dos sete") e iria "para a destruição" ou seja, surgiria imediatamente antes do juízo. A idéia aqui é sequência histórica. Considerando então que "reis" e "montes" (v. 9, 10) em profecia representam reinos e impérios (Daniel 2; Jeremias 51), e não indivíduos (Papas),[11] essas cinco cabeças da besta ou reis significariam cinco impérios opressores do povo de Deus que já haviam passado ou "caído" no tempo de João.

A seguinte lista dos impérios que "caíram" tem apoio de vários eruditos adventistas:[12] Egito, Assíria, Babilônia, Pérsia e Grécia.[13] O fato de que os "montes" são "reis" consecutivos ("caíram, é, virá"), ou seja, em sequência histórica, descarta a interpretação de que esses "montes" se referem aos sete montes literais de Roma, pois montes não tem sentido de sequência ou sucessão histórica. A linguagem aqui é claramente simbólica.

O Dr. Paulien conclui sobre as cabeças de Apocalipse 17 que "... há evidências no livro do Apocalipse de que as três bestas podem representar a sexta cabeça (Apocalipse 12 - Roma pagã do tempo de João), a sétima cabeça (Apocalipse 13 - Roma Papal que sucedeu a pagã) e a oitava cabeça (a besta de Apocalipse 17 - a unidade política mundial.)"[14] Ele propõe que "o dragão do capítulo 12, a besta do mar do capítulo 13 e a besta escarlata do capítulo 17 são três diferentes estágios da mesma besta"[15] o que é pode ser visto nas características compartilhadas pelas três bestas. Portanto, com base no que vimos até agora, poderíamos criar a seguinte linha de tempo de Apocalipse 17:7-11:




A sugestão acima é compatível com os princípios de interpretação de visões proféticas delineados anteriormente e apresenta a leitura mais natural do texto, principalmente no que tange a distinguir entre o referencial de tempo que ocorre na visão (tempo transcendente) com o referencial de tempo da explicação (tempo local). Note também que essa interpretação em nada desmerece a parte que o Papado terá nos eventos finais; segundo o entendimento adventista, a sua atuação está claramente estabelecida na em Apocalipse 13 e 18.

Essa interpretação também enfraquece outras interpretações adventistas historicistas atuais que, embora não considerem os Papas como reis, ignoram a importante distinção entre visão e acabam propondo que João foi levado a outro tempo durante a explicação (o que não tem base no texto) considerando assim que os "cinco caíram" no momento da ferida mortal (1798 A.D.).[17] Outras mostram inconsistência ao interpretar "um é" no tempo de João (Roma Pagã) enquanto transpõem a besta que "não é" a um tempo futuro (Papado ferido).

Finalmente, apesar de a interpretação proposta aqui ser a mais plausível, Apocalipse 17 provavelmente continuará sendo um texto "difícil" para estudantes das profecias.

Conclusão: Os "cinco caíram, um é e outro ainda não é vindo" de Apocalipse 17:10-11 são melhor entendidos na perspectiva do tempo de João no primeiro século A.D. Essa interpretação descarta por completo a hipótese de que os seis reis são Papas do século XX e que o sétimo seja Bento XVI.[18] Ela também questiona a opinião de que João foi transportado a outro tempo durante a explicação removendo assim o referencial de tempo dos vários períodos delineados pelo anjo.

Certamente todos anseiamos pelo retorno de Jesus. Porém, tentar decifrar "tempos ou épocas" (Atos 1:6-7) através de especulações e sensacionalismo por uma leitura distorcida dos eventos atuais leva a falsas esperanças e desvia a atenção dos verdadeiros sinais do fim. Acima de tudo, nossa confiança na Segunda Vinda deve estar firmemente embasada na promessa de Jesus:

"Eis que cedo venho; bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito; vou preparar-vos lugar. E, se eu for e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos tomarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também." (Apo. 22; João 14:1-3)

"Por isso, confortai-vos uns aos outros com essas palavras." (1 Tess. 5:11).


Maranata~

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E a Besta de Apocalipse 17?

A interpretação dos oito reis de Apo. 17 na perspectiva do tempo de João nos leva a perguntar: Como então entender as fases da besta de Apocalipse 17:8 que 'era, não é e subirá do abismo (tornará a vir)' usando o mesmo critério? 


Aqui vai o verso completo:

"A besta que viste era e já não é; todavia está para subir do abismo, e vai-se para a perdição; e os que habitam sobre a terra e cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo se admirarão, quando virem a besta que era e já não é, e que tornará a vir."


Lembra-se do que o Dr. Jon Paulien falou acima que "o dragão do capítulo 12, a besta do mar do capítulo 13 e a besta escarlata do capítulo 17 são três diferentes estágios da mesma besta"? Então note como o texto traz um paralelo entre a besta que "era, não é, e que tornará a vir" (Apo. 17:10) e Deus "que era, que é, e que há de vir" (Apo. 1:4). Isso parece indicar que a besta do capítulo 17 representa aspectos da trajetória do próprio Satanás, o dragão do capítulo 12 e que desde o início quis ser igual a Deus (Isa. 14:12). Embora ele sobreviva através dos reis ("um é, outro virá, o oitavo é a besta"), seu reino está tecnicamente derrotado a partir da cruz em 31A.D. (Apo. 12:12, Luc. 10:18). Algumas evidências textuais parecem favorecer esta interpretação:

"Vi uma mulher montada numa besta cor de escarlata". Essa é a mesma cor do dragão de Apo 12:3 que é um dos símbolos de Satanás: "um grande dragão vermelho".

"Subirá do abismo". A besta está no abismo que é símbolo da morada de demônios cujo rei é o anjo Abadom ou Apoliom, que simboliza Satanás (Apo. 9:2-11, cf. Mat. 12:24). Veja também Apo. 20:1; Isa. 24:21; Lucas 8:31; 2 Ped. 2:4; Jud. 6. A besta sobe do abismo para travar a última batalha contra Deus, com a ajuda dos dez reis e da meretriz.

"Vai-se para a perdição". A destruição do poder e influência de Satanás sobre a humanidade na Segunda Vinda (Apo. 20:1-3) que culmina com sua destruição definitiva no fim do milênio (Apo. 20:10).

Assim, levando em conta a perspectiva do tempo de João, é possível construir a seguinte sequência histórica da besta do abismo de Apocalipse 17 como sendo um símbolo do próprio Satanás: (O diagrama abaixo é uma sugestão baseada em parte nos estudos do Dr. Jon Paulien, Seminário Adventista de Loma Linda e Dr. Ekkehardt Müller do Biblical Research Institute):



A Besta de Apo. 17

    Éden - Cruz (31a.d.)                   31a.d.    ---     c. 95a.d.                 Ressurgimento final
"era"
"não é"
(está no abismo)
"todavia está para subir do abismo e vai-se para a perdição"
Reinado Satânico do
Éden até a Cruz
Tempo de João e além
Satanás Derrotado desde 31A.D.

(Apo. 12:12;  cf. Lucas 10:18;

 Ellen White: "Quando Cristo abaixou sua cabeça e morreu, ele derrubou os pilares do reino de Satanás consigo ao chão." YI, 25/04/1901).

Batalha Satânica imediatamante antes da Segunda Vinda que culmina com o aprisionamento de Satanás durante o Milênio e sua posterior destruição no lago de fogo
 

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[1] Veja Jon Paulien, Revelation 17 and the Papacy (Berrien Springs: Endtime Issues; 2002), 30.
[2] Ibid., 32.
[3] Ibid., 31.
[4] Ekkehardt Müller, Revelation 17: A Suggestion. (Monografia não publicada divulgada pela Adventist Theological Society), 8.
[5] Paulien, 32.
[6] Paulien sugere que o estarrecimento de João se deve ao fato de que na visão de Apo. 12 ele havia visto a mulher no deserto (Igreja pura) sendo atacada pelo dragão mas em Apocalipse 17 uma mulher (meretriz) está intimamente relacionada à besta. João pode ter entendido que a mulher pura e fiel estava agora "prostituída".
[7] Urias Smith, Daniel and the Revelation, Edição revisada (Nashville: Southern Publishing Association, 1944), 711.
[8] Kenneth A. Strand, “The Seven Heads: Do They Represent Roman Emperors?” em Symposium on Revelation— Book II, editado por Frank B. Holbrook, Daniel and Revelation Committee Series, vol. 7 (Silver Spring, MD: Biblical Research Institute, 1992), 191.
[9] Paulien, 37.
[10] Veja Ranko Stefanovic, Revelation of Jesus Christ. (Berrien Springs: Andrews University Press: 2002), 512.
[11] Poderia também se argumentar que o Vaticano é um império cujo rei é o Papa mas a linha de tempo no século XX não coincide com "cinco já caíram" no tempo de João.
[12] Stefanovic, 512; Paulien 23, 37.
[13] Algumas interpretações rejeitam esta lista porque o Egito e Assíria não estão entre os reinos de Daniel 7 e não poderiam estar no Apocalipse. No entanto, há fortes alusões à experiência de Israel no Egito nas sete pragas em Apo. 16 que coincidem com as sete trombetas de Apo. 8-11. Segundo Jon Paulien, há também uma alusão clara à Assíria em Apo. 8:7 baseada em Isa. 10:16-19. Além disso, o Apocalipse não se limita ao que Daniel revelou necessariamente mas desenvolve seus temas de maneira mais ampla. Ellen White diz que: "No Apocalipse todos os livros da Bíblia se encontram e se cumprem. Ali está o complemento do livro de Daniel. " (AA, 585).
[14] Paulien, 34.
[15] Ibid., 27.
[16] Veja Müller, 38.
[17] A besta e a meretriz devem ser mantidas como entidades distintas; a besta representa a ação Satânica através de poderes políticos e a meretriz, poderes religiosos apostatados; veja que em Apo. 17:16, a besta e os dez chifres se voltam contra a meretriz e a destroem. Veja o Apêndice sobre a besta do abismo.
[18] Uma interpretação ainda mais radical dos reis como Papas é a de que o oitavo rei seria a reencarnação de João Paulo II.


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Seria Errado Ter Árvore de Natal na Igreja?

Olá!

Está se aproximando o Natal, e os preparativos para o mesmo já começaram. Os momentos de festa objetivam, também, deixar-nos mais cheios de alegria, e não de dúvidas. E entre nós cristãos, a cada fim de ano, sempre surge esta pergunta: “Seria errado ter uma árvore de natal na igreja?”. Bom, desta vez, vou deixar que uma conselheira bem mais experiente que eu responda a pergunta.

Portanto, com você, Ellen G. White: “Deus muito Se alegraria se no Natal cada igreja tivesse uma árvore de Natal sobre a qual pendurar ofertas, grandes e pequenas, para essas casas de culto. Têm chegado a nós cartas com a interrogação: Devemos ter árvores de Natal? Não seria isto acompanhar o mundo? Respondemos: Podeis fazê-lo à semelhança do mundo, se tiverdes disposição para isto, ou podeis fazê-lo muito diferente. Não há particular pecado em selecionar um fragrante pinheiro e pô-lo em nossas igrejas, mas o pecado está no motivo que induz à ação e no uso que é feito dos presentes postos na árvore.
A árvore pode ser tão alta e seus ramos tão vastos quanto o requeiram a ocasião; mas os seus galhos estejam carregados com o fruto de ouro e prata de vossa beneficência, e apresentai isto a Deus como vosso presente de Natal. Sejam vossas doações santificadas pela oração”. Review and Herald, 11 de dezembro de 1879.
“As festividades de Natal e Ano Novo podem e devem ser celebradas em favor dos necessitados. Deus é glorificado quando ajudamos os necessitados que têm família grande para sustentar”. Manuscrito 13, 1896.
Árvore de Natal com Ofertas Missionárias não é Pecado
Não devem os pais adotar a posição de que uma árvore de Natal posta na igreja para alegrar os alunos da Escola Sabatina seja pecado, pois pode ela ser uma grande bênção. Ponde-lhes diante do espírito objetos benevolentes. Em nenhum caso o mero divertimento deve ser o objetivo dessas reuniões. Conquanto possa haver alguns que transformarão essas reuniões em ocasiões de descuidada leviandade, e cujo espírito não recebeu as impressões divinas, outros espíritos e caracteres há para quem essas reuniões serão altamente benéficas. Estou plenamente convicta de que inocentes substitutos podem ser providos para muitas reuniões que desmoralizam”. Review and Herald, 9 de dezembro de 1884.
O meu desejo, querido irmão, é que, neste Natal, sua igreja possa ser uma benção cristã para a sociedade.
Boas festas!

Fonte: www.Advir.com.br [Pr. Valdeci Junior)
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Novo Tempo Lança Site "O Fim do Mundo"









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Igreja Católica Abre Portas para Anglicanos

Amigos, esse site não pretende ser outro veículo alarmista de "escatologia".

Mas a notícia abaixo é digna de nota. Numa decisão sem precedentes, a Igreja Católica aceita Anglicanos que saíram da ICAR há 450 anos. A notícia abaixo foi publicada hoje pela Gaudium Press.
 
Uma das razões é aumentar a "diversidade" da Igreja Católica. Quem lê, entenda...


Cidade do Vaticano (Terça, 20-10-2009, Gaudium Press). A Igreja Católica irá estabelecer uma nova estrutura canônica, denominada Ordinariatos Pessoais, para os religiosos anglicanos que desejarem entrar "em plena e visível comunhão" com a Igreja. O anúncio da nova estrutura foi feito hoje pela manhã durante coletiva de imprensa na Sala de Imprensa da Santa Sé pelo cardeal William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, que sucedeu ao então cardeal Joseph Ratzinger no cargo.

"Com a preparação de uma Constituição Apostólica, a Igreja Católica está respondendo aos muitos pedidos que foram submetidos à Santa Sé por grupos de clérigos e fiéis anglicanos, em diferentes partes do mundo, que desejavam entrar em plena comunhão com a doutrina católica", explicou o cardeal Levada. O documento será publicado em breve.

Isso significa que a Igreja Católica abre suas portas para que antigos anglicanos "entrem em plena comunhão com a Igreja Católica enquanto preservam elementos do distinto patrimônio espiritual e litúrgico anglicano", conforme a nota da Congregação. Isso significaria completamente uma nova forma canônica, similar aos Ordinariatos Militares.

A Igreja Católica abre suas portas para bispos, padres não-casados e casados e para pessoas leigas, da igreja anglicana. Somente sacerdotes casados, e não bispos - devido à longa tradição Ocidental e Oriental Cristã - é que serão aceitos. Os bispos casados anglicanos serão recebidos na Igreja Católica, mas em qualidade de presbíteros. A Congregação para a Doutrina da Fé recebeu cerca de 20 a 30 pedidos de bispos anglicanos da Grã-Bretanha, e em torno de 50, de todo o mundo. Pedidos de padres e leigos são contados às centenas.

Os aspectos canônicos e litúrgicos estão em processo. Será estabelecido um novo rito correspondente à prática e à tradição católicas. Porque "a unidade da Igreja não exige uma uniformidade que ignora a diversidade cultural, como a história do Cristianismo mostra", explicou o cardeal. "Nossa comunhão é, portanto, reforçada por tão legítima diversidade", assegurou o prefeito da Congregação da DSoutrina da Fé da

"Os acordos da Comissão Internacional Anglicana-Católica-Romana (ARCIC) e da Comissão Internacional Anglicana-Católica-Romana para a Unidade e Missão (IARCCUM) deixam claro o caminho que seguiremos juntos". O processo de preparação, que consiste em reflexão e orações, começou em 2006 em Leeds, na Grã-Bretanha, e continuou em 2008, em Lambeth. Essa "cooperação estreita", como ressalta o "Comunicado Conjunto do arcebispo de Westminster e do arcebispo de Canterbury", irá continuar.

Desde o século XVI, quando o rei Henrique VIII declarou a Igreja na Inglaterra independente da autoridade papal, a Igreja inglesa criou suas próprias confissões doutrinais, livros litúrgicos e práticas pastorais, muitas vezes incorporando ideias da Reforma no continente europeu. A expansão do Império Britânico, junto do trabalho missionário anglicano, eventualmente provocou o surgimento de uma Comunhão Anglicana Mundial.

Através de mais de 450 anos de sua história, a reunificação de anglicanos e católicos nunca esteve fora de cogitação. Em meados do século XIX, o movimento inglês Oxford viu o restabelecimento do interesse nos aspectos católicos do anglicanismo. No começo do século XX, o cardeal Mercier, da Bélgica, entrou em conhecidas conversas com os anglicanos para explorar a possibilidade de união com a Igreja Católica sob a bandeira de um anglicanismo "reunido, mas não absorvido".

No Concílio Vaticano II, a esperança de uma união foi ainda mais alimentada quando o Decreto sobre o Ecumenismo (n.13), referindo-se a comunhões separadas da Igreja Católica na época da Reforma, estabelecia que "entre aqueles nos quais as tradição e instituições católicas em parte continuam a existir, a Comunhão anglicana ocupa um espaço especial".
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Fogo Estranho X Fogo do Senhor

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Estaríamos introduzindo música profana no culto Adventista?


Música continua sendo um assunto "quente" nas comunidades Adventistas. Cada novidade em estilo ou instrumentos musicais traz consigo um corolário de questões e possibilidades. Enquanto isso, as diferentes opiniões continuam a se polarizar no que tange à verdadeira música Adventista.
Este artigo analisa um episódio bíblico em que a adoração se tornou inaceitável bem como suas implicações para a música sacra.

Nadabe e Abiú
O termo "fogo estranho" extraído da história de Nadabe e Abiú é frequentemente citado em críticas contra a música Adventista. Aqui vai a história brevemente relatada em Lev. 10:1-2:
"Nadabe e Abiú, filhos de Arão, pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderam fogo, acrescentaram incenso, e trouxeram fogo profano perante o SENHOR, sem que tivessem sido autorizados. Então saiu fogo da presença do SENHOR e os consumiu. Morreram perante o SENHOR." (NVI).
Vamos procurar estabelecer se há fundamento exegético para se aplicar a frase "fogo estranho" à música sacra de maneira indiscriminada.
O verso 1 diz que o fogo era "estranho" ou "profano" e que eles não estavam autorizados a apresentá-lo. Não está claro nesses versos iniciais o que tornou este fogo "estranho". Algumas traduções trazem "fogo não autorizado". Note que Moisés ateou fogo comum ao altar do incenso (Êxo. 40:27) assim como Arão fez para iniciar o sacrifício em Lev. 9. Em aprovação ao holocausto, Deus então manda fogo do céu em Lev. 9:24, que deveria ser mantido perpetuamente (Lev. 6:8-13).
Orientações de como atear fogo ao incensário aparecem somente em Lev. 16:1, 12: "O SENHOR falou com Moisés depois que morreram os dois filhos de Arão, por haverem se proximado do SENHOR ... "Diga a seu irmão Arão que não entre a toda hora no Lugar Santíssimo, atrás do véu, diante da tampa da arca, para que não morra ... Pegará o incensário cheio de brasas do altar que está perante o SENHOR e dois punhados de incenso aromático em pó, e os levará para trás do véu." Essa maneira de queimar o incenso com brasas do altar se refere ao Dia da Expiação, o único dia em que Arão deveria entrar no lugar Santíssimo, e também parece ter servido para expiações de "emergência" (Núm. 16:46). Essa exigência quanto à origem do fogo a ser apresentado perante o propiciatório parece indicar uma possível tentativa por parte dos dois de entrar no próprio Santíssimo com fogo que não era do altar, pois era fogo "não autorizado". Sem dúvida, essa hipótese merece ser explorada mais a fundo em outro estudo.

Lev. 10:9 traz outras peças do quebra cabeça ao revelar que Nadabe e Abiú estavam embriagados ao servirem no Templo: “Você e seus filhos não devem beber vinho nem outra bebida fermentada antes de entrar na Tenda do Encontro, senão vocês morrerão." (Veja Eze. 44:21). A tradição judaica aponta sua ambição pessoal de se apresentarem perante Yahweh por si mesmos a fim de se exaltarem perante o povo sem terem consultado Arão e Moisés, talvez até como tentativa de substituí-los como líderes do povo. [1]
Parece então que o "fogo estranho" era um conjunto de erros: Nadabe e Abiú estavam embriagados o que os levou a se apressarem com fogo que não fora santificado ou 'autorizado', seu coração não estava reto perante Deus.
É importante também ressaltar que a condenação deste "fogo estranho" veio "do Senhor" e não de Moisés ou do povo. Somente Ele pôde discernir o sacrifício inaceitável.
Certamente uma leitura sob a perspectiva de um "pacote estranho" expande suas implicações e começa a enfraquecer o uso da passagem contra a música.[2] Vejamos por quê.

Existe Música Inerentemente Santa?
Tendo em vista que Deus procura estabelecer o princípio de separação entre santo e profano no ritual do Santuário, poderíamos aplicar este princípio à música sacra hoje?
A condenação de certos estilos de música como "fogo estranho" fundamenta-se na premissa de que há uma música não-estranha ou "santa". Mas existe mesmo um estilo de música inerentemente 'santa', que se opõe à música inerentemente 'profana'?
Em Êxodo e Levítico lemos que Deus deixou instruções específicas para o ritual do Santuário e ordenou que algumas coisas fossem consideradas santas: e.g., "O incenso lhes será santíssimo" (Êxo. 30:36); "Vocês têm que fazer separação entre o santo e o profano, entre o puro e o impuro." (Lev. 10:10). Música porém, não fazia parte das instruções.
Já para o Templo de Salomão, Davi estabelece um sacerdócio musical (1 Crô. 15, 16) mas novamente, a Bíblia não traz instruções para uma música que poderia ser considerada santa. E embora o uso de utensílios no Santuário os tornava santos (Lev. 16:38), as "harpas, alaúdes, címbalos, trombetas e shofares" (2 Crô. 29:25) do Primeiro Templo em nenhum momento são chamados de santos, tampouco o é a música que eles produziam. O que fazia da sua música sacra era o seu uso no culto a Yahweh, haja vista que estes instrumentos eram usados também para o culto a Baal, Dagom e festas pagãs (Isa. 5:11-12; 23:16; Dan. 3:5, 7, 15). Sem dúvida a música do Templo tinha propósitos sagrados mas em aspectos técnicos, ela não era santa. Nem mesmo a música instrumental do culto à estátua de Nabucodonosor é chamada de profana na Bíblia, embora o objetivo ali tenha sido acompanhar a idolatria.
A única vez que vemos Deus rejeitando a música de adoração do Seu povo foi quando o coração dos adoradores não estava reto: "Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene!" (Amós 5:23-24). Esse capítulo inteiro lança luz sobre o que Deus espera do povo que se achega para adorá-Lo: um coração reto acima de "ornamentos musicais".
Portanto, a despeito das repetidas tentativas de se estabelecer uma música biblicamente santa, não temos instruções específicas sobre como compor essa música supostamente santa. O que temos abundantemente são princípios de adoração, mas não de técnica musical.
Então se a música do povo era usada para fins sagrados, por que o estilo de música bíblico não é chamado de 'santo'? Pela mesma razão pela qual Deus não estabeleceu o hebraico como língua santa meramente porque foi nessa língua que Ele escreveu os Dez Mandamentos.
Música é como a linguagem, ela evolui como fruto da criatividade humana.[1] Termos mudam de significado, palavras caem do vocabulário, novas palavras surgem. A linguagem musical da Palestina dos tempos bíblicos seria inapropriada hoje enquanto nossa música sacra, mesmo a tradicional do século 17-19, seria estranha ao ouvido judaico primitivo.[4]


A música étnica de uma cultura pode ser irrelevante para outra e Deus não ordenou uma espécie de "limpeza etno-musical" estabelecendo um só estilo de música sacra para todos os povos. Condenar o gosto pessoal, que é fruto da cultura como incompatível com o culto é um equívoco, pois Deus nunca exigiu que o louvássemos com música da qual não gostamos. Portanto, a ausência de um estilo musical 'santo' na Bíblia é intencional.
A história da música revela que sempre houve um intercâmbio de influência entre a música sacra e a secular. Cito alguns exemplos: o canto secular do século 12 trouxe a harmonia para a música sacra que até então era proibida; o rock de Elvis Presley sofreu fortes influências do gospel americano; na história Adventista, Urias Smith e Tiago White puseram letra "Adventista" em canções populares da época.[5]
Deus não nos instituiu como Seus "bombeiros" para sairmos igrejas a fora apagando a música que achamos que é "fogo estranho".
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Música na Bíblia é secundária e subserviente à adoração a Yahweh. Por isso, é necessário primeiramente estabelecer os princípios bíblicos de adoração e fazer a música se alinhar a eles em cada comunidade e contexto cultural local.
Quais seriam alguns desses princípios de adoração? As festas religiosas de Israel eram de "alegria solene" (PP 706), espontâneas, com tamborins, dança religiosa e outros instrumentos musicais. Esse espírito exultante é patente na adoração "com júbilo" dos Salmos, sendo o 150 o que melhor expressa a totalidade da adoração celebrativa do povo. Enquanto a música dos Salmos era no estilo da Palestina primitiva, ela era sagrada porque tinha a temática dos atos de Deus: "Cantai ao Senhor um cântico novo, porque ele tem feito maravilhas." (Sal. 98:1). Deus estava "entronizado sobre os louvores de Israel" (Sal. 22:3) e se "agrada-se de Seu povo" (Sal. 149:4).
Os Salmos tornaram-se parte central da música do Templo de Salomão e do Segundo Templo, por isso, a música ali segue o mesmo estilo da adoração do povo descritas nos Salmos.[6] Enquanto os Salmos descrevem a adoração corporativa "com júbilo", "com brados fortes" (Sal. 98), o Novo Testamento expande esse conceito ao dizer que ela deve ser "em espírito e em verdade" (João 4:24), humilde e penitente (Lucas 18:9-14) e "racional" (Rom. 12:1). A música do culto Adventista portanto, deve auxiliar no alcance desses objetivos para ser completa.


A ausência de detalhes técnicos da música sacra juntamente com esses princípios gerais de adoração nos impedem de estabelecer um único estilo de música supostamente santo que melhor alcança a adoração verdadeira. Isso automaticamente invalida chamar certos estilos de música como "fogo estranho". Como vimos acima, é mais apropriado considerá-los ineficazes ou irrelevantes para certas ocasiões, culturas e comunidades do que "profanos". Por mais que tentemos, não temos autoridade bíblica para isso.
Em outras palavras, não há um número de "sapato" que serve em todas igrejas e, como bem concluiu Ellen White, nem todas as mentes são atingidas "pelos mesmos métodos" (T 6:616); e isso inclui estilo de música sacra.
E se buscamos perfeição no louvor Jesus indicou que o das crianças é um modelo: "Da boca de pequeninos e de criancinhas de peito tiraste perfeito louvor." (Mat. 21:16). Para Ele, perfeição na adoração tem a ver com as qualidades infantis de pureza, confiança, simplicidade e humildade, não com estilo de música. Isso é claro também na parábola do Fariseu e do Publicano. (Lucas 18:9-14). "O SENHOR não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o SENHOR vê o coração." (1 Sam. 16:7). O que está no coração do adorador tem mais peso do que ornamentos na liturgia (Amós 5:23-24).

Música Expiatória
Uma implicação ainda mais problemática de música como "fogo estranho" é a tendência sutil de conferir a ela qualidades quase que expiatórias no culto. Explico: a preocupação desmedida em se oferecer "música aceitável" acaba levando ao extremo de considerá-la como peça central no culto, como um "sacrifício perfeito", tornando-a crucial para se chegar ao culto 'verdadeiro'.
Prova disso é a prática de singularizar a música enquanto outros elementos deficientes da liturgia não são chamados de "fogo estranho": o que dizer de um sermão mal pesquisado e mal pregado, de uma lição de Escola Sabatina sofrível, de uma leitura bíblica aos trancos e barrancos, das notas amassadas de R$1 que damos como oferta? Afinal, qualquer desses elementos da liturgia oferecido em espírito de mediocridade ou soberba pode se tornar em "fogo estranho". Por que só a música recebe a condenação? Não é isso parte do conceito errôneo de música como "sacrifício perfeito"?
Veja como Ellen White aplicou a simbologia do fogo do Santuário à música de adoração: “... a obediência, penitência, louvor e ações de graças, tudo tem que ser colocado sobre o ardente fogo da justiça de Cristo! A fragrância desta justiça ascende qual nuvem em torno do propiciatório.” (ME 1:344).
Não há então maior "fogo estranho" do que música sacra "de qualidade" para que o culto seja aceito mas, que ao mesmo tempo não tenha sido queimada no fogo santo da justiça de Cristo. Estilo e qualidade musical são irrelevantes sem esse processo purificador.

Igreja: Lugar Santíssimo?
Quando tratamos da música na Igreja, é imprescindível confrontar o equívoco do paralelo Templo-Igreja que tem fomentado o extremismo em questões de liturgia Adventista recentemente.
Segundo os testemunhos, “Da santidade atribuída ao santuário terrestre, os cristãos devem aprender como considerar o lugar onde o Senhor Se propõe encontrar-Se com Seu povo.” (TS 2:193). Mas note que não há aqui um paralelo exato entre o compartimentos do Santuário e a Igreja atual para considerarmos certos lugares desta mais santos do que outros. O episódio da sarça ardente mostra que onde Deus está é lugar santo, seja no Shekinah do Santíssimo, ou num arbusto insignificante no meio do deserto.[7]
Embora os princípios de reverência e santidade da adoração a Yahweh no Santuário permaneçam, a adoração na Igreja serve uma função diferenciada daquela, que era formada de rituais sacrificais para expiação de pecados e seguia estritamente a lei cerimonial. A adoração no Novo Concerto por sua vez deve ser uma celebração confiante dos sacrifícios superiores de Jesus (Heb. 4:16; 10:1-18).

Choque aos Sentidos
Um exemplo da história Adventista que cabe relembrar sempre que estudamos música sacra é a música do movimento da Carne Santa de Indiana em 1900 que Ellen White condenou como sendo um "choque aos sentidos" e um "laço nas mãos de Satanás".[8] Embora ela recomendasse o uso de instrumentos musicais na adoração (Ev 507) e não tenha condenado nenhum instrumento como incompatível na adoração, ela reconhece que seu uso poderia ser pervertido: "É melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos musicais para fazer a obra que, foi-me apresentado em Janeiro último, seria introduzida em nossas reuniões campais. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma bênção." (ME 2:36)
Sua preocupação era a de, em vez de auxiliar no culto racional, que a música Adventista fosse usada justamente para criar o contrário: um torpor mental que levasse ao emocionalismo superficial e a manifestações estranhas no culto e ser confundida com obra do Espírito Santo.
Os modelos Pentecostal e Carismático de música extremamente repetitiva e ensurdecedora como estopim do "fogo fátuo" da teologia emocionalista não se encaixa no modelo Adventista de adoração. Devemos ser criteriosos ao incorporar essas composições no culto. Acima de tudo, o diferencial histórico da música Adventista deveria ser a temática do Segundo Advento.
Por outro lado, não podemos negar que as emoções são parte importante do culto Adventista e a música deve acioná-las de maneira saudável, mas elas não são o centro. A adoração Adventista é fundamentada nas verdades eternas das Escrituras e seu princípios de adoração. Por isso, deve ser "racional" e em "espírito e em verdade".

Conclusões
Do ponto de vista exegético, é incoerente usar o "fogo estranho" de Nadabe e Abiú para criticar a música Adventista "não-tradicional". A santidade dos elementos do Santuário envolvia instruções específicas dadas por Deus (e.g., incenso) bem como elementos intangíveis, como o pecado do sacerdote ou do povo. O 'fogo estranho' de Nadabe e Abiú foi um conjunto de fatores.
Não há maior "fogo estranho" do que oferecer música sacra "de qualidade" para que o culto seja aceito mas que, ao mesmo tempo, não tenha sido queimada no fogo santo da justiça de Cristo. Estilo e qualidade musical são irrelevantes sem esse processo purificador.
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E, ao contrário do ritual do Santuário, não há instruções detalhadas sobre técnica musical na Bíblia que nos permitam considerar um estilo de música como santo. Apesar de todas as questões sobre associação da música e instrumentos musicais com o paganismo, a Bíblia intencionalmente não faz distinção entre música santa e profana: a sua finalidade e temática é que definem sua santidade ou profanidade. Aspectos intrínsecos do adorador tais como a pureza das intenções, o orgulho, a soberba, o pecado encoberto ou o exibicionismo cabe a Deus julgar, não a nós. Afinal, o episódio mostra que a condenação veio "do Senhor", não dos outros adoradores.
A música deve facilitar o culto celebrativo e ao mesmo tempo racional. Qualquer estilo musical que interrompa esse processo deve ser considerado inapropriado, embora não seja "profano" em si. E isso pode variar em diferentes culturas e ocasiões.
E embora seja importante oferecer música bem cantada e tocada, temática e teologicamente apropriada, precisamos ter cuidado para que uma busca desmedida pela excelência musical não a torne um fim em si mesma e faça da música "sacrifício expiatório" pela sua qualidade.
Deus não nos instituiu como Seus "bombeiros" para sairmos igrejas a fora apagando a música que achamos que é "fogo estranho" só porque não gostamos dela ou porque ela não nos toca. Nossas sensibilidades e preferências pessoais quanto ao estilo da música são secundárias à "união" na adoração (Sal. 133:1) e ao não-julgamento (Mat. 7:1).
Gostaria de terminar sugerindo duas orações que expressam bem o espírito de humildade e desprendimenteo que deveríamos trazer à adoração corporativa. A primeira é a oração face à música familiar:
"Poderoso Deus, aqui estou novamente no mesmo lugar, ouvindo a mesma música. Eu amo essa música; ela significa muito pra mim, eu me sinto perto de Ti e sei que estás perto de mim. Ajuda-me a entender que eu não deveria repeti-la descuidadamente, por pensar que estás perto só porque tudo aqui me é familiar. Em vez disso, torna essas coisas novas pra mim, como somente um Deus de mistérios pode fazê-lo. Leva-me ao primeiro dia da Criação quando tudo era novo; derrama sobre mim o dom de oferecer tudo a Ti como nunca antes."
A outra é a oração face à música nova:
"Poderoso Deus, o que eu estou presenciando agora não faz qualquer sentido. Não é o que eu gosto ou o que eu estava esperando. Mesmo assim, estou aqui; Tu estás aqui. Há muitos aqui que Te amam profundamente e têm Te oferecido isso, mesmo que eu não possa entender o que significa. No entanto, eu me uno a eles pela fé; eu me uno com uma oferta que pra mim é um mistério. Eu ofereço o que não compreendo a Ti, a Quem eu nunca poderei entender completamente. Uno minha língua ao meu repertório de louvor falível e limitado. Oro para que quando esta novidade que eu agora experimento se tornar familiar, eu me lembre da primeira vez, da novidade, da surpresa. E também oro para que quando o que é novo se tornar familiar, eu fique em santa expectativa esperando ainda uma nova revelação de Ti nos louvores do Teu povo. Eu me retiro do que já conheço rumo ao que eu preciso conhecer. Eu Te adoro pela fé somente."[9]
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[1] Esse episódio tem um paralelo com o dos levitas simpatizantes de Coré, Datã e Abirão que também foram consumidos por insurgência contra Moisés enquanto apresentavam seus incensários perante o Senhor (Núm. 16).
[2] Ellen White usa o termo 'fogo estranho' de maneira bem abrangente, inclusive para a guarda do Domingo. (ST 03/31/1898).
[3] Um análise muito apropriada da evolução da música sacra pode ser lida no artigo Música Através dos Tempos de Joêzer Mendonça (http://notanapauta.blogspot.com/2008/12/msica-sacra-atravs-dos-tempos.html) Veja também de Joêzer "O gospel é pop: música e religião na cultura pós-moderna" disponível aqui:
[4] A Dra. Haik-Ventoura propõe que a acentuação da língua hebraica servia de notação musical, pois o Torah era lido em forma de canto na sinagoga. Para escutar o resultado de suas "partituras bíblicas", acesse no youtube.com "Music of The Bible Revealed". Poucos eruditos concordam com ela pois além da falta de evidências, a sua interpretação musical quase sempre em tom menor passa inevitavelmente pelo filtro cognitivo da música moderna.
[5] A melodia de Stephen Foster de 1851, “Way Down Upon the Suwanee River” tornou-se “Da Linda Pátria Estou Mui Longe”; no Hinário Adventista, “Há Um País” é uma melodia popular irlandesa.
[6] Salmos cantados durante a semana no Segundo Templo: Salmo 24 no domingo; 48 na segunda-feira; 82 na terça-feira; 94 na quarta-feira; 81 na quinta-feira; 93 na sexta-feira e no sábado, o "canto composto para o sábado, para o futuro, quando tudo será descanso e repouso pela vida eterna". Talmude, Tratado 13; 7:4.
[7] Para uma análise dos instrumentos do Templo, leia Tamborins e os Instrumentos do Senhor disponível em
[8] Veja também "Ellen White Era Contra a Bateria na Música Sacra?" disponível em http://www.adventismorelevante.com/2009/05/ellen-white-era-contra-bateria.html
[9] Best, Harold. Music Through the Eyes of Faith. (Harper San Francisco; 1993); 154-155. Adaptada por André Reis.
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Tambores e os Instrumentos do Senhor: Objeções e Refutações a Vanderlei Dorneles

O texto abaixo refere-se uma mensagem pessoal sobre o meu artigo do irmão Vanderlei Dorneles, com quem travo diálogo amigável sobre o assunto da música. O texto é publicado com sua permissão e contém meus comentários.

As objeções do irmão Dorneles se referem ao meu artigo
"Tambores e Os Instrumentos do Senhor", no qual analiso alguns dos argumentos contra o uso da percussão na música adventista do ponto de vista do transporte da arca em 1 Crô. e do Templo de Salomão.


Na parte final o irmão Dorneles aborda meu outro artigo "Ellen White Era Contra a Bateria na Música Sacra?" no qual analiso o culto da Carne Santa, mais especificamente a declaração "haverá gritos, com tambores música e dança" descrita no livro Mensagens Escolhidas vol. 2, p. 31-39.

Gostaria de ressaltar que eu em suas objeções, o irmão Dorneles não abordou questões cruciais que embasam o meu artigo e o uso da percussão na música Adventista hoje:

1. A autorização clara nos Salmos versus as "condenações" ausentes em 1 Crônicas e em outras partes da Bíblia;

2. As referências históricas do uso da percussão na adoração Israelita em conexão com a adoração no Templo (Salmo 81) e que "agradava" a Deus (Salmo 149:3-4; Salmo 150);

3.
As referências históricas do uso da percussão na adoração do Segundo Templo;

4. O fato de que o ritual do Santuário (inclusive a música), abolidos na cruz não apresenta um modelo ou paralelo exato à Igreja, embora ofereça princípios gerais.


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Prezado André Reis!
(Nota: Meus comentários ao irmão Dorneles estão em cor azul).

Espero que esteja bem, sob a graça de Deus, nosso Pai!


Como você tomou liberdade de me enviar seu texto, o que eu agradeci, e como se mostrou aberto para debater este tema, tomei a liberdade de ler seu texto recente sobre instrumentos de música e louvor na Bíblia. E também de elaborar algumas considerações sobre partes dele, o que espero você receba com o mesmo espírito simpático que tem tido. Como eu disse numa mensagem recente, todos nós somos irmãos em Cristo, e é bom termos liberdade e consideração mútua enquanto debatemos acerca da Palavra de Deus. Se mantivermos um espírito humilde e receptivo, o Espírito Santo poderá nos guiar à verdade, que é o que desejamos de coração. O amor da verdade, como diz Ellen White, é uma grande virtude cristã, especialmente entre nós adventistas.


Eu creio que você e muitos outros que falam sobre a música de louvor têm esse mesmo sentimento e o desejo de conhecer a verdade. E nisso creio que podemos dizer que estamos no mesmo caminho.
Bem, você fez um texto acerca do já muito comentado transporte da arca para Jerusalém, onde se destacam, em Crônicas, as questões musicais envolvidas nas duas festas preparadas por Davi, com o título “Tambores e os instrumentos do Senhor”. Creio que seu texto teve intenção de responder ou comentar meu artigo “O canto do Senhor”, que está disponível em vários sites e blogs.


Seu argumento principal foi de que o texto de 1 Cr 15:20, que utiliza o termo hebraico al-alamoth seria uma referência às mulheres de Israel em dança com tamborins.
Vou me concentrar neste ponto, mas alguns outros itens podem ser repassados no transcorrer.


Um deles é que meu artigo não afirma que os tambores tinham a culpa do fracassado do transporte da arca. Isso não pode ser lido no meu texto.


(Isso pode ser lido nas entrelinhas, sutilmente creio, ao você dizer que a ênfase na música do segundo transporte indica que Davi modificou-a como esforço de fazer a vontade de Deus. Na sua opinião, a longa descrição da música indica que ela fora crucial no processo, a despeito do fato de que ela não fazia das instruções de Deus para o transporte da arca, o que faz a aparente ausência dos tambores uma proibição tácita ao seu uso.)


O que está afirmado é que Davi sabia que errou no que diz respeito a quem deveria transportar a arca. O que foi dito é que Davi não corrigiu esse ponto apenas e fez todo o restante igual. Crônicas trata do assunto do transporte da arca num único verso (1Cr 15:13), e depois temos quase dois capítulos permeados do tema da música. O ponto principal é que houve uma mudança na música, e isso está claramente narrado em diversos versos como demonstrei.


(Ellen White afirma que não havia nada de errado com a música do primeiro transporte, ela fora "alegre e solene" [PP 706].)


Não se trata do silêncio da Bílbia. É o contrário, ela é clara em afirmar detalhes da música, incluindo os instrumentos, cantores, etc.


(O escritor de Crônicas era possivelmente alguém envolvido com o serviço do Templo e é de se entender que ele dê ênfase à atuação dos levitas, que por ocasião da escrita do livro eram parte do serviço do Templo. A tradição judaica diz que foi Esdras mas não se sabe 100%. Porém, eu não leria mais do que a simples descrição de um ornamento na cerimônia, a música, pois ela não teve influência no transporte, a não ser auxiliar na celebração de todos e servir de base para a música do Primeiro Templo que tinha função celebrativa apenas. Creio que isso é evidente pelo fato de que Deus abençoou os levitas que levavam a arca segundo suas instruções em Núm. 4:15 e 7:9, e não porque tocavam harpas.)


O artigo também não fala que certos instrumentos foram proibidos. O que diz é que um grupo específico de instrumentos foi escolhido para a música do templo. E isso fica tão claro para Israel que ao longo de mais de 500 anos, a lista é repetida em diversos textos (1Cr 15:16, 19-24, 28, 16:5, 42, 23:5, 25:1, 6, 2Cr 5:12-13, 29:25-27, Nee 12:27, Is 39:20). A lista é consistente, não havendo qualquer relevante alteração entre os textos.


(Concordo, o problema é que ela não representa a argumentação usada pelos oponentes da percussão, pois há sempre uma implicitação de que certos instrumentos foram proibidos, o que não podemos concluir do texto. Além do que a história do Segundo Templo confirma que mais instrumentos foram adicionados pelos levitas.)


Tratando especificamente do sentido de al-alamoth, você diz que “a hipótese mais provável é a de que alamoth era na realidade uma melodia hebraica”. Mesmo assim, com base na informação de alamoth (mulheres) tocando tamborins no Salmo 68:25 você conclui que “há uma forte possibilidade de que o Salmo 68 esteja descrevendo em linguagem poética o próprio transporte da arca e do seu reestabelecimento em Jerusalém, especialmente os versos 24-25”.


Você diz que vários comentaristas apoiam esta idéia. Mas aqueles que você cita dizem que “parece evidente que [o Salmo 68] foi composto naquela ocasião festiva e alegre”. Outro diz que “a ocasião do Salmo poder haver sido em um contexto de vitória, na qual a arca é trazida para Sião.” Outro diz “o Salmista descreve um evento feliz, como quando Davi trouxe a arca para Jerusalém”. Outro ainda diz que “Este Salmo pode ter sido cantado na cerimônia do transporte da arca de Quiriate-Jearim a Jerusalém.”


(Do ponto de vista acadêmico precisamos dizer "pode haver", "parece" porque não há como precisar exatamente a ocasião do Salmo, como se dá com a maioria dos Salmos. As evidências indicam que o Salmo 68 tem fortes paralelos com o transporte da arca, mas não podemos estar 100% seguros. É o que eu disse no meu artigo.)


Na verdade, dois deles dizem o que você conclui, mesmo assim dizem que isso é apenas uma possibilidade. Os outros dois dizem que o salmo pode ter tido alguma relação com o evento, como que tivesse sido cantado ali.


A despeito disso, com base nessas evidências fluidas, você conclui: “Se o Salmo 68 de fato baseava-se no transporte da arca da aliança de Quiriate-Jearim a Jerusalém ou estava de alguma maneira relacionado a ele, então não há dúvidas de que o tamborim das alamoth fez parte também da segunda tentativa de trazer a arca.”
(Veja que eu uso "Se" pois sempre há uma possibilidade de que não seja.)


O texto de 2Sm 6:20-22 não diz que Davi dançou com as mulheres. Diz que Davi dançou e isso na presença das mulheres. Os dois textos de Crônicas e Samuel são claros em dizer que só Davi dançou.


(Mas o texto não diz que o povo e as mulheres "não dançaram" ele apenas diz que "Davi dançou". Considerando-se a história das celebrações de Israel, é muito provável que elas tenham dançado também, embora não seja mencionado. É na história de Israel que eu baseio minhas conclusões e esse artifício exegético é usado da arqueologia à teologia sistemática; são fortes evidências que não ferem o sentido do texto.)


Mesmo assim, você diz que, “com base no Salmo 68:24-25 e no relato de 1 Crônicas 15, é seguro concluir que as liras (ou alaúdes) dos levitas (v. 20) tocavam ‘al alamoth’, a melodia hebraica Alamoth das virgens que dançavam e tocavam tamborins, enquanto as harpas respondiam em estilo antifonal (responsivamente) ou em contracanto, tocando ‘al ha sheminith’, a melodia Sheminith e marcando também o ritmo antifonal (v. 21). O povo, incluindo as virgens celebravam com seus tamborins e dança, acompanhavam a procissão, cada grupo respondendo ao outro em sua melodia e tessitura vocal e cada qual adicionando seus instrumentos à música. Esta prática de coros antifonais pode ser vista no Salmo 136.


Todo o seu argumento depende necessariamente da tradução de al-alamoth e de sua possível ligação com o Salmo 68:24-25.


Gostaria de destacar que, com base nessa “possível” tradução e na “possível” ligação com o Salmo 68, você está relativizando as cinco outras referências claras aos instrumentos sem menção de tambores nesse contexto de 1Cr 15 e 16.


(E o que dizer da tentativa de estabelecer um "padrão de louvor" que parece excluir a percussão ai nesta passagem mas que acaba relativizando versos claros na Bíblia que autorizam o seu uso da adoração?)


Como eu disse acima, estou propondo uma hipótese - que é tão boa quanto outras de outros teólogos - para a qual temos fortes evidências não só históricas mas linguísticas. Essa prática é muito comum em estudos da história de Israel. Muitos conceitos musicais dos tempos bíblicos são baseados não em declarações bíblicas, mas de achados arqueológicos recentes por exemplo, costumes da época, literatura extra-canônica. Isso é aceitável ao estudo de questões culturais e históricas, como é o caso da música da Palestina antiga. Lembre-se que não estamos tratando aqui de um ponto doutrinário mas sim de um mero costume da época, pois toda a música de Israel, inclusive como os instrumentos escolhidos para o Templo, refletiam a cultura Palestina antiga.)


Quanto ao sentido de alamoth nesse relato, precisamos considerar que o termo está precedido da preposição al, que significa “em” ou “sobre”, e o substantivo literalmente significa “virgem” ou “donzela”.


(Seu argumento todo é baseado em apenas duas possíveis traduções da preposição "al". Vc mesmo concorda que a tradução do hebraico é interpretação e depende do contexto. No entanto, ao limitar a preposição apenas a dois significados, você ignora justamente o aspecto interpretativo em que "al" quando se referindo a uma melodia, pode ser traduzida sem problemas como "em", i.e., "na melodia Alamoth". Nesse caso, ela pode ser traduzida também como "de acordo com", "segundo," dependendo do contexto. Por exemplo no Salmo 46 na Nova Versão Internacional em inglês aparece como "segundo Alamoth", o que não ocorre na versão em português.)



Mas, por que nenhuma versão faz essa leitura? Muito simples. O texto fica totalmente desconexo, como: “... com alaúdes em voz de virgens”, ou “... com alaúdes em tom de donzelas”, ou ainda “... com alaúdes em virgens”. Na verdade essa tradução literal já sugere o que os tradutores entenderam, o sentido é de uma voz musical, como das virgens.


(Continua não havendo um consenso sobre o que o termo "al alamoth" possa significar realmente e a hipótese que proponho é baseada num contexto mais amplo que envolve o Salmo 46 e 68 e outras celebrações de Israel que envolviam as "alamoth". Mas isso é só uma forte hipótese, pois é impossível estabelecer com certeza o sentido real da palavra. A interpretação como sendo tonalidades não é útil e não está no texto, até porque as liras e as harpas da época tinham afinação bastante próxima. A Bíblia de Scofield por exemplo comenta que: "Alguns têm concluído que as "alamoth", virgens, eram um coral do Templo que cantavam em antífona com o "sheminith", ou coral de homens." [Comentário do Salmo 46 que traz "al alamoth". O fato de que o autor está escrevendo da perspectiva do serviço do Segundo Templo que parece ter incluído mulheres cantoras (Esdras 3:65) pode apontar para esta direção também]". A Bíblia de Estudo de Genebra traduz Alamoth como uma melodia sacra no Salmo 46.)


Lembre-se que tradução não é um trabalho mecânico de simplesmente se trocar palavras duma língua por palavras de outra língua. Tradução é interpretação, principalmente em se tratando do hebraico.


(Aqui você se contradiz pois traduz mecanicamente a preposição "al" enquanto interpreta livremente alamoth. Essa tradução é inconsistente. Veja meu ponto acima sobre a preposição "al".)



No hebraico, alguns verbos estão só implícitos, há frases longas com apenas duas ou três palavras, outras sem sujeito, há diversos substantivos concretos que representam conceitos abstratos, como em 1Reis 20:31, onde “cordão” significa “cativeiro”, em outra parte diz “sai-lhes o vento, e eles morrem”. Assim, o tradutor do hebraico precisa deduzir e interpretar freqüentemente.


Tendo isso em vista é que a maioria das versões não traduzem 1Cr 15:20 com o uso de “virgens”, ou “donzelas”, ou “melodias”, mas por “soprano” ou “agudos”. Assim, a tradução fica coerente com o contexto, uma vez que os versos imediatos tratam de tonalidades dos instrumentos.


(É impossível estabelecer de maneira inequívoca que a tonalidade dos instrumentos está sendo tratada nos termos "al alamoth e al ha sheminith" de 1 Crônicas 15 quando nem se sequer sabemos a que eles se referiam musicalmente. O termo permite ser entendido no contexto do Salmo 46 como uma possível indicação melódica. Mas novamente, não há um consenso entre os estudiosos. Sua conclusão de que os termos tratam da tonalidade dos instrumentos é baseada em algumas traduções dos termos, que são inexatas e hipotéticas.)


E é também coerente com a construção e o uso da preposição al, que é “em”.


(Mais uma vez, 'al' pode ser traduzida também como "de acordo com" ou "segundo" quando se considera a hipótese "segundo a melodia alamoth".)


Como você poderia ler um texto como: “... com alaúdes em donzelas”? Fica estranho. Essa estranheza significa para o tradutor que a interpretação está errada.


(A dificuldade de precisar o que os termos significam levou algumas traduções a deixar as palavras no original o que seria preferível: "liras em Alamoth e harpas em Sheminith". Qualquer tradução é hipotética, até a minha.)


Os melhores léxicos não dão à palavra alamoth o sentido de “melodia”, mas de “virgem” ou “donzela” como sentido literal, e “soprano” e “falsete” como sentido figurado, que é claramente o caso deste texto de Crônicas, como boa parte das versões o traduzem.


(Eu também não dei o sentido de "alamoth" como sendo melodia. A tradução de alamoth continua sendo "virgens". Musicalmente, no entanto, usavam-se palavras não-musicais para indicar questões de performance musical, como a frase "al ha gittit" no Salmo 8:1, que quer dizer "de acordo com as vinhas" ou "no estilo da cidade de Gade" que a Septuaginta traduz como "Segundo a Melodia dos Vinhateiros"; há também a melodia "A Pomba Nos Terebintos Distantes", (Salmo 56) "Não Destruas", (Sal. 75), "Shoshanim" e outras. Por isso o termo "Virgem" (Alamoth) referindo-se a uma melodia é consistente com esta prática. Por isso propus a hipótese de que cada instrumento tocava uma melodia, haja vista que as kinnorot (liras) e as nebalim (harpa) tinham afinação praticamente idêntica; não só o número de cordas era bem próximo mas a portabilidade dos instrumentos indica essa semelhança.).


Diante das questões de tradução envolvendo al-alamoth, é evidente que o texto não poderia ser colocado em confronto com os demais versos do mesmo contexto no sentido de inserir aí os tambores de qualquer forma, que é o que você parece estar fazendo. Todos os outros versos do contexto não falam desse instrumento, nem das tais “virgens”.


(Essa questão também foi abordada no artigo, a interpretação de 'al alamoth' como uma melodia hebraica é consistente com o relato de EGW que infere "cânticos" antifonais dos dois grupos de músicos.).


E quanto ao Salmo 68?


Esse salmo não é objeto de unanimidade entre os comentaristas, que discutem sua autoria, unidade e propósito. O que caracteriza o salmo é a figura de Jeová como “guerreiro”.


(O Salmo é uma descrição poética de um evento real portanto a linguagem é indireta, floreada. Sem dúvida o transporte da arca de volta para Jerusalém significava o estabelecimento de Jeová como aquele que destrói seus inimigos também pois os filisteus haviam usurpado a arca e sofreram terríveis flagelos. A arca da aliança acompanhava os Israelitas nas guerras simbolizando a presença de Deus e isso conferia à arca um significado de vitória na guerra. Seu transporte para Jerusalém continha esse elemento de celebração das vitórias de Deus. Por essa razão não há discrepância entre Jeová guerreiro e as celebrações festivas do transporte da arca para o Santuário).


O salmo fala da arca, mas não é do evento de Davi.


(Você acabou de dizer que não há unanimidade sobre a ocasião do Salmo mas acaba apresentando uma interpretação arbitrária. Não podemos determinar com 100% de certeza que não era. É mais seguro dizer "é possível" como eu fiz.)


Os versos 1 e 2 retratam a ida da arca à frente de Israel no deserto, citando Nm 10:35. Os versos 12 a 17 retratam as vitórias de Deus em favor de Israel numa clara referência à conquista da terra prometida, com o “Sinai” tornado-se santuário (v. 17), e o Sião sendo escolhido em lugar de Basã (v. 15), eventos claros da conquista de Canaã.


(Creio que não temos autoridade para precisar exatamente quais eventos estão sendo celebrados e quais não o são no Salmo 68. Tudo são hipóteses em se tratando dos Salmos pois a linguagem é poética, simbólica às vezes e os contextos bastante incertos. Para Israel Deus era o Salvador principalmente no contexto da guerra. Lembre-se que a arca havia sido usurpada pelos filisteus mas Deus os puniu e a arca foi devolvida.)


Os versos 24-26 em que você baseia a possível ligação com o evento de Crônicas, fala de Deus e não do povo, em primeiro lugar: “Viu-se, ó Deus, o teu cortejo, o cortejo do meu Deus, do meu Rei, no santuário” (v. 24, ARA). “Ó Deus, eles têm visto os teus caminhos; os caminhos do meu Deus, meu Rei, no santuário” (ARC). “É bela a tua marcha triunfal, ó meu Deus e meu rei, quando sais do teu santuário” (SBP). O sentido nesta última versão é que Deus vence os inimigos e e volta vitorioso para o seu santuário.


(A arca era um símbolo da presença de Deus com Seu povo, por isso a "tua marcha triunfal" pode aplicar-se intercambiavelmente à arca e a Deus.)


O sentido de guerra e luta é claro e descarta qualquer ligação com Crônicas. “Deus parte a cabeça dos seus inimigos” (v. 21), e “para que banhes o pé em sangue, e a língua dos seus cães tenha o seu quinhão dos inimigos (v. 23). Esses são os versos imediatos dos versos (24-25) que você diz referirem-se ao transporte da arca, aquela festa alegre e religiosa.


(Note que o Salmo cantado por Davi após o transporte da arca em 1 Crônicas 16 também tem sentido de Deus como vencedor: “Cantem ao SENHOR, todas as terras! ... Pois todos os deuses das nações não passam de ídolos, mas o SENHOR fez os céus [possível referência à arca perante Dagom em 1 Samuel 5].... tremam diante dele, todas as nações! ... Clamem: ‘Salva-nos, ó Deus, nosso Salvador! Reúne-nos e livra-nos das nações... " O texto fala claramente de vitória sobre as nações e é compatível com a celebração do Salmo 68. O Salmo 136 que é definitivamente litúrgico traz o tema de Deus como guerreiro (v. 10-15)).


Com tanto sangue, é difícil de ver nesses versos imediatos ao verso 25 que fala das “donzelas”, uma referência à alegre festa do transporte da arca. No contexto de Crônicas, Deus diz que Davi não faria uma casa para ele exatamente porque Davi era “homem de sangue”.


(Não podemos ler o Salmo da nossa perspectiva, temos que fazê-lo na perspectiva do povo: Israel vivia em um contexto bélico e o sangue dos inimigos era um sinal da vitória de Deus pelo Seu povo, da Sua obra salvífica. O sangue destes é mencionado no contexto do louvor a Deus no Santuário. Haja vista que o transporte da arca era uma vitória sobre os filisteus que a haviam usurpado e também significa o estabelecimento do Templo, não há qualquer incompatibilidade aqui entre o contexto de guerra, vitória e o transporte da arca. Pelo contrário, o transporte da arca para Jerusalém era a culminação da vitória de Deus sobre seus inimigos até ali.


E também vejo outro problema com a descontextualização do verso que diz que Davi era um homem de sangue. No Salmo 68 Davi está louvando a Deus porque "DEUS" é quem "quebra a cabeça dos seus inimigos" e que faz o sangue jorrar. Não se sustenta portanto o paralelo de que o sangue era incompatível com a celebração no Templo, pois aqui Deus é o "Deus de sangue".)


Assim, este salmo 68 tem sido visto como um salmo que fala das vitórias de Deus em favor de Israel contra inimigos, na conquista de Canaã. E não há uma relação clara entre os eventos que ele reflete e o transporte da arca, a menos que versos sejam tirados do contexto, o que nunca deve fazer o estudioso da Bíbla especialmente em questões controversas.


(Pelo contrário, o Salmo 68 parece ter relações diretas com Crônicas pois expande a temática de Deus como vencedor adentrando no "Seu Santuário" que é justamente o que acontece no estabelecimento da arca da aliança "no Santuário" em Jerusalém. O paralelo não poderia ser mais claro, só não podemos afirmar com 100% de certeza.)


Se você encontrar outras fontes fora da Bíblia que contradigam as declaracões bíblicas, prefira sempre a Bíblia. Essas fontes da tradição têm valor mas só para confirmar o que a Bíblia diz, nunca para dizer o que devemos saber ou entedender na Bíblia.


(As fontes extra-canônicas citadas no artigo são documentos rabínicos confiáveis, como o Talmude e Mishnah, que descrevem o serviço do Segundo Templo bem como o relato de testemunhas oculares.



Por outro lado, o artigo de Dorneles, "O Canto do Senhor" parece se apoiar no título do Salmo apócrifo 151 que diz: "de Davi por ocasião da vitória sobre Golias" e as aplica ao Salmo 150 para apoiar o argumento de que Davi neste tempo não tinha luz sobre o uso dos tambores na adoração. Não sabemos como ou quando o Salmo 150 foi composto.)



Você tem dito muitas vezes que não há nenhum texto claro que proiba o uso de tambores. Certamente, mas eu nunca escrevi que Deus proibiu os tambores ou outra coisa qualquer nesse contexto. O que está claro na Bíblia e nos textos que escrevi é que Deus indicou um modelo de louvor em substituição ao que Israel fazia.


(Interpretar uma mera lista de instrumentos primitivos da Palestina como "padrão" de louvor é impraticável hoje. Isso porque não temos qualquer idéia de como a música do Templo soava, como era executada, em que tonalidade ou que contorno melódico tinha. Por isso, o único padrão seguro a ser traçado aí seria necessarimente o uso dos instrumentos específicos.


Neste caso, se a lista dos instrumentos indica um "padrão" por que fugimos deste "padrão" usando instrumentos que não são os "címbalos, alaúdes, harpas e trombetas" na igreja? O único padrão possível ali são os instrumentos.


Outro problema é que a adoração do Templo não representava toda a gama de adoração do povo de Israel. O que se fazia no Templo tinha sua função mas fora do Templo o povo adorava a Deus com tamborins e Deus se "agradava" disso (Salmo 149:4). Além do que não há nenhum verso que indique que deveria haver mudança na adoração. Com a abolição da música do santuário, o louvor do Salmo 150 é um padrão mais adequado para a Igreja.)


Isso não significa que Deus reprovou o que era feito, mas que ele estava indicando um caminho melhor e mais seguro. Da mesma forma que ele não rejeitou os homens que tinham mais de uma mulher, mas depois ele mostrou que seu povo devia eliminar aquele costume.


(A comparação entre o custome da poligamia e a música é interessante mas não se aplica totalmente, pois não há um verso na Bíblia dizendo: "Homens, tenham várias mulheres" por outro lado, existe um mandamento de "Louvai a Deus com o tamborim". Que os homens da Bíblia erravam e Deus dava uma "piscadinha" porque era tempo de ignorância é uma coisa, outra coisa é um conceito claro nas Escrituras que nos permite usar a percussão na adoração.


A leitura de que Deus estava indicando um ideal de louvor no Primeiro Templo, que só incluía certos instrumentos não pode ser defendido no contexto das festas de Israel (Veja Salmo 81) e principalmente não se verifica na história do Segundo Templo. Os levitas obviamente não interpretaram essa lista como rígida pois com o tempo, incluíram vários outros instrumentos, inclusive a flauta e o tamborim que não estavam na lista de Crônicas. Havia inclusive a dança celebrativa no Segundo Templo. Por outro lado, o Salmo 150 também pode ser considerado como emblemático do louvor que Deus quer do Seu povo, e todas as classes de instrumentos estão incluídas ali. As referências sobre isso estão no meu artigo na seção Tamborins e o Templo.)


Há muitos temas que não estão dados claramente na Bíblia, mas os servos de Deus estudam e chegam à luz revelada. O juízo investigativo não é referido na Bíblia, mas está claro para todos os adventistas que esse juízo está em andamento, sendo uma doutrina capital da fé adventista. A trindade não é afirmada pela Bíblia, a palavra não está na Bíblia. Mas o estudo dos diversos textos mostra que é assim que a divindade existe. Os adventistas entendem que devem evitar o uso de alimentos de origem animal hoje, mas a Bíblia não os proíbe.


Note que a verdade nem sempre é dada “de graça” por Deus. Ellen White até diz que “é plano de Deus dar suficiente evidência do caráter divino de Sua obra para convencer a todos quantos desejam sinceramente conhecer a verdade. Mas ele nunca remove toda a oportunidade de dúvida. Todos quantos desejam pôr em dúvida e cavilar encontrarão ensejo” (ME, I, 72, grifado). Jesus mesmo disse que falava por parábolas “para que nem todos entendessem” (Mc 4:12), e deixa claro que a verdade precisava ser buscada com oração, humildade e estudo. Tem verdade escondidas, que só o “garimpeiro” descobre. Mas quando descobre elas aparecem claramente, sem necessidades de qualquer malabarismo exegético. Ellen White ainda diz: “Os que cavam abaixo da superfície descobrem às escondidas gemas da verdade” (ME, II, 39).


(Concordo, mas é arriscado tentar criar um princípio moral encima do silêncio da Bíblia, principalmente quando ela é CLARA que a percussão é compatível com o louvor a Deus. Então seria contraditório querer tirar uma "pérola" de uma passagem obscura que acaba confrontando uma revelação mais clara.)


Você não vai encontrar na Bíblia uma proibição de certas coisas da forma com espera.


(Concordo, mas quando há uma autorização clara, como no caso da percussão na música sacra, ela sobrepõe-se à "condenação" ausente.)


Outro ponto que gostaria que você pensasse com cuidado é seu artigo a respeito do fanatismo da “carne santa”. Você diz que Ellen White não focaliza a discussão na questão da música, mas apenas no problema teológico, quando fala do assunto em Mensagens Escolhidas (ME).


Também diz que ela não está falando dos “últimos dias”, no tempo da volta de Cristo.
Ela faz uma profecia acerca da música do movimento da “carne santa”, dizendo que tal liturgia iria voltar nos últimos dias.


Mas na verdade, nos diversos textos em que ela fala sobre o assunto, ela volta toda hora ao problema litúrgico, até mais do que dá atenção ao problema teológico.


(Isso parece ser verdade quando tiramos as citações do contexto. Sua mensagem à liturgia desses movimentos envolvia um pano de fundo teológico que se perde quando descontextualizamos as mensagens.)


Veja com cuidado alguns deles, onde grifei certas palavras:

1) “Havia exaltação, com ruído e confusão. Não se podia distinguir uma coisa da outra. Alguns pareciam estar em visão, e caíam por terra. Outros pulavam, dançavam e gritavam. Declaravam que, como sua carne estivesse purificada achavam-se prontos para a trasladação. Isto repetiam e repetiam. Dei meu testemunho em nome do Senhor, manifestando Sua reprovação a essas manifestações” (ME, II, 34).


(Este texto não se refere à Carne Santa e sim a outros movimentos carismáticos no início do Adventismo.)

2) “A maneira por que têm sido dirigidas as reuniões em Indiana, com barulho e confusão, não as recomendam a espíritos refletidos e inteligentes. O Senhor deseja manter em Seu serviço ordem e disciplina, não agitação e confusão” (ME, II, 35).

3) “As coisas que descrevestes como ocorrendo em Indiana, o Senhor revelou-me que haviam de ocorrer imediatamente antes da terminação da graça. Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, música e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se pode confiar neles quanto a decisões retas. E isto será chamado operação do Espírito Santo” (ME, II, 36).

4) “O Espírito Santo nunca Se revela por tais métodos, em tal balbúrdia de ruído. Isso [o ruído] é uma invenção de Satanás para encobrir seus engenhosos métodos para anular o efeito da pura, sincera, elevadora, enobrecedora e santificante verdade para este tempo. É melhor nunca ter o culto do Senhor misturado com música do que usar instrumentos músicos para fazer a obra que, foi-me apresentado em janeiro último, seria introduzida em nossas reuniões campais. A verdade para este tempo não necessita nada dessa espécie em sua obra de converter almas. Uma balbúrdia de barulho choca os sentidos e perverte aquilo que, se devidamente dirigido, seria uma bênção. As forças das instrumentalidades satânicas misturam-se com o alarido e barulho, para ter um carnaval, e isto é chamado de operação do Espírito Santo” (ME, II, 36).

5) “Nenhuma animação deve ser dada a tal espécie de culto”. Veja que ela não fala da doutrina da carne santa, mas do culto (ME, II, 37).

6) “O Espírito Santo nada tem que ver com tal confusão de ruído e multidão de sons como me foram apresentadas em janeiro último. Satanás opera entre a algazarra e a confusão de tal música, a qual, devidamente dirigida, seria um louvor e glória para Deus. Ele torna seu efeito qual venenoso aguilhão da serpente (ME, II, 37).

7) “Essas coisas que aconteceram no passado hão de ocorrer no futuro. Satanás fará da música um laço pela maneira por que é dirigida” (ME, II, 38).

8) “Alguns [fanáticos depois de 1844] dançavam para cima e para baixo, cantando: "Glória, glória, glória, glória, glória, glória." Por vezes eu ficava sentada quieta até que eles terminassem, e então me erguia e dizia: "Esta não é a maneira por que o Senhor opera. Ele não causa impressões assim. Precisamos dirigir a mente do povo à Palavra como o fundamento de nossa fé” (ME, II, 42).


(Os pontos 8-12 não se referem à Carne Santa e sim a outros movimentos carismáticos no início do Adventismo onde houve fanatismo ao som do piano, sem qualquer "balbúrdia ou ruído". Veja ME 3; 363).

9) “Temo qualquer coisa que tenha a tendência de desviar a mente das sólidas provas da verdade tal como se revela na Palavra de Deus. Temo isto; temo isto. Precisamos pôr nossa mente dentro dos limites da razão, não seja que o inimigo penetre de maneira a pôr tudo em desordem” (ME, II, 43).

10) “Cumpre-nos fortalecer nossa posição demorando a mente na Palavra, e evitando todas as esquisitices e cultos religiosos estranhos que alguns seriam muito prontos em pegar e praticar. Caso permitíssemos que a confusão penetrasse em nossas fileiras, não poderíamos libertar disso nossa obra” (ME, II, 44).

11) Sobre um casal de reavivalistas fanáticos, ela diz: “No falar, cantar e em exibições estranhas, que não estão em harmonia com a obra genuína do Espírito Santo, sua mulher está ajudando a introduzir um aspecto de fanatismo que causaria grande dano à causa de Deus, caso lhe fosse permitido qualquer lugar em nossas igrejas” (ME, II, 45).
12) “Meu irmão e minha irmã, tenho uma mensagem para vós: Estais baseados numa falsa suposição. Há muito do próprio eu entretecido em vossas exibições. Satanás entrará com fascinante poder através dessas exibições. É mais que tempo de vos deterdes” (ME, II, 45).



Veja como ela se concentra no problema da liturgia consistentemente. (Quando descontextualizadas, sim.) E expressa mais preocupação com esse assunto do que com o problema teológico da “carne santa”, para o qual ela se limita a umas poucas referências. A liturgia é o carro-chefe para do fanatismo. Isso está claro na maneira de ela expressar suas preocupações.


(O que vou escrever aqui está no meu artigo na seção inicial Pano de Fundo do artigo "Ellen White Era Contra a Bateria na Música Sacra?"


O culto caótico da Carne Santa era a culminação das heresias teológicas do grupo segundo a testemunha ocular Stephen Haskell: para alcançar "carne santa", os fanáticos deveriam passar pela experiência do "jardim" que era justamente o êxtase NO CULTO acompanhado de tambores, gritos histéricos e finalmente o desmaio que concedia a "carne santa" para transladação. Não há como separar os dois, o culto, liturgia e música iam de mãos dadas com as crenças do grupo.


Portanto é um equívoco dizer que a liturgia era o carro-chefe do movimento e que a heresia teológica era secundária, quando é justamente o contrário: a heresia do perfeccionismo através da "carne santa" para transladação exigiu a criação de um sistema de culto que auxiliava na experiência do "jardim" que concedia justamente a carne santa, pelo êxtase. Ellen White na carta a Haskell e na declaração à Conferência Geral de 1901 condenou precisamente o erro teológico e o culto que elas causavam. Com o esfacelamento da heresia, automaticamente o culto desapareceu.


Ao dedicar boa parte de sua mensagem à Carne Santa aos excessos do culto do grupo, EGW está obviamente advertindo a IASD contra o perigo de se "dar animação" a um estilo de culto ruidoso, emocional ou com êxtase e chamá-lo de ação do Espírito Santo. Sua preocupação era o "choque dos sentidos" que impede a adoração racional e compromete a atuação do Espírito Santo na adoração.)




Ellen White fala sobre instrumentos musicais no sentido de recomendar seu uso. E diz: “Não nos devemos opor ao uso de instrumentos musicais em nossa obra” (Obreiros Evangélicos, 357). Você cita esse texto, e creio, mas não explica que nesse contexto ela estava orientado igrejas onde havia gente que considerava errado usar instrumento musical, e que Deus só aceitava a voz humana no louvor.


(O fato é que em todo o seu ministério ela não condenou um só instrumento musical. Ele falou de maneira desfavorável muitas vezes do piano mas isso não se fala hoje.)



Bem, gostaria de concluir com algumas observações. Tudo que já escrevi sobre o assunto da música, sempre do ponto de vista teológico e bíblico, não significa que considero como membro da igreja que nossa música é “ruído” e “confusão”. Pelo contrário, a música adventista sem dúvida está entre as mais sacras entre todos os evangélicos. Enquanto outras denominações têm caído para uma completa perda da noção da música sacra e do culto de louvor, aceitando tudo que é mundano, a igreja adventista por causa de sua visão profética, tem mantido uma música mais próxima dos padrões divinos. E nessa distinção que está a sua força.


(É bom distinguir entre princípios de adoração e princípios de música: Deus deixou princípios de adoração claros na Bíblia mas não de música. Por quê? Porque ele sabe que a música sacra no contexto humano, sofre evolução; a música que era apropriada para o culto do primeiro templo seria inaceitável hoje pois ela e seus instrumentos eram frutos de um determinado contexto histórico. Precisamos estabelecer firmemente quais os princípios bíblicos de adoração e daí então fazer com que a música auxilie este culto "racional", celebrativo, exultante, com júbilo reverente. Querer produzir princípios de música no que tange à técnica ou estilo musicais leva sempre a extremos.)


Mas há certas regiões em que nossa igreja tem pendido para um liturgia perigosa.


(Temos que ter cuidado para não achar que é errado algo que é somente "diferente" do que estamos acostumados. Creio que a frase "liturgia perigosa" reflete um pouco desde zelo por uma certa tradição de se fazer as coisas. O Adventismo surgiu como uma reação ao tradicionalismo evangélico do século 19. Quando perdemos nossa identidade de inovadores?


A IASD não tem o pano de fundo teológico para que descambemos no carismatismo e êxtase, isso é um fato insofismável. Não cremos em êxtase, não falamos línguas, nossa música não leva a e nem acompanhava desmaios, manifestações estranhas. Os movimentos carismáticos que surgiram em nosso meio ou se desfizeram ou foram rejeitados pela IASD como denominação porque seguimos firmes sobre os Testemunhos. Esses movimentos segundo EGW continuarão a aparecer "de tempos em tempos" mas a IASD precisa continuar firme, e ao mesmo tempo evitar que o medo excessivo leve à condenação até da atuação legítima do Espírito Santo como explorei no meu artigo "Fanatismo e Verdadeiro Reavivamento".)


A igreja brasileira tem mantido uma liturgia mais pura, e isso certamente se deve ao nível de “adventismo” que ainda temos mantido. Quando falo de nível de adventismo, quero dizer que há uma tendência de nos tornarmos evangélicos. Mas nós não somos evangélicos. A igreja adventista é a igreja remanescente.


(Não vejo como ser evangélico possa ser incompatível com o ser "remanescente". Quem sabe precisamos nos tornar ainda mais 'evangélicos', no sentido de vivermos o Evangelho das boas novas, e não das boas "obras" e exclusivismo que a idéia distorcida de remanescente pode acarretar.)


Ela está à frente das demais e precisa estar para cumprir seu papel, do contrário ela se tornará irrelevante. Nossa relevância não consiste de sermos modernos, atuais e esclarecidos ao modelo do mundo. Mas em sermos bíblicos, fundados na Revelação divina em tudo que fazemos, em doutrina e prática.


(Biblicamente, ser relevante é pregar a "verdade presente" que não caduca com os tempos mas que deve ter roupagem relevante aos tempos. A evolução natural da música sacra como um fato histórico é parte desse processo de fazer a verdade "presente".)


Assim, meu ponto de vista sobre a música na igreja adventista é mais no sentido de precaução e de uma busca pelo que é ideal, mesmo que não o possamos atingir completamente.


(Concordo precisamos seguir com cuidado no assunto da adoração mas com o devido equilíbrio para que o zelo não nos leve posições extremas que no fim acabam tolhindo a própria obra do Espírito Santo.)



Espero ter sido bem compreendido.


Que Deus continue com você e sua família.
Vanderlei Dorneles



(Agradeço ao Vanderlei a boa vontade de analisar o material e oferecer observações. Espero poder continuar o diálogo amigável e construtivo.)
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Tambores e os Instrumentos do Senhor


Clique aqui para baixar versão PDF deste artigo.


O presente artigo analisa o uso de tamborins no transporte da arca em 1 Crônicas 13 e 15. As passagens têm sido usadas pelos oponentes ao uso da percussão na música Adventista para provar que Davi excluiu os tambores na segunda tentativa e só então o transporte teve sucesso.

O artigo propõe uma conclusão original sobre o episódio e também apresenta um contraponto às conclusões de Vanderlei Dorneles em seu artigo publicado no Advir mas que foi recentemente indisponibilizado. Para ler o artigo, clique aqui. Outro artigo de Dorneles que apóia a mesma interpretação pode ser lido aqui.

Um abraçø e obrigado por participar deste espaço!

André Reis

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Perfeitos em Cristo


Acabo de ler o livro Perfect in Christ do teólogo Adventista Helmut Ott. O livro não é recente, foi publicado em 1987 pela Review and Herald. (Ele pode ser comprado usado aqui nos EUA somente no Amazon.com)


Tomei conhecimento do livro através do livro no site www.sdanet.org que publica artigos, livros e materiais sobre teologia Adventista. O livro analisa conceitos de justificação, santificação e perfeição nos escritos de Ellen White. A beleza da teologia de EGW sobre a perfeição é explorada a fundo no livro.


Um capítulo especialmente importante é o que trata da perfeição, mediação e fechamento da porta da graça. Ott analisa a passagem de Ellen White onde ela diz que:


"Os que estiverem vivendo sobre a Terra quando a intercessão de Cristo cessar no santuário celestial, deverão, sem mediador, estar em pé na presença do Deus santo. ... Deixando Ele o santuário, as trevas cobrem os habitantes da Terra. Naquele tempo terrível os justos devem viver à vista de um Deus santo, sem intercessor." (GC 425, 614).


Esta passagem tem sido mal interpretada por Adventistas que promovem o perfeccionismo. Estes advogam a idéia de que deveremos estar em pé na presença de Deus pelas nossas próprias obras, ou pelos nossos próprios méritos, sem a mediação de Cristo após o fechamento da porta da graça. Nada poderia estar mais longe da verdade.


Veja a passagem completa no seu contexto:


"Os que estiverem vivendo sobre a Terra quando a intercessão de Cristo cessar no santuário celestial, deverão, sem mediador, estar em pé na presença do Deus santo. Suas vestes devem estar imaculadas, o caráter liberto de pecado, pelo sangue da aspersão." (GC 425)


Lembre-se que em nenhum momento da história, ninguém foi salvo pelos seus próprios méritos, pela sua própria "isenção de pecado". E não será diferente após o fechamento da porta da graça. Até a glorificação, precisaremos ter sobre nós o "sangue da aspersão".


Assim como os israelitas no deserto eram salvos pela fé neste sangue que ainda não fora derramado, os que estiverem vivos por ocasião da vinda de Cristo também estarão salvos e seguros pela fé neste sangue quando a intercessão houver terminado.


Não é lindo saber que você e eu seremos salvos da mesma maneira que Davi, Moisés, ou Elias receberam a salvação? Como um presente, através da intercessão do sangue de Cristo em seu favor, não por boas obras que tenham realizado?


Além de estar protegidos pelo "sangue da aspersão" Ellen White declara que os santos terão proteção especial neste tempo para que não percam sua condição de selados:

"A história de Jacó é também uma segurança de que Deus não rejeitará os que forem enganados, tentados e arrastados ao pecado, mas voltaram a Ele com verdadeiro arrependimento. Enquanto Satanás procura destruir esta classe, Deus enviará Seus anjos para a animar e proteger, no tempo de perigo. Os assaltos de Satanás são cruéis e decididos, seus enganos, terríveis; mas os olhos do Senhor estão sobre o Seu povo, e Seu ouvido escuta-lhes os clamores. Sua aflição é grande, as chamas da fornalha parecem prestes a consumi-los; mas Aquele que os refina e purifica, os apresentará como ouro provado no fogo. O amor de Deus para com os Seus filhos durante o período de sua mais intensa prova, é tão forte e terno como nos dias de sua mais radiante prosperidade; mas é necessário passarem pela fornalha de fogo; sua natureza terrena deve ser consumida para que a imagem de Cristo possa refletir-se perfeitamente." (GC 621)

E não haverá possibilidade de mudança nesta condição após Jesus sair do Santuário pois o destino de todos estará fixo, embora os salvos não o saibam:

"Assim, quando a decisão irrevogável do santuário houver sido pronunciada, e para sempre tiver sido fixado o destino do mundo, os habitantes da Terra não o saberão." (GC 615).

A imaculada veste da justiça de Cristo é colocada sobre os provados, tentados mas fiéis filhos de Deus. O remanescente está vestido em gloriosas vestes,
para nunca mais serem contaminados pela corrupção do mundo. Seus nomes estão no livro da vida do cordeiro, escritos entre os fiéis de todas as eras. (Testimonies, vol. 5, p. 475).


Note como este conceito é compatível com o que Judas disse em seu livro:


"Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos, ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e para todo o sempre. Amém." (Judas 24,25)


A pintura acima de Harry Anderson, renomado pintor adventista é uma das minhas preferidas desde pequeno. Ela está cheia de significado espiritual pois contém os elementos centrais da justificação e representa a obra que Jesus efetua hoje em nosso favor segundo o livro de Hebreus: o padrão divino da lei, o registro da vida do pecador que mostra como ele foi incapaz de guardar esta lei e a mediação de Cristo ao apresentar seus méritos no lugar do pecador.

O livro teve um efeito poderoso sobre minha vida espiritual. Posso dizer que até hoje, depois de tantos anos de estudos teológicos, eu não havia sentido a alegria da certeza da Salvação como sinto após entender perfeitamente a obra salvífica de Jesus em meu favor! O sentimento é MARAVILHOSO!


Tenho certeza de que minha salvação está garantida enquanto eu me apegar aos méritos perfeitos de Jesus!


A leitura da Bíblia tomou um outro sentido para mim. Em vez de ter medo de perder a salvação, o retorno de Jesus agora tomou outro significado, ele só me causa alegria, alívio e grande esperança porque sei que em Jesus, minha salvação está garantida.


*Não seria aí um bom começo para quem quer reformar a igreja meramente cortando folhas em vez de atingir a raíz do problema?

*Se as pessoas não entendem a boa nova da salvação, será inútil tentar fazê-las se conformar a um padrão de comportamento, estilo de vida, costumes e até mesmo certas doutrinas fundamentais da IASD.


Somente o poder do Evangelho é que pode realizar esta obra. Por isso a ênfase deve ser o entendimento e aceitação do presente GRATUITO que é a salvação. Quem tem um real vislumbre da cruz, não fará NADA para perder este sentimento. Haverá um reavivamento como nunca houve na IASD!


Creio que a passagem de EGW que melhor expressa sua teologia de justificação pela fé está aqui:


Não assuma ninguém a atitude limitada e acanhada de que qualquer das obras do homem possa ajudar, no mínimo que seja, a liquidar a dívida de sua transgressão. É este um engano fatal. Se o quiserdes entender, deveis cessar de acariciar vossas idéias favoritas, e de coração humilde contemplar a expiação. Este assunto é compreendido tão vagamente que milhares de milhares, afirmando ser filhos de Deus, são filhos do maligno, porque confiam em suas próprias obras. Deus sempre exigiu boas obras, a lei as exige, mas como o homem se colocou no pecado, onde suas boas obras não tinham valor, unicamente a justiça de Cristo pode prevalecer. Cristo pode salvar perfeitamente, porque sempre vive para fazer intercessão por nós. Tudo que o homem pode fazer no sentido de sua salvação, é aceitar o convite: "Quem quiser, tome de graça da água da vida." Apoc. 22:17. Pecado algum pode ser cometido pelo homem, para o qual não se tenha dado satisfação no Calvário. Assim a cruz, em fervorosos apelos, constantemente oferece ao pecador uma expiação cabal.” (ME 1, 343-344)


E ainda:


"Toda alma pode dizer: "Por Sua obediência perfeita satisfez Ele os reclamos da lei, e minha única esperança está em olhar para Ele como meu substituto e penhor, que obedeceu perfeitamente à lei por mim. Pela fé em Seus méritos estou livre da condenação da lei. Ele me veste de Sua justiça, que responde a todas as exigências da lei. Sou completo nAquele que introduz a justiça eterna. Ele me apresenta a Deus nas vestes imaculadas das quais nenhum fio foi tecido por qualquer instrumento humano. Tudo é de Cristo, e toda a glória, honra e majestade devem ser dados ao Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo." (1ME, 396)


Esta é a BOA NOVA do Evangelho, uma boa notícia. O evangelho das "boas obras" é a pior notícia que alguém pode dar a alguém, pois ela equivale a uma sentença de morte, e morte eterna. Jesus veio para que tivéssemos vida abundante!


Não seria hora de nos livrarmos desse obstáculo do perfeccionismo e começarmos a experimentar a verdadeira alegria de estarmos seguros em Cristo?


Como disse alguém: “Quando olho para mim mesmo, não vejo como possa salvar-me; quando olho para Jesus, não vejo como possa perder-me.”


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Recomendo para aqueles que lêem inglês o livro Perfect in Christ neste link http://www.sdanet.org/atissue/books/ott/index.htm


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Fanatismo e Reavivamento Verdadeiro na Igreja Adventistas


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Tem havido um grande interesse ultimamente na questão do carismatismo no Adventismo.

Parte desta apreensão se dá pela visão de Ellen White publicada no Mensagens Escolhidas vol. 2, p. 36-39, onde ela viu os excessos carismáticos e emocionais do movimento da Carne Santa em 1900 e advertiu a Igreja contra os mesmos. O culto da Carne Santa degenerou-se em espiritualismo e incluía "tambores, gritos, dança e música". Muitos erroneamente vêem aqui uma alusão ao estilo de música sacra contemporânea, principalmente a que usa da "bateria".

Realizei um estudo para esclarecer algumas questões pessoais sobre a música da Carne Santa e seu culto que resultou no artigo "Ellen White Era Contra a Bateria na Música Sacra?", disponível aqui neste site.

Desde a publicação deste artigo tem havido respostas bastante apaixonadas por alguns blogueiros adventistas que crêem que o artigo abrirá as portas para o carismatismo na IASD. Houve ataques pessoais e inflamados no afã de proteger a "sã doutrina". Fui acusado de usar da mentira e desonestidade exegética e jornalística inúmeras vezes. Um deles até expressou o desejo de que o artigo fosse aceito de maneira universal pela igreja para que a apostasia final fosse finalmente desencadeada no Adventismo. (Quem disse que o extremismo não existe mais na IASD?)

Por outro lado, teólogos, pastores, músicos, jovens e líderes da IASD no Brasil e exterior expressaram profundo contentamento pelos esclarecimentos e desmistificação do ocorrido em Indiana em 1900 e elogiaram as conclusões equilibradas do artigo no que tange ao uso da percussão e implicações escatológicas da música adventista.

Recentemente, o site Música e Adoração publicou um artigo de George Rice intitulado "Experiências Carismáticas da Igreja Adventista: Passado e Futuro"
(leia o artigo aqui), escrito quando este fez parte no White Estate em 1990 e que, segundo alguns blogueiros adventistas, contradiz as conclusões do meu artigo, ou apresenta a opinião "oficial" da IASD sobre a visão de Indiana. Essas são alusões claras às "heresias" da minha pesquisa.*

No entanto, uma leitura mais detalhada do artigo mostra que Rice não contradiz as conclusões que apresentei no artigo sobre a bateria. Ele não trata da parte que a "bateria" ou percussão supostamente terão na escatologia adventista. Rice cita a visão de Indiana e trata de contextualizar os "tambores" da visão estritamente ao contexto de 1900 como eu e outros estudiosos adventistas fizeram, enquanto se concentra na parte que a música em seus aspectos gerais terá em auxiliar na contrafação de verdadeiros reavivamentos na IASD.

George Rice também não tenta traçar paralelos entre os elementos específicos a Indiana e a música adventista atual. A música como "laço nas mãos de Satanás" é a maior preocupação de Rice e isto é compatível com a visão de Ellen White. (Aqui Rice compartilha da minha opinião de que os elementos de Indiana não esgotam as manifestações carismáticas hoje. Prova disso é o fato de que os 'tambores' específicos a Indiana não fazem parte das experiências de êxtase de muitas igrejas pentecostais tradicionais modernas. O êxtase ocorre ao som de música sacra clássica ou tradicional.)

Note também que para Ellen White, a música como "laço" não se refere somente à que "choca os sentidos" nos movimentos espiritualísticos, carismáticos ou pentecostais, mas a toda música que auxilie no falso culto, seja este solenemente contemplativo ou com êxtase carismático. A mera ausência de “balbúrdia e ruído” não implica necessariamente em um culto verdadeiro.
Veja o que ela diz da música como "laço" na Missa Católica:

"A música é excelente. As belas e graves notas do órgão, misturando-se à melodia de muitas vozes a ressoarem pelas elevadas abóbadas e naves ornamentadas de colunas, das grandiosas catedrais, não podem deixar de impressionar a mente com profundo respeito e reverência. Este esplendor, pompa e cerimônias exteriores, que apenas zombam dos anelos da alma ferida pelo pecado, são evidência da corrupção interna. … O fulgor do estilo não é necessariamente índice de pensamento puro, elevado. Altas concepções de arte, delicado apuro de gosto, existem amiúde em espíritos que são terrenos e sensuais. São freqüentemente empregados por Satanás a fim de levar homens a esquecer-se das necessidades da alma, a perder de vista o futuro e a vida imortal, a desviar-se do infinito Auxiliador e a viver para este mundo unicamente." (O Grande Conflito, p. 566-567.)

Veja como os elementos artísticos acima descrevem bem o que ocorre em muitas Igrejas Adventistas hoje. Mas seriam esses medidores seguros do nível de espiritualidade da congregação?

Para Ellen White, não.

Ela condena a Missa e seus elementos "salvíficos", do qual a música contemplativa faz parte. Esses elementos salvíficos fazem o adorador se desviar do "infinito Auxiliador" e buscarem a salvação pelas obras e na ação salvífica da Liturgia:

Disse Ratzinger antes de se tornar Bento XVI:
"Esta ação de Deus, que ocorre através da fala humana, é a ação "real" pela qual a Criação espera. Os elementos da terra são transubstanciados, retirados por assim dizer, de sua base humana, e transformados no corpo e sangue de nosso Senhor. ... Isso é real sobre a liturgia cristã: Deus age e faz o que é essential." (Ratzinger, o Espírito da Liturgia, 2000 p. 173).

A sutileza do erro é: Deus age através do elementos da liturgia (pão e vinho) para a expiação, fazendo de nenhum efeito o sacrifício "de uma vez por todas" na cruz.

Adventistas zelosos pela música e adoração caem facilmente no mesmo erro e sua música também se torna "um laço" nas mãos de Satanás para desviá-los da centralidade de Cristo no culto a uma espécie de "transubstanciação musical", uma ênfase exagerada na "perfeição musical e adorativa" para que o culto se torne uma espécie de "sacrifício expiatório". (Um conceito que ajuda neste erro de "música para salvação" é a analogia de música inapropriada como "fogo estranho", que fere princípios bíblicos de exegese e leva consigo a heresia da música para salvação.)

Um livro que promove este conceito de "justificação pela música" é o livro de Dario Pires de Araújo Música, Adventismo e Eternidade em que o autor considera a música como "instrumento de salvação", "eficaz para a salvação" para citar algumas das expressões usadas. Música sacra "para salvação" é o maior "laço" que Satanás pode usar para levar adoradores ao falso culto. (A música sacra dever ser instrumento de pregação, puramente funcional e estar subserviente à centralidade de CRISTO no culto. Embora importante para adicionar ao interesse do culto, a qualidade desta não tem qualquer peso para a salvação.)

No que tange às conclusões do artigo de George Rice sobre o carismatismo na IASD, creio serem necessárias algumas observações:

1. Creio que George Rice poderia ter abordado os perigos de ficarmos estacionados no extremo do culto formal meramente para fugir de um possível "falso reavivamento". Mas acredito também que o artigo não se propôs a ser uma análise exaustiva do assunto da adoração adventista, que possui mais complexas nuances.

2. A título de contraste, George Rice também somente cita passagens de Ellen White que enfatizam um louvor calmo, tranqüilo e contemplativo mas parece ignorar outras citações onde ela pede mais energia e poder no culto. (Veja Patriarcas e Profetas, p. 591; Evangelismo, p. 505-8, 512; Educação, p. 39; Manuscript Releases vol 5, p. 424). Note que o modelo de adoração congregacional dos Salmos também é bem mais exultante e vibrante do que certas citações "escolhidas" de Ellen White. Davi conclama os povos a darem altos brados e fazer um som exultante, alto e jubiloso ao Senhor. (Veja o Salmo 98). Sem dúvida há necessidade de equilíbrio nesta questão.

3. Baseando-se no aspecto de condicionalidade de algumas profecias de Ellen White e em seus apelos para que não permitamos que o fanatismo crie raízes, é seguro continuar a afirmar que o aparecimento dos excessos espiritualísticos da Carne Santa estão condicionados à resposta da Igreja a esses falsos reavivamentos. Por isso as inúmeras advertências contra isso nos escritos de Ellen White que têm sido acatadas à risca (ao extremo?) até hoje pela Igreja e precisamos nos manter firmes nesta questão até o fim. É possível que o carismatismo se arraigue na IASD? Sim, mas só se deixarmos que isso aconteça ao esquecer dos "ensinos do passado".

4. Embora Rice pareça acreditar que a IASD corre um perigo real e iminente de cair no carismatismo por estarmos cada vez "mais perto do fim", ele não oferece um provável cenário onde a teologia Adventista do Espírito Santo e de adoração poderiam ser totalmente subvertidos criando o canteiro onde o culto carismático crie raízes. É como dizer que a IASD vai abandonar a guarda do sábado pelo domingo. É possível? Sim, mas muito pouco provável.

5. Que houve elementos carismáticos isolados na IASD é um fato histórico. A contrafação do verdadeiro reavivamento tem ocorrido na IASD desde os primórdios e não é algo a se esperar exclusivamente para o futuro. No Brasil, o surgimento do grupo carismático Igreja Adventista da Promessa já em 1932 por um ex-pastor adventista é prova disso. Esses movimentos não são exclusivos ao nosso tempo, mas fazem parte das três rãs de Apocalipse 16:13-14 que agem desde 1844. Mas note que todos esses grupos no Brasil e em outras partes do mundo, se desligaram da IASD e formaram seus próprios movimentos. Isso é prova contundente do repúdio da IASD a estas manifestações por irem contra a nossa bem estabelecida teologia do Espírito Santo.
Em suma, longe de contradizê-las, creio que o artigo de Geoge Rice corrobora as conclusões que teci sobre o movimento da Carne Santa no que tange à contextualização de seus elementos "tambores, música, gritos e dança" e também aos aspectos de condicionalidade do cumprimento da profecia na IASD. Ele diz que

Devemos estar em guarda, que nossa experiência espiritual esteja fundamentada na Palavra de Deus, e não em experiência extáticas. Fortes alertas são dados àqueles que buscam um pico emocional através de uma “experiência espiritual”. (George Rice em "Experiências Carismáticas da Igreja Adventista: Passado e Futuro.")

No entanto, a fim de equilibrar a posição de Ellen White sobre reavivamentos e fanatismo, creio que um episódio na história da igreja serve para elucidar a visão de Ellen White sobre o assunto:

No início de 1885, Ellen White orou por um reavivamento na comunidade adventista de Healdsburg, Califórnia, onde morava. A resposta veio através de uma série de reuniões de reavivamento dirigidas pelo Pastor E. P. Daniels em agosto, no colégio Adventista da cidade. Ellen White a esta altura já estava em viagem pela Europa. A igreja local respondeu com grande interesse espiritual e profunda reconsagração por cinco semanas.

Porém, devido a alguns elementos de fanatismo que se manifestaram (não há evidências de que houve manifestações de êxtase ou espiritualismo nas reuniões) e erros de julgamento dos líderes das reuniões, a liderança daquela Associação decidiu interromper as reuniões, contrariando a vontade da comunidade adventista naquele lugar.

Ao se inteirar da situação, Ellen White escreveu àqueles líderes:

...em referência ao reavivamento em Healdsburg gostaria de dizer que não estou de acordo com o vosso tratamento desse assunto. Que houve fanáticos ali e que influenciaram a obra, não vou negar. Mas se no futuro agirdes da mesma forma como o fizestes neste caso, podeis ter certeza de uma coisa, condenareis a obra da chuva serôdia quando ela vier. Pois vereis naquele tempo maiores evidências de fanatismo. (Carta 76 1886).

Esta declaração surpreendente é crucial para o entendimento do reavivamento verdadeiro da Chuva Serôdia: ele terá elementos extremos de fanatismo e até maiores do que vemos hoje! E haverá o perigo de condenar esse derramamento do Espírito Santo pelo zelo de "proteger" a Igreja.

Segundo Ellen White o zelo desenfreado de condenar tudo que fuja da "tradição", normas e métodos estabelecidos e opiniões pessoais dos líderes pode até impedir o derramamento da Chuva Serôdia!

Qual NÃO deve ser nossa atitude quanto ao reavivamento verdadeiro que apresente elementos de fanatismo? Ela diz:

Homens podem se pronunciar contra isso [reavivamento] porque ele não se alinha com suas opiniões pessoais. O fanatismo virá como sempre vem quando Deus opera. A rede ajunta o bom e o mau, mas quem se atreverá em jogar tudo fora, somente porque alguns não são peixes bons? (Veja Mat. 13:24-30)

Quando for feito um esforço na obra de Deus, Satanás estará presente para ser notado, mas seria a obra dos ministros estender a mão e dizer: "Isso não deve continuar, pois não é obra de Deus"? (Ibid.)

E qual deve ser a atitude da liderança da IASD e dos seus membros quando houver extremos e excessos nos reavivamentos e na Chuva Serôdia? Sobre Healdsburg ela diz:

Então eram necessários homens de discernimento, de mentes calmas e equilibradas para agir em caso de perigo e indiscreção, a fim de ter uma influência a moldar a obra. Poderíes tê-lo feito. (Ibid.)

Veja que o papel da liderança é com "discernimento, calma e equilíbrio" agir para que a obra se mantenha livre de excessos mas, ao mesmo tempo, não devem interferir com a obra do Espírito Santo. A preocupação de Ellen White aqui é que, no zelo de 'super-proteger' a IASD da contrafação carismática, caiamos no erro de condenar a obra do Espírito Santo como obra Satânica ou que impeçamos a chuva serôdia através deste zelo.

Qual o resultado de se condenar a obra do Espírito Santo como sendo do inimigo?

Temo que tenhais ofendido ao Espírito de Deus. Os frutos foram bons na obra em Healdsburg mas o espúrio entrou juntamente com o genuíno. (Ibid.)

O Senhor trabalhou em vosso meio mas Satanás, que está sempre ativo buscando oportunidades favoráveis, se intrometeu para adicionar fanatismo à obra do Senhor, para semear joio com a boa semente. Apegai-vos a tudo o que seja bom. Não tenhais espírito de Farisaísmo; não tenhais atitudes de superioridade ou auto-confiança. (Carta 21, 1886)

Deveríamos nos perguntar: É essa a atitude que temos visto em nós mesmos e na liderança da IASD? Será que temos caído em condenação por tentar super-controlar a obra do Espírito Santo?

Falando ainda de outro reavivamento em Battle Creek em 1893, ela diz:

Cumpre-nos ser muito cuidadosos de não ofender o Espírito de Deus, não declarando que o ministério de Seu Espírito Santo é uma espécie de fanatismo. (ME 1, p. 130)

Ellen White deixa claro que o reavivamento verdadeiro trará consigo elementos de fanatismo. Não que ele deva trazer, mas a obra de Deus sempre é acompanhada por contrafações e paralelos satânicos. Em outro lugar ela explica que:

Há uma classe de pessoas sempre dispostas a escapar por alguma tangente, que desejam apreender qualquer coisa estranha, maravilhosa e nova; mas Deus quer que todos procedam calma e ponderadamente … Devemos guardar-nos de criar extremos, de animar os que tendem a estar ou no fogo, ou na água. (Testemunhos para Ministros, p. 227-228.)

Temos descoberto em nossa experiência que, se Satanás não consegue manter as almas no gelo da indiferença, ele tentará empurrá-las no fogo do fanatismo. Quando o Espírito do Senhor se manifesta entre Seu povo, o inimigo se aproveita da oportunidade também, buscando moldar a obra de Deus através de traços de caráter peculiares e não-santificados daqueles que estão unidos a esta obra. (Testimonies, vol. 5, p. 644).

Novamente aqui vemos a obra do Espírito Santo acompanhada por elementos fanáticos. O problema é jogarmos fora "o bebê com a água" só por que alguns escolhem fanatizar esses esforços. Note também que ela descreve muitos na igreja como estando no "gelo da indiferença":

*Por acaso essa expressão "gelo da indiferença" não define o culto formal e friamente solene que vemos em muitas igrejas hoje?

*É assim que o Espírito Santo se revela? Será que estamos mais propícios a receber o derramamento do Espírito nos mantendo nesse "gelo"?


*Por outro lado, será que meros "ornamentos" no culto (música) garantem o derramamento do Espírito?


Veja como a oposição a muitos destes reavivamentos cai na questão de métodos. Cito aqui a opinião de Ellen White sobre a necessidade de novos métodos e de discernimento para que não impeçamos a obra do Senhor. Aqueles que têm o zelo pela verdade devem ter uma atitude de humildade para saber discernir o que são heresias e erro espiritualista de meras divergências de opiniões pessoais ou metodologia:

Deus escolhe Seus mensageiros e lhes dá Sua mensagem; Ele diz: "Não os impeçais". Novos métodos devem ser introduzidos. O povo de Deus deve despertar para as necessidades dos tempos em que estão vivendo. (Refletindo a Cristo, p. 242)

[Deus] abençoará a todos os que trabalharem no espírito que Ele derramar sobre a obra. A estes ele dará favor e sucesso. À medida que novos campos são abertos, novos métodos e novos planos devem surgir a partir de novas circumstâncias. (RH, 3 de Junho de 1902 par. 5)

…pois nem todas as mentes devem ser alcançadas pelos mesmos métodos.
(Testimonies vol. 6, p. 116)

Note como esta afirmação acima é elucidativa na questão da evolução cultural e também musical no culto. Certamente Ellen White não advoga a idéia de que estilos musicais de uma época ou "tempo" devam ser compulsórios a outros tempos e épocas. Muito menos pretende ela impor métodos do passado a épocas futuras ou a diferentes lugares, como por exemplo, usar a língua portuguesa do século 19 para pregar o evangelho hoje. A mensagem precisa ser relevante aos tempos e música é parte deste processo. E ela adverte que "É delicado e perigoso...interferir com a obra de Deus." (MR 21, p. 147).

Aqui vão algumas conclusões para ponderação:

1. O Espírito Santo nunca se revela na bagunça, ruído, confusão, baderna, falar em línguas estranhas, emocionalismo desvairado e espiritualismo. Qualquer reavivamento na IASD que se baseia nesses devem ser rechaçados sumariamente como contrafação do inimigo.

2. Cultos, cantores e grupos musicais ou ministérios de louvor adventistas que utilizam da música contemporânea e seus instrumentos (novos métodos) e que não fomentam o carismatismo não podem nem devem ser considerados como obra Satânica meramente por uma divergência de metodologia. Estes têm realizado uma obra de reavivamento genuíno.

3. O emocionalismo exagerado pode ser ativado pela música? Sim. Mas as manifestações espiritualísticas severas que acompanham o culto pentecostal como falar em línguas, desmaios, possessões e exorcismos necessitam de uma base teológica para se sustentarem, o que não existe na doutrina Adventista.

4. O papel das emoções no culto Adventista precisa ser novamente explorado na visão de Ellen White para que o repúdio dessas não leve ao culto formal e sem vida que ela chamou de “um mal”, ou que uma ênfase em sua preeminência crie o canteiro onde tendências carismáticas tomem raízes. Ela diz que "Cristo e este crucificado deveria tornar-se o tema de nossos pensamentos e despertar as mais profundas emoções de nossas almas". (Testimonies, vol. 2, p. 212). "... o plano da salvação será magnificado e reflexões do Calvário despertarão emoções ternas, sagradas e cheias de energia. Louvores a Deus e ao cordeiro estarão em seus corações e em seus lábios." (Ibid., p. 634).

5. Precisamos nos desvencilhar do medo e apreensão excessivos sobre o culto da Carne Santa que "congela" nosso culto. Não impeçamos o verdadeiro reavivamento por medo do fanatismo. Ellen White disse que "Nada temos que recear quanto ao futuro, a menos que esqueçamos a maneira em que o Senhor nos tem guiado, e os ensinos que nos ministrou no passado". (Eventos Finais, p. 72).

6. A liderança e a Igreja precisam permitir que o Espírito Santo trabalhe livremente em nosso meio, permitindo que novos métodos sejam empregados no avanço da causa sem colocar travas ou exercer zelo exagerado na proteção do rebanho, condenando o que é obra de Deus como sendo do inimigo, como foi no caso de Healdsburg. Erros devem ser corrigidos com discernimento, sempre voltando-se à Bíblia e Espírito de Profecia, mas nunca combater extremismo com extremismo.

7. Diferenças de opinião sobre o que constitui reavivamento, como o foi no caso de Healdsburg ou estilo de culto e música não devem interferir com a obra do Espírito Santo. A adoração adventista precisa ter mais da atuação espontânea do Espírito. Ela diz que "Antes de os juízos finais de Deus caírem sobre a Terra, haverá, entre o povo do Senhor, tal avivamento da primitiva piedade como não fora testemunhado desde os tempos apostólicos." (O Grande Conflito, p. 464).

8. No entanto, não impedir o Espírito Santo não significa necessariamente que podemos aceitar todo "vento de doutrina" que bate às nossas portas ou permitir que qualquer um assuma posição de liderança porque se acha "cheio do espírito". Devemos continuar a "provar os espíritos".

9. A IASD precisa seguir avante com cautela na questão da adoração e dos dons do Espírito. Não sejamos os primeiros a adotar a evolução natural da música sacra, nem os últimos a abandonar o que não é mais relevante hoje.

10. Finalmente, lembremos sempre que "É delicado e perigoso...interferir com a obra de Deus".

Maranata!~
André Reis